por Oscar D'Ambrosio


 

 


Dircéa Mountfort

 

Amor pela natureza

 

Algumas técnicas exigem do artista uma devoção especial. Sem demérito de outras, a aquarela tem, na magia do ato de controlar o elemento aquoso, o seu maior mérito, pois os grandes criadores no gênero são aqueles que sabem encontrar o ponto médio entre o domínio do ofício e o poder do acaso.

Dircéa Mountfort mergulhou na aquarela atraída pelo desafio de controlar o fluxo vital que a aquarela porta. Em cada trabalho, principalmente quando se debruça sobre um de seus assuntos preferidos, a Mata Atlântica, oferece a sua reposta plástica para as interrogações que a mescla entre o pigmento e a água traz.

Seja no ato de retratar os sulcos de uma árvore ou nas composições mais realistas de um pequeno ecossistema, ela realiza muito mais que um trabalho de estímulo à preservação da natureza. Conquista os olhos do observador por criar atmosferas de encantamento e transparências de justaposição de planos e profundidades.

Ao pintar fragmentos de uma floresta em extinção, não tem o olhar de um naturalista preocupado com a exata identificação da espécie. Sua aproximação com o meio ambiente é, acima de tudo, oriunda de uma paixão pelas possibilidades de representação que a técnica da aquarela permite.

Dircéa tem a devoção pela técnica, casada à delicadeza. Soma a isso a consciência ecológica e social de que cada ser humano só existe em função do meio ambiente e das outras pessoas. Daí surge um trabalho maduro por não se entender isolado da realidade, mas em harmonia com o mundo.

 

Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Arte da UNESP, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção Brasil).

 

 
 

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Regato na Serra do Mar
aquarela - 41 x 51 cm - 2004

Dircéa Mountfort

 

 

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