por Oscar D'Ambrosio


 

 


 

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Chaer

 

            A arte como motivação

 

            São numerosos os artistas plásticos que necessitam de um tema para poder desenvolver a sua poética. Precisam de um assunto que lhes serve como elemento motivador para colocar em prática uma série ou seqüência que mostra o modo de expressão de sua linguagem.

            Mauricio Chaer prescinde desse recurso. Sua forma de conceber a arte é a discussão dos materiais. Pode trabalhar com séries de santas com um sorriso à Mona Lisa de Leonardo da Vinci ou elementos mais geométricos. Não é naquilo que faz que reside o caminho de sua interpretação, mas na maneira como se dedica ao que realiza.

            Nessa concepção, o raciocínio do artista mostra bem a sua filiação a um pensamento bem contemporâneo, entendendo esta expressão no sentido de uma manifestação visual própria do mundo de hoje em termos de discussão de aspectos de uma sociedade cada vez mais fragmentada – e cuja arte mostra justamente uma multiplicidade assombrosa de recortes.

            Nascido em Uberaba, MG, em 1957, mas radicado em Mogi das Cruzes, SP, desde 1967, ele oferece pelo menos dois pensamentos relevantes em sua construção poética. Aparentemente diversos, são complementares pelo material utilizado e pela composição, que provoca um significativo impacto visual logo à primeira vida.

            Há o trabalho com restos de madeira em composições abstratas que resultam em relevos de parede com dimensões variáveis. Articulados de diversas maneiras, geralmente na vertical, parecem compor restos de uma civilização e de um naufrágio quando expostos em estado mais bruto.

            Ao serem pintados com diversas cores, principalmente as primárias e as mais quentes, oferecem painéis que trazem numerosas relações de uso das cores e aproveitamento do espaço. O mesmo recurso ganha um aspecto mais próximo da arte pop quando os fragmentos recebem sobre si tinta salpicada, à Jackson Pollock.

            Outro caminho é o que utiliza centenas de pequenos galhos para compor mandalas e outras figuras geométricas, às vezes alinhavadas com fios coloridos de lycra. Trata-se de uma obra em que o impacto visual a distância é eficaz, sendo que o desvelar da técnica torna-se visível com a proximidade num interessante diálogo entre aquilo que se realiza e o recurso material que possibilitou esse processo.

            As madeiras pintadas e os galhos constituem duas vertentes do artista. Em ambas, há um reaproveitamento do material. Nos pedaços de madeira ou de galhos que o vento derruba na terra, Chaer encontra o ponto de partida de um raciocínio visual pronto a dar novos significados a tudo aquilo que está à vista e que pode trabalhar com as suas mãos.

Esse pensamento é poético e contemporâneo. Afinal, como Duchamp ensinou, a arte não está apenas no que se faz, mas na forma de pensar e  de expor o que se faz  e, nesses dois aspectos, Chaer consegue sempre oferecer repostas próprias e criativas. Seu desafio constante está justamente no explorar a própria capacidade de refletir o que é a arte e como ele pode se servir dela para atingir o melhor resultado possível em sua incessante pesquisa pelo uso e reuso de materiais, sejam eles brutos ou já modificados pelo homem.

 

Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção Brasil).

 

 

 

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Galhinhos
forma orgânica 2,40 x 2,50 m 2007

Chaer  

 

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