por Oscar D'Ambrosio


 

 


D’Solrac

 

            A poética do movimento

 

            O personagem Biron, no ato I  de Trabalhos de amor perdidos, de Shakespeare, diz “A luz, buscando a luz, desvia a luz da luz”. A frase, aparentemente enigmática, transportada à pintura, permite entender melhor como a luz se torna um elemento fundamental na construção de um quadro.

            Um exemplo está nas telas de D’Solrac. Nascido em Colina, interior do Estado de São Paulo, suas pinturas se caracterizam pela capacidade de criar realidades pictóricas em que a cor e a luz são utilizadas de maneira nunca permitir a estaticidade de suas imagens. Isso significa o domínio de recursos pictóricos em que o movimento se faça presente ou, pelo menos sugerido.

            O uso, por exemplo, de zonas mais claras na parte superior central dos quadros auxilia a criar esse efeito. Tal resultado surge do conhecimento de técnicas de pintura e da busca de soluções para que seus trabalhos possam, de uma maneira ou de outra, ser agradáveis ao público, mas sem perder de vista que são objetos de arte, ou seja, demandam contínuo aperfeiçoamento técnico.

            Capas de pintar as mais variadas temáticas, como carnaval, carros de competição, esportes como futebol e surf, cenas de folclore, paisagens e retratos, D’Solrac cria atmosferas marcadas por uma estética que combina a luz e o uso da cor para a construção de massas de tinta compactas e equilibradas.

            Geralmente, uma figura central determina a temática da tela, sendo, em seguida, qualitativamente acrescida pelo movimento da pincelada. Principalmente nos melhores trabalhos, ocorre a progressiva diluição das formas que estão ao redor da figura principal, gerando-se assim um efeito de sugestão de movimento.

            Luz, cor e movimento são associados por D’Solrac numa linguagem própria e bem definida. Quanto mais o referente concreto se dilui, mais a imagem ganha força e conquista o observador. Surge, nesse processo, a participação do público que, ao ver a tela, completa, na sua imaginação, o movimento sugerido pelo artista paulista.

            D’Solrac, como apontava Shakespeare, vale-se da luz como um dos elementos a descortinar o mundo. É justamente na capacidade de criar o dinamismo em suas telas que o seu trabalho se destaca. Assim, as imagens de carnaval que estabelece no universo de sua pintura ganham mais vida e a riqueza de interpretações de cada imagem se multiplica.

       

Oscar D’Ambrosio, jornalista, mestre em Artes pelo Instituto de Artes da UNESP, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil) e é autor, entre outros, de Contando a arte de Peticov (Noovha América) e Os pincéis de Deus: vida e obra do pintor naïf Waldomiro de Deus (Editora Unesp e Imprensa Oficial do Estado de São Paulo).

 

 
 

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  Carnaval 
óleo sobre tela 60 x 80 cm 2004

 D'Solrac

 

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