por Oscar D'Ambrosio


 

 


 

Cláudio Tozzi

 

            A construção das cores

 

            O artista plástico Cláudio Tozzi já foi chamado de “Chico Buarque das artes visuais”, pela poesia que existe em seu trabalho, “Midas da pintura moderna brasileira”, pelo sucesso que consegue em tudo o que faz, e “Poeta da produção industrial”, pela facilidade com que lida com diversas técnicas.

Os trabalhos do artista estão em museus, galerias e com colecionadores, mas também encantam milhares em fachadas de prédios públicos e em estações de metrô. Ao longo da carreira, pintou multidões de pessoas se manifestando contra a ditadura, parafusos apertando cérebros, escadas sem figuras humanas e composições abstratas que encantam pela forma como utiliza as cores e formas.

As palavras cor e construção são a base do trabalho de Tozzi. Seus trabalhos estão marcados justamente pela maneira como se vale desses dois recursos para cativar. Seja nos trabalhos mais figurativos do começo de carreira ou, nos atuais, mais próximos do abstracionismo, o estudo das variações cromáticas e dos componentes estruturais se faz sempre presente.

            Cláudio Tozzi nasceu em São Paulo, SP, dia 7 de outubro de 1944, na Rua Ministro de Godoy, 1196, bairro das Perdizes. Seu pai, Giuseppe, italiano, veio para o Brasil em 1929, para trabalhar na Companhia Telefônica Brasileira. Grande admirador de arte, casou com Zulmira, que nasceu em Itatiba, interior de São Paulo.

            Desde criança, Tozzi gostava de desenhar. Seus primeiros temas eram detalhes de casas de que gostava ou ainda de motocicletas e carros que o encantavam. Aos 11 anos, entrou no Colégio de Aplicação da USP, então na Rua Gabriel dos Santos, onde teve toda a sua formação.

            Lá teve um grande incentivo para as artes. Teve as primeiras noções de História da Arte e os primeiros conceitos do que era a estrutura e como deveria ser a sua composição. Havia ainda aulas de artes manuais, onde os alunos faziam muitas experiências com tintas e com diversos materiais.

            Daí brotou um grande interesse pela pintura. Perto de sua casa, havia também um artista plástico húngaro pintor húngaro e Tozzi ficava fascinado ao ver como aquele senhor misturava as tintas e as levava para as telas. Esses momentos mágicos o levaram a decidir ser pintor.

Como nos anos 1960 não havia no Brasil cursos de Artes Plásticas e Visuais como hoje, a única opção para quem queria ser artista era freqüentar curso livres, que não davam diploma universitário. Tozzi, porém, tinha medo de que a sua originalidade se perdesse e que ele ficasse, como costumava acontecer, muito próximo ao professor, sem estilo próprio.

Em 1963, Tozzi deu seu passo oficial inaugural no mundo das artes: vence o concurso de cartazes do XI Salão de Arte Moderna. Como o curso universitário mais próximo das Artes era o de Arquitetura, ele entrou, em 1964, na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP, localizada então na Rua Maranhão.

Foi justamente o ano em que ocorreu o Golpe que levou os militares ao poder. Vivia-se uma época muito politizada e era impossível ficar indiferente. Tozzi participava do movimento estudantil contra a ditadura, participava de passeatas e escrevendo, de madrugada, “Abaixo a ditadura” nos muros de São Paulo.

Na FAU, participava intensamente das oficinas de arte e montou, em 1966, na Rua Minas Gerais, 193, com o artista plástico Luiz Paulo Baravelli, o seu primeiro ateliê. Cabelo comprido e calça jeans, ele fotografava as passeatas e se apropriava de fotos de jornais e revistas, transformando as imagens em painéis, seguindo um padrão visual que tinha como referência os sinais de trânsito, letreiros, outdoors, histórias em quadrinhos e processo fotomecânicos de reprodução.

Ainda na Faculdade, teve como grandes incentivadores diversos professores, como Sérgio Ferro, Flávio Império, Renina Katz, Elide Monseglio e Flavio Motta. Um de seus colegas de classe era o compositor Chico Buarque, já muito mais ligado à música do que à arquitetura. Isso sem contar a atmosfera do Tropicalismo, com a chegada de Gilberto Gil e Caetano Veloso da Bahia. De uma letra de Caetano, por exemplo, surgiu a obra Eu bebo chop ela pensa em casamento.

