por Oscar D'Ambrosio


 

 


Chico Tupynambá

 

            Arte como expressão

 

            O crítico Gregory Battock acredita que “a arte possa ser verdadeiramente arte e, ao mesmo tempo, divertida, recreativa e cômoda”. Tal afirmação traz implícita uma crítica ao mito, cristalizado em Van Gogh, de que o artista precisa necessariamente sofrer para criar, como se o ato de se expressar numa tela, escultura ou instalação não pudesse estar marcado pelo prazer no ato de realizar a atividade propriamente dita.

            Autodidata, o paulistano Chico Tupynambá, nascido em 9 de junho de 1962, pintou seu primeiro quadro a óleo a pedido de uma professora, aos 14 anos. Foi desenvolvendo o seu estilo, sempre dentro de uma linha de raciocínio de erros a acertos, tanto na escolha do material como na seleção de temas, e mostrando seus trabalhos quando possível como na Escola de Engenharia Mauá, onde se formou engenheiro mecânico, em 1988.

            Atualmente, seu processo de criação parte de desenhos nem programas de computação. Após numerosas experimentações sobre formas, linhas e combinação de cores, os desenhos são levados para a tela. Concretiza-se assim uma maneira de pensar a arte que tem o traço e a cor como bases, aliados a uma posterior dedicação ao aprimoramento técnico no trabalho com os pincéis.

            As vertentes plásticas de Tupynambá são numerosas. Cada uma delas possibilita, inclusive, o pensar de uma exposição. Uma das linhas de pesquisa visual mais consistente é a que se pode chamar, em linhas gerais, de “Maternidade”. Inclui, principalmente, cenas de uma mãe com uma criança no colo em diversos estilos.

            Há desde uma linha mais cubista, com influência de Picasso e Braque, a trabalhos mais gráficos, em que Leger e Matisse são nomes importantes. Inclui, também, composições mais horizontais em que a família  surge com grande força, integrando justamente a relação mãe/criança dentro de um contexto mais amplo.

            A mulher, seja ela explicitamente mãe ou não, também apresenta importância no conjunto pictórico de Tupynambá, ainda mais quando mergulha em obras de cunho mais expressionista, com pinceladas mais largas e maior liberdade de cores. Surge aí a indicação de um artista que pode realizar, em anos futuros, um trabalho em painéis, devido justamente à forma como concebe espaço, já que as telas parecem cercear seu poder de exploração do espaço.

            Cabe destacar ainda que as composições do artista ganham especial valor  plástico quando realizadas em preto e branco ou em combinações bicromáticas com a inserção de detalhes em novas cores. Surge assim um universo com menor quantidade de elementos, que convida o observador a uma visão mais atenta.

            O trabalho com as composições abstratas demanda uma progressiva pesquisa e talvez possa ser desenvolvida num estudo da técnica da gravura, que justamente propicia uma pesquisa profunda na técnica do fazer artístico que começa inclusive a reduzir a importância do aspecto figurativo da imagem retratada.

            Toda essa jornada pode – e deve – ser realizada, acima de tudo, sem peso, com responsabilidade artística, mas sem perder a vontade de expressar uma determinada visão de mundo a partir de  um conhecimento cada vez maior de telas, pincéis e tintas. Assim, as maternais mulheres de Chico Tupynambá, às vezes acrescidas de uma expressiva sensualidade gerada pelas cores e formas, podem conquistar o espaço de nosso olhar.

 

            Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, campus de  São Paulo, integra a Associação Internacional de Críticos de Artes (AICA – Seção Brasil)

           

 
 

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Família
óleo sobre tela - 60x100 cm - 2003

Chico Tupynambá

 

 

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