por Oscar D'Ambrosio


 

 


Dalila Nascimento

 

            O poder da surpresa

 

            A principal fascinação do trabalho da artista plástica paulista Dalila Nascimento está no domínio que mostra ao lidar com os mais diversos materiais. Sua postura parece ser muito mais a de quem vê nas diferentes técnicas uma oportunidade de solução de questões plásticas do que um problema a ser enfrentado.

            Seja na pintura, escultura ou cerâmica, ela desenvolve algumas importantes constantes. Talvez a maior delas esteja na forma como se apropria dos conceitos de dualidade e equilíbrio. Ambos são tratados geralmente de uma maneira muito peculiar, que leva a reflexões sobre o espaço diferenciadas.

            Além do pensar, está um agir marcado pela maneira como diferentes suportes ganham articulações. Isso permite desde o mergulho no universo das máscaras, em termos tridimensionais, a pesquisas com o uso de recursos como a colagem de selos postais, entre numerosos outros elementos.

            Um assunto muito presente é o do tempo e das mudanças que ele gera e espelha. Devido às próprias viagens e sucessivos conhecimentos de novas realidades e visões de mundo, Dalila consegue imprimir ao seu trabalho digitais. O principal certamente é o da capacidade de surpreender o observador.

            Isso se dá pela habilidade de oferecer em cada obra uma perspectiva da realidade marcada por conceitos muito pessoais. A observação do cotidiano, por exemplo,  é uma matriz de seu pensamento, assim como a percepção, desenvolvida pela prática, de estabelecer ligações entre elementos aparentemente díspares.

            A grande questão é localizar o diferencial da sua construção poética. Ele se situa no próprio design dos trabalhos, não no sentido utilitário, mas no da montagem e criação de concepções que levam a um progressivo auto-conhecimento e desbloqueio de possibilidades.

            Ao atuar com diversas formas e materiais, Dalila Nascimento retira deles o que propiciam de melhor. Oferece a oportunidade  do observador se encontrar. Mergulhando nos símbolos e arquétipos que acompanham a sua trajetória, gera o início de uma jornada em que ver o inusitado plástico revela um novo olhar sobre si mesmo e sobre as próprias maneiras de surpreender.

            A artista, com a temática da transformação muito presente, extrai o máximo de cada elemento pelo próprio desejo de tornar cada imagem um ato significativo. Não basta produzir. Isso precisa ser feito com critério, para que cada nova obra seja resultado de intensa pesquisa na própria memória visual e plástica.

Daí surge a surpresa, um resultado que foge da obviedade e provoca a interrogação e subseqüente movimentação dos neurônios rumo ao entendimento essencial de qual é a função de cada ser humano e, principalmente do artista no mundo. Para Dalila Nascimento, a resposta está em gerar o inesperado e estimular o pensamento.

 

            Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção Brasil).

 

 
 

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 O homem e seus principais objetivos
terracota Acervo do Museu de Artes do Parlamento de São Paulo

Dalila Nascimento

 

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