Nesses anos, havia ainda a ExpoFAU, organizada, entre outros, pelo físico e crítico de arte Mário Schenberg, que reunia estudantes como Tozzi, em sua casa,na Rua Marquês de São Vicente, para discutir arte e política. Uma forte influência na época era o trabalho do norte-americano Roy Lichtenstein, que satirizava os valores culturais ocidentais, utilizando personagens de histórias em quadrinhos.

As imagens de Tozzi, porém, eram menos críticas em relação ao consumismo. Funcionavam como verdadeiros manifestos contra a censura, a ditadura e a violência. Ele captava imagens e as transformava, utilizando tintas para pintar placas de rua, usando cores fortes, como vermelho, amarelo, branco e preto.

Ainda quando cursava a FAU, Tozzi deu, durante cinco anos, aulas de desenho, no curso preparatório do Colégio Equipe para o vestibular de Arquitetura. Em 1971,  Flávio Império o convidou para lecionar na FAU, onde leciona hoje a disciplina Estrutura da Linguagem Visual.

            Tozzi acredita que ser arquiteto o ajude na forma como trabalha o espaço, principalmente quando trabalha em grandes dimensões. A formação também lhe é muito útil para projetar cada obra e para organizar melhor as suas atividades artísticas. Na FAU, onde leciona hoje, dedicou-se mais à programação visual, inclusive com projetos de marcas e cartazes.

Atualmente, orienta o trabalho dos alunos, desenvolvendo junto com eles diversos projetos, como de intervenções artísticas na paisagem urbana. O mais recente de Tozzi foi, em 2004, nas avenidas 23 de maio e Bandeirantes em São Paulo, SP. Os murais pintados com diferentes gradações de cor geraram o convite da escola de samba Barroca Zona Sul para que pintasse a sede da instituição, que fica na região. Como forma de agradecimento, obras de Tozzi foram destaques no desfile da escola no carnaval de 2004, num carro alegórico chamado ‘Mãos que Fazem a Arte”.

Um marco na carreira de Tozzi foi a série de pinturas Bandido da luz vermelha, na qual trabalhou com a linguagem das história em quadrinhos. São doze painéis expostos em torno de um eixo, criando um espaço fechado, com interferência de luzes vermelhas que piscavam intermitentemente, alusão à mescla de sedução e medo que o célebre bandido provocava na cidade de São Paulo.

            Em seus trabalhos, Tozzi utilizava frases como “Fazei ferver a panela dos pobres” e, dentro do clima tropicalista que dominava as artes do País, questionava valores sociais e morais de uma sociedade altamente conservadora. Um exemplo dessa fase foi o trabalho Veja o nu, onde há uma sombra de mulher nua entre cortinas de tecido com bolas vermelhas, num clima de sedução e de jogo.

Uma das intenções do artista sempre foi levar a sua arte para fora do ateliê. Buscava trabalhar novos circuitos fora dos tradicionais da arte. Nesse sentido, fez uma serigrafia do jogador de futebol Garrincha que vendia a preço de custo na saída dos estádios.

Realizou ainda imagens do líder revolucionário Che Guevara que, vendidas a preços populares nas praças e outros lugares públicos de São Paulo, foram muito consumidas no meio estudantil. Também criou, nos anos 1970, múltiplos, ou seja, obras de arte que podiam ser reproduzidas em série e vendidas a preços relativamente acessíveis.

Em 1967, Tozzi leva para o IV Salão Nacional de Arte Contemporânea, em Brasília, DF, o painel Guevara vivo ou morto. Considerado subversivo, é recusado e destruído a machadadas por defensores do regime militar. Somente em meados dos anos 1970, ele foi recuperado e restaurado com ajuda dos alunos da FAU.

Tozzi promoveu, em 1968, a manifestação coletiva Bandeiras e estandartes, com imagens reproduzidas em serigrafias, na Praça General Osório, no Rio de Janeiro. Artistas plásticos importantes, como Hélio Oiticica, participaram do ato, que contestava a ditadura instaurada no País quatro anos antes.

Com os painéis da painéis da série Multidões, em de grandes formatos, que documentavam cenas e manifestações políticas do período, Tozzi participa da X Bienal Internacional de São Paulo de 1969, fixando seu nome entre os principais artistas jovens do período.

Tozzi integrava uma geração que se valia de novas técnicas artísticas para  expressar a sua visão de mundo. Isso ocorria tanto por meio de serigrafias, como pelo uso das mais variadas técnicas, como fibras naturais, variados pigmentos, tipos de tinta e elementos da natureza.

            Com o Ato Inconstitucional nº5, de 1969, a censura e a pressão aumentam.  O espaço de questionamento político diminui e a alternativa é buscar novos temas. Tozzi inicia as séries Astronautas e Módulos lunares, executadas com tintas industriais. É um momento de explorar novas possibilidades técnicas. Os traços são mais arredondados, indicando a leveza do homem no espaço devido à ausência de gravidade. Além disso, as cores começam a ganhar mais destaque.

            Nos anos 1970, Tozzi teve outro ateliê, na mesma Rua Minas Gerais, só que no número 378, agora com Maurício Nogueira Lima. Em 1971, o artista paulista inicia a série de pinturas e objetos Parafusos. Eles surgem apertando o cérebro, denunciando, de maneira sutil, o que a os militares estavam fazendo com a cultura e o intelecto nacional.

O parafuso, além de ser um símbolo eficiente, era visto por Tozzi como um objeto de grande valor estético. Marcado pela verticalidade e pelas reentrâncias, ele reaparece inteiro, pela metade, apenas insinuado ou combinado com outros objetos em ao longo da carreira do pintor, muitas vezes se desfazendo rumo ao abstracionismo

Em 1972, quando estavam abrindo as loterias esportivas – e o jogo ganhava destaque nacional, Tozzi decidiu expor uma enorme pintura num local público. Era uma maneira de democratizar a arte, ainda mais num momento histórico em que a censura continuava ativa e jornais como O Estado de São Paulo  publicavam receitas de bolo ou textos do poeta português Camões no lugar das matérias que eram proibidas pelo governo.

Pintada na lateral de um prédio na Praça da República, 172, no Centro de São Paulo, a zebra, animal identificado na loteria esportiva com um resultado inesperado, foi uma forma de ironia ao período.Muitos, porém, não perceberam e achavam que uma loteria esportiva seria realmente aberta naquele edifício. 

            Em 1975, Tozzi realiza a exposição individual Cor/Pigmento/Luz, na Galeria Bonfiglioli, em São Paulo. A mostra foi quase uma representação teatral do conceito de cor. De fato, o artista sempre se preocupou com a cor, que ainda hoje é um dos principais fatores motivadores de seu trabalho.

No início da carreira, utilizava geralmente o vermelho, o azul e o amarelo, as chamadas cores primárias, pois seus trabalhos estavam ligados a placas e outros elementos urbanos, buscando uma comunicação direta com o observador. Depois, foi sofisticando, com uso do preto e do branco e, às vezes, do cinza e do verde.

A participação na Bienal de Veneza foi um momento importante na carreira de Tozzi. Ele integrou a representação brasileira no evento, um dos mais importantes do mundo artes, com 25 pinturas em tinta acrílica e óleo sobre tela. A proposta não poderia ser outra: o estudo da cor, uma das principais fascinações do artista.

            A partir de 1977, a obra de Tozzi sofre uma grande transformação visual, pois ele começa a utilizar como pincel um rolo de borracha articulado. Escolhe cenas urbanas e dá um tratamento realista à imagens, porém, com essa nova técnica, cada pequeno ponto de cor se soma aos anteriores, de modo que a cada passagem do rolo os pontos se sobrepõem. Nesse trabalho artístico e gráfico elaborado, as imagens começam a gerar novas reações no observador, sendo o tema da cidade muito presente na obra do artista paulista.

            Começam a surgir também as escadas. Elas sobem e descem mostrando a possibilidade de ir a muitos lugares, mas, na verdade, as imagens, em si mesmas, não levam a lugar algum. Criam sim um jogo fascinante, em que elas se transformam quase em labirintos visuais. Assim como a rosca do parafuso pode girar em falso, o movimento sugerido pela escada aponta para a capacidade de Tozzi de lidar com a imagem como o ponto de partida para uma pesquisa de estruturas e cores.

            Em 1977, Tozzi transfere o seu ateliê para a Rua Franco da Rocha, em Perdizes. Seu nome é cada vez mais conhecido no circuito das artes, principalmente pela capacidade aparentemente inesgotável de buscar novas soluções estéticas. Ao não se acomodar, oferece um trabalho sempre com novidades estéticas e visuais.

