Dirceu Américo
Arte com
metal
Aço, latão,
inox e ferro são as matérias-primas do artista plástico Dirceu
Américo. Ele toma esses pontos de partida para dois tipos de trabalho:
um em que se vale da sucata e a articula por meio do processo de
fundição e outro em que modela os materiais para atingir os resultados
desejados.
Nascido em Itambé, PR,
em 1962, deu seus primeiros passos na arte na pintura e na escultura.
Chegou a cursar desenho artístico em São Caetano do Sul, SP, mas foi
no trato com a sucata que consegue obras de impacto visual,
principalmente pela capacidade de associar elementos aparentemente
desconexos.
Seus trabalhos mais
impressionantes são construções de dragões, aranhas e besouros feitos
a partir de refugo industrial. Há neles o desenvolvimento do
pensamento de que nada é completamente inútil e merece ser jogado
fora. Pelo contrário, Américo atua com a perspectiva de que sempre é
possível reutilizar um material.
O poder de visualidade
do artista impressiona tanto pelo resultado muitas vezes conseguido
como pelo processo que ele desenvolve. Existe em sua construção de
imagens todo um fascinante exercício de olhar sobre aquilo que é
largado pela sociedade consumista e imediatista contemporânea.
Recriar a partir do que
podia ser ignorado é a característica basilar de Américo. Suas obras
fascinam não só pelo resultado plástico, mas pela busca do
entendimento de como ele atinge soluções visuais cativantes que fazem
lembrar que a essência da arte está em explorar ao máximo as
potencialidades que cada material oferece.
Oscar D’Ambrosio,
jornalista, é mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes (IA) da
UNESP, campus de São Paulo e integra a Associação Internacional
de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil).