por Oscar D'Ambrosio


 

 


 

Os desenhos de Peticov

 

            Desenhar é uma das grandes dádivas do artista plástico. É por meio dessa capacidade que ele pode gerar novas idéias ou retrabalhar projetos antigos. Pelo domínio de técnicas como o pastel, é capaz de desenvolver projetos estéticos e explorar potencialidades visuais.

            A exposição “desenhos”, de Antonio Peticov, na IQ Art Gallery, permite justamente desvendar melhor o universo de um artista que domina as cores como poucos. Realizados sobre papel, os trabalhos reunidos apresentam os temas recorrentes ao pintor, mas sob uma nova perspectiva, certamente com maior poeticidade.

            Do conjunto exposto, The Dutch Jew é o que se revela mais completo, seja pelo impacto visual da imagem, seja pela forma como a cor é trabalhada, com uma densidade que faz o espectador mergulhar na obra e procurar dialogar com ela de forma suave e, ao tempo, firme.

            O grande desafio proposto ao observador é entender como as cores anunciadas nas pautas de Concerto #1 ganham novas dimensões em cada imagem criada. Há algumas em que elas surgem mais separadas, didaticamente, em escalas cromáticas, e outras em que criam universos misteriosos e, por isso, fascinantes.

            Indiana ou Ohio, por exemplo, poderia ter perfeitamente saído de uma aquarela de Hopper, enquanto St. Thomas leva a indagações sobre a identidade humana num mundo em que as intertextualidades e as linguagens se articulam de forma cada vez mais rica e complexa.

            Além de representações das quatro estações, tema que orienta parte do trabalho do artista, a imagem The Passage introduz, no conjunto exibido no Espaço Cultural Chakras, a grande questão do artista. Há ali a busca constante por uma realidade que transcende a aparente, mas não a abandona.

O trabalho poético de Antonio Peticov, além do valor pictórico intrínseco, seja em papel ou em outra técnica, apresenta-se sempre como uma passagem entre o mundo que temos e aquele que desejamos. Nas suas imagens, essa diferença é diminuída com um universo colorístico peculiar e diferenciado.

 

Oscar D’Ambrosio, jornalista, mestre em Artes pelo Instituto de Artes da UNESP, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil) e é autor, entre outros, de Contando a arte de Peticov (Noovha América) e Os pincéis de Deus: vida e obra do pintor naïf Waldomiro de Deus (Editora Unesp e Imprensa Oficial do Estado de São Paulo).

 

 

 

 

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