            Com a inauguração, em 1979, do painel Colcha de Retalhos, na Estação Sé do Metrô da cidade de São Paulo, Tozzi faz uma homenagem a essa forma de criatividade popular tão típica do interior do Brasil. O painel tem 11 variações de tons de cor e tem como referência as colchas realizadas espontaneamente por donas de casa e artistas populares de todo o País. Em 1982, a partir desse mesmo tema, apresenta, na Galeria Paulo Figueiredo, pinturas e objetos denominados Colcha de Retalhos.

            O ano de 1980 tem duas facetas importantes para Tozzi. Por um lado, apresentou a sua dissertação de mestrado na FAU-USP, com o título A obra de arte e sua multiplicidade: estudo do processo de reprodução por serigrafia. Por outro, começou uma série chamada Trópicos revisitados.

O artista se apropriou de imagens comuns ligadas à tropicalidade brasileira, como papagaios e praias com coqueiros. Após o sucesso da exposição Cor/Pigmento/Luz, queria transformar aquela representação teatral em imagens que gerassem novos efeitos.

Para isso, tomou como princípio o quadro Piquenique na ilha, uma das imagens mais famosas do pintor francês Georges Seurat, considerado o pai do pontilhismo ou divisionismo. Tozzi fez o contrário da indústria gráfica. Enquanto esta parte do cromo fotográfico e o separa em três ou quatro fotolitos coloridos que levam a um igual número de impressões para chegar a todos os tons possíveis, ele fez o contrário.

A técnica de Tossi é bem diferente do pontilhismo francês. Sua pintura é uma soma de pontos coloridos. Essas imagens apareceram no filme norte-americano Crocodilo Dundee, de 1986, dirigido por Peter Faiman, que conta a história de um pacato guia de safáris australiano (o ator Paul Hogan), que vai para Nova York e se mete em muitas confusões, numa mistura de comédia com aventura.

A imagem tropical se espalhou pelo mundo, sedo muito divulgada e reproduzida em serigrafias e outras técnicas. O sucesso foi grande e, por muito tempo, Tozzi ficou conhecido como “o pintor dos papagaios”. Logo, porém, superou o rótulo, com novas pesquisas estéticas.

            Com o passar dos anos, os quadros de Tozzi vão ficando cada vez mais abstratos e geométricos, fato que o leva até a homenagear o pintor holandês Mondrian. Muitas vezes, no entanto, ainda mantém referentes concretos e figurativos, como silhuetas de casas ou sugestões de imagens de folhas e árvores, mas a ausência da figura humana é cada vez maior, com predomínio de sugestões de escadas, muros, colunas e diferentes tipos de pisos.

            Em 1984, Tozzi realiza uma exposição individual na Galeria São Paulo, onde apresenta a série Passagem. As escadas continuam sendo o objeto concreto que carrega o conceito de ida de um lado apara outro, de um movimento do próprio olhar daquele que se coloca de frente para a tela. Nesse mesmo ano, o crítico Olívio Tavares de Araújo realiza o documentário Cláudio Tozzi, em vídeo.

            Com a progressiva diluição das imagens com correspondências concretas, a arte de Cláudio Tozzi ganha uma liberdade antes inesperada. O novo desafio está na capacidade de combinar as cores e de atingir resultados estéticos pela maneira de articular as formas com as quais o artista trabalha, geralmente em composições harmoniosas.

As experimentações de Tozzi vão se aprofundando com o passar dos anos.O desejo de articular elementos o leva a uma exploração cada vez maior do potencial de cada cor e de cada estrutura. Nesse sentido, até algo objetivo e frio como o código de barras, utilizado para identificar mercadorias num supermercado pode ganhar uma insuspeitada dimensão estética.

Os anos 1990 trazem também novos ventos para a arte de Tozzi. Em 1990, inaugura painel na Estação Barra Funda do Metrô, em São Paulo, SP, que, tanto no título como na composição, integra-se a essa estação terminal pela dinâmica de sua proposta estética. No ano seguinte, tem uma sala individual na XXI Bienal Internacional e Arte de São Paulo e, em 1992, transfere o seu ateliê para Praça Joanópolis, no bairro do Sumaré.

            Os trabalhos, na década de 1990, começam a ganhar volume e, muitas vezes, passam a sair da tela, conquistando novas texturas. Em 1993, duas ações tornam o trabalho de Tozzi mais próximo do grande público: executa um painel para o programa Metrópolis, da TV Cultura, e o Centro Cultural Itaú realiza o vídeo Cláudio Tozzi – encontro com o artista.

            A conseqüência natural de todo esse processo é uma obra cada vez mais criativa. Uma mala pode vir recheada de formas e cores ou, em meio a um jardim repleto de árvores, um pedaço de madeira é inserido, gerando um diálogo entre a criação do artista e a da natureza.

