Projeto
Diário de uma
Barata
Um
diário é
um relato de
acontecimentos ao
longo do
tempo. Trata-se de uma
jornada,
um
caminhar
pela
vida
que pode
ser contado de muitas
maneiras. No
caso da
artista Andréa
Barata, a
opção é a das
imagens.
Por
intermédio de uma
personagem
por
ela
criada a
partir de
seu
sobrenome, introduz o
observador num
universo
lúdico,
mas
nem
por
isso
menos existencial.
O
conjunto de 12
imagens desta
exposição constitui
um
diário
mensal.
São
estados da
alma ao
longo de
um
ano
que revelam diversas
facetas de uma
mulher
com
sobrenome de
inseto,
mas
com uma
construção
que
progressivamente
caminha
para a
libertação do
personagem e
para o adensamento das
questões
plásticas.
A
barata de
Barata
não é uma
prisão,
mas uma
libertação.
Explorar o
potencial do
inseto
associado ao
nome constitui uma possibilidade de
verticalizar
relações no
sentido de
retirar do
animal
tudo
que
ele pode
oferecer
em
termos de
riqueza
visual e de
cores e
formas
em
busca de
soluções inesperadas.
Inquietações internas ganham
autonomia
visual
em
escala proporcional à
discussão de
como
um
processo
autêntico pode
ser
construído na
elaboração de
um
diário
em
que se
torna
possível – e
necessário –assumir
posições e
declarar
sentimentos. A
técnica é
então
posta a
serviço de uma
idéia.
As
concepções
visuais
circulares
são uma
espécie de
assinatura da
artista,
um traço
que
ganha
consistência
quando
passa a
ser
vista
cada
vez
mais
como uma
assinatura e
menos
como
um
recurso. Pode
estar
presente,
mas
em
graus
distintos
em
função da
temperatura da
página de
cada
diário
mensal.
Cor e
ousadia, vinculadas a
reflexões
sobre a
passagem do
ano,
suas
datas comemorativas e
seus
elos
com a
própria
vida, tornam o
Diário de uma
Barata
mais
que uma
mera
exposição de
quadros. Trata-se de
um
depoimento de uma
artista
perante
um
mundo conturbado
que admite
cada
vez
menos o acomodamento.
Oscar D’Ambrosio,
jornalista e
mestre
em
Artes
Visuais
pelo
Instituto de
Artes da Unesp, integra a
Associação
Internacional de
Críticos de
Arte (AICA-
Seção Brasil).