por Oscar D'Ambrosio


 

 


Centralidade paulistana, de Paulo Velloso

 

            Já chamada de “pátria de heróis e berço de guerreiros”, pelo poeta romântico Fagundes Varela; e de “comoção de minha vida”, pelo escritor Mário de Andrade, a cidade de São Paulo tem sua grandiosidade arquitetônica e urbanística, principalmente a de seu chamado Centro Velho, imortalizada por artistas do passado – e também do presente.

            A sede da Reitoria da UNESP, ao se deslocar, em setembro de 2006, para a rua Quirino de Andrade, contribuiu para enriquecer a região. Se a mudança, como é comum, gera estranhamento e resistência, também oferece a possibilidade de desenvolver uma nova visão sobre os arredores.

            Foi exatamente o que o jornalista Paulo Velloso, da Assessoria de Comunicação e Imprensa da UNESP,  fez. Por meio de suas fotografias, lançou seu olhar sobre o Centro, captando beleza, poesia e mistério, obtidos por luzes e sombras, exploradas com versatilidade técnica apurada a serviço do estabelecimento da própria óptica da região.

            O ponto de partida é o mesmo pelo qual os funcionários da Reitoria passam todos os dias. A diferença está no processo de educação e sensibilização do olhar que ele cultiva. Por meio de sua lente, a harmonia das linhas e das riquezas visuais aparece. O seu talento está em captar essa delicadeza com rigor e sensibilidade ao mesmo tempo, num exercício cada vez mais raro na arte contemporânea, dominado pelo frenesi da produção em série.

            Nascido em Ribeirão Preto, SP, em 1953, Velloso comprova que a arte digna desse nome reside na capacidade de explorar ao máximo uma circunstância. Para isso, olhar arguto e técnica se combinam para observar a região sob novos aspectos, já que o desafio da arte está em nunca se repetir, atingindo respostas apuradas, que somem a emoção ao conhecimento.

            As fotografias do Centro, que incluem locais como a Biblioteca Municipal, o Teatro Municipal, palco da célebre Semana de Arte Moderna de 1922, a Ladeira da Memória e o Vale do Anhangabaú, entre outros, não podem ser considerados uma mera representação figurativa do espaço. São a construção mental e imagética de um universo de relações.

            Velloso nos transporta para a sua centralidade paulistana, com personagens anônimos, olhares desencontrados e tipos físicos de todo o Brasil. Apresenta recortes pessoais em preto e branco que captam, com lirismo, os seres humanos que habitam o Centro. O conjunto de imagens da exposição lança, enfim, um olhar pessoal que constitui, acima de tudo, um convite para que cada um percorra pela região a sua jornada, dotada do próprio encanto.

 

            Oscar D’Ambrosio, mestre em Artes Visuais pela UNESP, integra a Associação Internacional de Críticos de Artes (Aica – Seção Brasil).

 

 

 



 

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