por Oscar D'Ambrosio


 

 


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            Celina Lima Verde

 

            O mistério da sedução

 

            Tudo aquilo que a inteligência humana é incapaz de explicar ou compreender constitui um mistério. Na arte, ele se faz presente nos trabalhos plásticos que encantam justamente por propor questionamentos visuais que indagam à primeira vista e possuem o poder de obrigar o observador a parar para pensar.

            A obra de Celina Lima Verde tem exatamente esse poder. Ela tem a capacidade de explorar ao máximo o seu principal talento: a alma de desenhista e a habilidade de mesclar técnicas tanto sobre o papel como na tela. Isso significa que cada novo trabalho não é apenas uma nova imagem, mas o resultado de uma pesquisa visual e técnica.

            O grande assunto de sua poética é a sedução, entendida como um jogo de encanto e fascínio. Ela se manifesta misteriosamente de várias maneiras, todas elas unidas pelas diversas formas de ver o poder da mulher com sua carga infinita de sensualidade, expressa por alguns símbolos que a acompanham.

            A rosa, com pétalas que parecem se abrir infinitamente em tonalidades suaves, porta uma intensa carga de paixão. Sua materialidade artística é valorizada pelo mistério de cada uma estar aberta ou fechada de acordo com a composição desejada, entremeada por carimbos que alertam para a sua fragilidade e pela interferência de palavras.

            A presença de mariposas e libélulas aponta para esse mesmo significado. Há nelas o poder passageiro da beleza e uma louvação ao efêmero, pois amor e ódio trocam de lugar com rapidez e muitas vezes sem explicação. Analogamente, os papéis e telas despertam sentimentos de delicadeza, mas também de imensa força.

            Nesse aspecto, os centauros criados com aquarela e nanquim sobre papel cristalizam a ambigüidade do mistério da sedução. Com seu lado animal, possuem e conquistam; com sua parte humana, encantam, protegem e aconchegam. Apresentam a sedução que atrai, mas que também pode matar física ou psicologicamente.

Sozinhos ou acompanhados de uma figura feminina, apontam para o que Celina Lima Verde tem de melhor: uma misteriosa sedução, oriunda de aprimorada técnica e intensa sensibilidade. Eles funcionam como autênticas rosas, que fascinam pela beleza, mas deixam marcas indeléveis com seus espinhos.  

 

Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção Brasil

 

 

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 A paixão
acrílica sobre tela 80 x 60 cm 2006

Celina Lima Verde

 

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