            Os espaços imaginários de Tozzi são ilimitados. Podem se fazer presentes em telas planas com escadas em vários ângulos e passagens misteriosas em diversos tons de cores ou em autênticos totens colocados em espaços públicos e feitos a partir de elementos que, se não forem coletados, degradam a natureza.

            A versatilidade e o domínio técnico do artista ficam evidenciados na diversidade do seu trabalho. É capaz, por exemplo, de realizar esculturas sem qualquer referência com um referencial concreto reconhecível, nas quais trabalha com os princípios de forma, espaço e cor e, ao mesmo tempo, cria um projeto de painel de grandes dimensões para ser colocado no Estádio do Maracanã, do Rio de Janeiro, no qual se vale de figuras como jogadores de futebol, goleiro e público.

            O desaparecimento da imagem é notório nas telas da série Chuva. Predomina o abstracionismo e o jogo entre linhas verticais e horizontais paralelas  O título pode até apontar para uma referência ao fenômeno meteorológico e a visão dele por meio da vidraça de uma janela.

Mas o mais importante está nas tonalidades de cor atingidas pelo artista, num jogo também presente em obras em que um mesmo elemento é repetido diversas vezes com pequenas diferenças, criando espaços quase mágicos em que o maior desejo do observador é verificar os modos que o artista se vale da própria capacidade de criar para sempre gerar inovações surpreendentes. 

            Fiel a sua proposta de levar a arte a locais públicos, integrando seu trabalho com a cidade, em 2000, Tozzi realizou um importante trabalho no Edifício Spazio 2222. Dando continuidade a uma maior divulgação de sua arte, foi objeto do vídeo Cláudio Tozzi: oba em evolução, elaborado pela TV Senac.

            No ano seguinte, Tozzi participou da mostra “Marginália 70 – o experimentalismo no Super 8 brasileiro”, no Centro Cultural Itaú, que passou por diversas cidades brasileiras. Também defendeu a sua tese de doutorado na FAU/USP, com o título Construção da imagem e sua relação com o espaço – o fazer do artista plástico e do arquiteto, tema que já estava presente entre as suas preocupações quando pintou, em 1972, a sua zebra num prédio da Praça da República, em São Paulo, SP.

            Para Tozzi, o estudo da estrutura da obra de arte inclui um mergulho em variáveis como sutis mudanças de tons, linhas, cortes ou interrupções na superfície. Nesse caminho, o artista muitas passa a se afastar da superfície bidimensional do suporte, trabalhando com volumes ou materiais inusitados em novas relações.

            A inauguração de um painel de 600 m2 no Edifício Exclusive na Av. Angélica, 2016, em São Paulo, Sp, é outro marco na carreira de Tozzi. A formação do arquiteto e urbanista dialoga então com a visão de mundo do artista plástico, numa criação que fascina aos que passam pela região.

            É muito interessante observar como Tozzi se distanciou fisicamente do gesto de pintar sobre a tela com a técnica obtida com o rolo de borracha de superfície reticulada. Esse passo pode ser melhor interpretado quando levamos em conta que ele começou a sua trajetória influenciado por trabalhos gráficos da histórias em quadrinhos, passando depois a trabalhar cada vez mais intensamente com mais massas de cor e menos linhas.

Assim, Tozzi desenvolveu a capacidade de lidar com a instabilidade do movimento. Estuda e explora a capacidade gráfica e até escultórica das retas, curvas e ângulos, mantendo os contrastes cromáticos, inclusive o estudo de pigmentos, uma pesquisa eterna.

Tozzi já condenou a miséria no mundo e a violência urbana, homenageou Che Guevara, tratou da conquista da lua, criticou o poder com parafusos apertando cérebros e mostrou escadas vazias em que nossos olhos agradavelmente se perdem e se encontram. Do casamento que realiza entre forma, linha e cor, resulta um trabalho mais aprimorado do espaço. Ganha, assim, espaço para imaginar, inventar e criar.

 

Oscar D’Ambrosio, jornalista, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil) e é autor de Contando a arte de Ranchinho (Noovha América) e Os pincéis de Deus: vida e obra do pintor naïf Waldomiro de Deus (Editora Unesp e Imprensa Oficial do Estado de São Paulo).

 

 

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A subida do foguete 
Guache e ecoline s/ papel - 49,1 x 49,1 cm 

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