Cid Freitas
Jogos de
cores
As cores são
o elemento plástico que mais fascina o artista Cid Freitas. É no
desenvolvimento de diversificações oriundas da exploração de brilhos e
transparências que ele atinge seus melhores resultados, utilizando
esmalte sobre cobre, uma técnica de mais de 3 mil anos de história em
que saber e acaso caminham em parceria.
Trabalhar
com diversas temperaturas, tempos de queima e pigmentos exige
paciência, associada à curiosidade do cientista e à criatividade do
artista. Essas variáveis se articulam de maneira a dar a cada peça uma
sensação de descoberta renovada, na qual a mesmice nunca se faz
presente.
Freitas, que
já teve obras expostas na 6ª Bienal Internacional da Arte do Esmalte
em Limoges – França, é um dos fundadores do Núcleo Brasileiro da Arte
do Esmalte (Nubrae) e autor da escultura Caminho, na Praça dos
Três Poderes, exposta em Araçariguama, São Paulo, SP.
Seja em suas
obras mas místicas, em que as imagens criadas parecem reportar a
universos sagrados, ou naquelas mais figurativas, o artista mantém
como elo de sua pesquisa constante a forma como busca estabelecer
jogos de cor caracterizados pelo ludismo e pelas diversas estruturas
visuais que o esmalte oferece.
Há em
Freitas a visão de um criador que não se acomoda perante soluções
fáceis. Existe nele sempre o espírito do alquimista, ou seja, da
permanente caminhada rumo a estudos mais apurados. Seu desejo, é
claro, não é o de atingir a célebre pedra filosofal, mas de explorar
ao máximo a potencialidade do material com o qual trabalha.
Oscar D’Ambrosio,
jornalista, é mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes (IA) da
UNESP, campus de São Paulo e integra a Associação Internacional
de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil).