Edilson
Pedroso
O pintor versátil
É por meio da arte que o ser
humano expressa a sua relação com o universo. Com tintas e pincéis,
o pintor Edilson Pedroso já concebeu mais de mil telas hoje
espalhadas pelo mundo.
Filho
mais velho do casal Eurico e Evanira Pedroso, Edilson Pedroso
nasceu em 1ºde fevereiro de 1971, em Ourinhos, SP. Estudou nas
Escolas José Augusto de Oliveira Paschoalick e na Domingos
Carmelingo Caló, ambas em sua cidade natal, onde mora e tem um
ateliê com aproximadamente 70 alunos, que lhe permite dedicação
integral à pintura, desenvolvendo em seus discípulos o amor pela
arte.
Embora
sua família não tivesse nenhum artista, Edilson, desde menino,
gostava de pintar. Seus cadernos eram repletos de desenhos a lápis
e, aos 14 anos, participou e venceu o concurso “O artista é você”,
realizado nas escolas da cidade. Começava assim uma carreira de
sucesso.
Ainda
no primeiro grau, Edilson conheceu um de seus maiores
incentivadores, o professor Francisco Cláudio Granja. Estimulado
a prosseguir a sua jornada pelo mundo da arte, começou a
participar de eventos culturais, exposições, dando os primeiros
passos para o que seria a sua vida: um contato permanente com a
pintura.
Ao
final do primeiro grau, Edilson, sempre acompanhado de perto pelo
professor Granja, começou a realizar pequenas obras em aquarela,
guache, lápis de cor, pastel e têmpera. A aceitação dos
observadores foi, nesse momento, um grande incentivo para que ele
permanecesse fiel à sua prática artística.
Inicialmente
autodidata, ou seja, artista que aprendeu sem mestres, Edilson, na
adolescência, freqüentava os eventos culturais promovidos na Itaú
Galeria, em Ourinhos. Isso só fez crescer suas habilidades até
chegar ao atual estágio de pintor respeitado no Brasil e no
Exterior.
A
primeira tela que pintou, aos 17 anos, foi uma paisagem. Elogiado
e incentivado pelos professores de arte, começou a aperfeiçoar a
sua técnica. Em 1991, formou-se em Arte pelas Faculdades
Integradas de Ourinhos, em 1991, e, depois, pós-graduou-se em
História da Arte do Século XX pela Escola de Música de Belas
Artes do Paraná (Embap).
Em
1989, Pedroso produziu seus primeiros trabalhos. No final daquele
ano, participou, juntamente com outros artistas locais, da mostra
inaugural da Galeria de Arte da Câmara Municipal de Ourinhos.
Apresentou então três telas em guache. Depois, foram surgindo
novos espaços. No ano seguinte, fez a sua primeira individual no
Teatro Municipal “Miguel Cury”, mostrando 16 obras.
Até
1991, pintava paisagens urbanas, como viadutos e avenidas de São
Paulo, muitas monocromáticas, ou seja, com tons de apenas uma
cor. Em seguida descobriu a liberdade das espátulas e os
trabalhos ganharam mais movimento e uma agressividade intensa e poética.
Entre
seus temas, estão paisagens rurais, em que a tranqüilidade, a
força e a beleza do campo são retratadas de maneira singela.
Cada tela torna-se assim um momento de louvor à natureza, em que
o artista entra em contato com uma realidade e a torna numa imagem
pictórica repleta de energia.
Em
1992/93, passou a pintar de maneira mais solta, com cores
extremamente vibrantes. Foi o início de um processo que buscava
atingir formas mais sintéticas rumo à abstração. Nesse
sentido, algumas obras podem ser inscritas dentro do
expressionismo abstrato pela maneira de usar as cores.
A
maior parte das obras de Pedroso, porém, se caracteriza pelo
impressionismo, estilo que tem como principal marca as pinceladas
leves e soltas. Aliás, liberdade é a sua marca registrada,
principalmente no cromatismo muito pessoal, que vai aprimorando
com o passar dos anos.
