Os
desenhos de Peticov
Desenhar
é uma das grandes dádivas do artista plástico. É por meio dessa
capacidade que ele pode gerar novas idéias ou retrabalhar projetos
antigos. Pelo domínio de técnicas como o pastel, é capaz de
desenvolver projetos estéticos e explorar potencialidades visuais.
A exposição
“desenhos”, de Antonio Peticov, na IQ Art Gallery, permite
justamente desvendar melhor o universo de um artista que domina as
cores como poucos. Realizados sobre papel, os trabalhos reunidos
apresentam os temas recorrentes ao pintor, mas sob uma nova
perspectiva, certamente com maior poeticidade.
Do
conjunto exposto, The Dutch Jew é o que se revela mais
completo, seja pelo impacto visual da imagem, seja pela forma como a
cor é trabalhada, com uma densidade que faz o espectador mergulhar
na obra e procurar dialogar com ela de forma suave e, ao tempo,
firme.
O grande
desafio proposto ao observador é entender como as cores anunciadas
nas pautas de Concerto #1 ganham novas dimensões em cada
imagem criada. Há algumas em que elas surgem mais separadas,
didaticamente, em escalas cromáticas, e outras em que criam
universos misteriosos e, por isso, fascinantes.
Indiana
ou Ohio, por exemplo, poderia ter perfeitamente saído de uma
aquarela de Hopper, enquanto St. Thomas leva a indagações
sobre a identidade humana num mundo em que as intertextualidades e
as linguagens se articulam de forma cada vez mais rica e complexa.
Além de
representações das quatro estações, tema que orienta parte do
trabalho do artista, a imagem The Passage introduz, no
conjunto exibido no Espaço Cultural Chakras, a grande questão do
artista. Há ali a busca constante por uma realidade que transcende
a aparente, mas não a abandona.
O
trabalho poético de Antonio Peticov, além do valor pictórico intrínseco,
seja em papel ou em outra técnica, apresenta-se sempre como uma
passagem entre o mundo que temos e aquele que desejamos. Nas suas
imagens, essa diferença é diminuída com um universo colorístico
peculiar e diferenciado.
Oscar
D’Ambrosio, jornalista, mestre em Artes pelo Instituto de Artes da
UNESP, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte
(AICA-Seção Brasil) e é autor, entre outros, de Contando a
arte de Peticov (Noovha América) e Os pincéis de Deus: vida
e obra do pintor naïf Waldomiro de Deus (Editora Unesp e
Imprensa Oficial do Estado de São Paulo).