por Oscar D'Ambrosio


 

 


Corpos pintados

 

Poética do esforço

 

            Somente quem contempla o trabalho de pintura de um corpo ao vivo pode ter uma plena dimensão do que significa o esforço de começar a trabalhar sobre um corpo nu (a tela em branco). O exercício exige um mínimo de planejamento, alguns conceitos visuais bem definidos e muito diálogo com os modelos. Dias 9 e 10 de julho de 2005, na exposição Corpos Pintados, na Oca, em São Paulo, a artista plástica Roberta Fialho enfrentou essa maratona.

            Dia 9 de julho, o tema foi a tempestade. Após mais de 4 horas de exercício pictórico, físico e mental, um belo raio em branco, desenhado com precisão e emoção, orienta o leitor na parte da frente da modelo, onde a silhueta de uma metrópole gera um progressivo encantamento pela combinação de cores. As costas da modelo, com um pôr-do-sol (ou seria um amanhecer) que parece uma aquarela do Sul do País, complementam o trabalho.

            No dia seguinte, o trabalho foi dobrado, pois dois modelos (um homem e uma mulher) foram pintados. Ela teve em seu corpo uma paisagem oriental, em branco e cor-de-rosa, com uma composição de uma paisagem em poucos traços e numerosos ideogramas em preto.

            A figura criada no modelo masculino, com predominância de cores quentes, exigiu a colaboração dos próprios modelos para a pintura das áreas maiores. Roberta fez os retoques, como detalhes do rosto e o comando das mesclas colorísticas, assim como os grafismos que surgem a partir da influência oriental que caracteriza o trabalho da artista.

            Em seus corpos pintados, a artista conciliou esforço físico com três temáticas (a tempestade, a paisagem e os grafismos orientais e um trabalho com cores mais terrosas, próximas do universo indígena nacional). Dessa mescla, surgem três corpos que interagem pelo cromatismo, pelo esforço físico e pela busca constante de soluções criativas perante os mais variados desafios.

 

            Oscar D’Ambrosio, jornalista, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil) e é autor de Contando a arte de Ranchinho (Noovha América) e Os pincéis de Deus: vida e obra do pintor naïf Waldomiro de Deus (Editora Unesp e Imprensa Oficial do Estado de São Paulo).

 
 

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