Muitas
vezes, a forma se dissolve, levando à produção de telas
abstratas. Boa parte das telas, no entanto, têm como temática as
flores, as frutas e a natureza. Por meio delas, o artista se
sintoniza com o cosmos, buscando a energia necessária para
transmitir bons fluidos ao espectador de seus quadros.
As
flores transmitem alegria e levam a um elevado nível espiritual,
despertando a sensibilidade. Pedroso lembra que talvez isso tenha
justamente levado o pintor francês Monet a cultivar um jardim
particular. “Dessa maneira, ele podia apreciar cada espécie e
retratá-la com graça e talento em suas obras”, diz.
Em
1996, Pedroso teve a oportunidade de viajar para a Europa, onde
conheceu ao vivo as obras dos grandes mestres impressionistas.
Visitou os principais museus de Paris, como o Louvre e o Museu
D’Orsay, e de Londres, como a National Gallery e a Tate Gallery,
indispensáveis para qualquer amante da arte.
Travou
contato ainda com numerosos pintores que expõem, aos domingos, no
Hyde Park, um dos principais parques públicos da Inglaterra. Em
Barcelona, Pedroso conheceu de perto as obras de Miró. E ainda
passou pelas Ilhas Canárias, famosas pelas suas paisagens.
No
final dos anos 1990, Edilson retoma a figuração, explorando a
temática floral. Em 1999, Pedroso foi convidado para mostrar o
seu talento na Suíça. Isso ocorreu graças ao Centro Brasileiro
de Ação Cultural (Cebrac), em Zurique, e à Associação Raízes
para Cultura Brasileira, em Genebra. A jornada foi muito bem
sucedida, principalmente na primeira cidade, onde foi realizada
uma mostra individual intitulada “Universo Tropical”, com 35
telas, em óleo sobre tela e tinta acrílica, com temas como
flores, frutas típicas, aves e peixes.
Tanto
em Zurique como em Genebra, Pedroso realizou workshops com
crianças entre 6 a 15 anos. Os alunos desenvolveram, com técnicas
de aquarela e crayon, temas inspirados no Brasil, já que o
público era de filhos de brasileiros. A viagem, como um todo,
resultou em numerosos convites para expor no Exterior.
Em
2001, o artista nascido em Ourinhos participou do VI Circuito
Internacional de Arte Brasileira, organizado pelo Colege Arte de
Uberlândia, MG. Com o apoio do setor cultural da embaixada
brasileira na Espanha, França e Inglaterra, expôs a arte
brasileira no mercado internacional, apresentando três telas a óleo
tituladas “Sabor brasileiro”. O objetivo foi mostrar as frutas
nacionais, as suas formas, texturas e cores, com resultado de
grande valor plástico e estético, que ressaltam o lado tropical
do País e mostram a sua riqueza.
No
ano seguinte, Pedroso participou da Quarta Bienal Internacional de
Roma, por meio do Centro Internacional de Artistas Contemporâneos,
órgão que promove justamente diversos intercâmbios entre
artistas brasileiros e italianos. Pedroso, filiado à Associação
Profissional dos Artistas Plásticos do Paraná (Apap-PR), ao
Sindicato dos Artistas Plásticos do Estado de São Paulo
(Sinapesp) e à Associação Internacional de Artes Plásticas
(Aiap), tem obras em acervos nacionais e internacionais e também
com colecionadores de Bélgica, Espanha, Inglaterra, EUA e
Portugal.
A
produção de Edílson Pedroso apresenta grande versatilidade, já
que, entre seus trabalhos, há tanto figurativos como abstratos e
contemporâneos. Além de dar aulas em Ourinhos, ele realiza
workshops e outras atividades no Norte do Paraná. Com isso, o seu
trabalho tem mais visibilidade e lhe permite conquistar um espaço
no universo da arte que ultrapassa as fronteiras de sua cidade
natal e se espalha pelo mundo.
Oscar
D’Ambrosio, jornalista, integra a Associação Internacional de
Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil) e é autor de Contando
a arte de Ranchinho (Noovha América) e Os pincéis de
Deus: vida e obra do pintor naïf Waldomiro de Deus (Editora
Unesp e Imprensa Oficial do Estado de São Paulo).