Dircéa
Mountfort
Amor
pela natureza
Algumas
técnicas exigem do artista uma devoção especial. Sem demérito de
outras, a aquarela tem, na magia do ato de controlar o elemento
aquoso, o seu maior mérito, pois os grandes criadores no gênero são
aqueles que sabem encontrar o ponto médio entre o domínio do ofício
e o poder do acaso.
Dircéa
Mountfort mergulhou na aquarela atraída pelo desafio de controlar o
fluxo vital que a aquarela porta. Em cada trabalho, principalmente
quando se debruça sobre um de seus assuntos preferidos, a Mata Atlântica,
oferece a sua reposta plástica para as interrogações que a mescla
entre o pigmento e a água traz.
Seja
no ato de retratar os sulcos de uma árvore ou nas composições mais
realistas de um pequeno ecossistema, ela realiza muito mais que um
trabalho de estímulo à preservação da natureza. Conquista os olhos
do observador por criar atmosferas de encantamento e transparências
de justaposição de planos e profundidades.
Ao
pintar fragmentos de uma floresta em extinção, não tem o olhar de
um naturalista preocupado com a exata identificação da espécie. Sua
aproximação com o meio ambiente é, acima de tudo, oriunda de uma
paixão pelas possibilidades de representação que a técnica da
aquarela permite.
Dircéa
tem a devoção pela técnica, casada à delicadeza. Soma a isso a
consciência ecológica e social de que cada ser humano só existe em
função do meio ambiente e das outras pessoas. Daí surge um trabalho
maduro por não se entender isolado da realidade, mas em harmonia com
o mundo.
Oscar
D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de
Arte da UNESP, integra a Associação Internacional de Críticos de
Arte (AICA- Seção Brasil).