por Oscar D'Ambrosio


 

 
 

 

Cecília Bronzoni

 

            Afinidade com os materiais

           

            Quem se depara com os quadros da artista plástica Cecília Bronzoni pode ter a impressão que o trabalho dela oferece composições a partir de casarões antigos, moradias degradadas e da oposição entre o passado de cidades metropolitanas como São Paulo e a modernidade de espaços públicos dominados por arranha-céus.

            Nada mais falso. O assunto de sua pintura pode ser esse, mas aquilo que a diferencia é algo bem distinto. O pensamento da artista se nutre da experimentação com materiais e da busca das melhores formas de transformar essa inquietação em resultado artístico.

            Pedaços de madeira, limalhas de ferro, placas de cobre, pó de mármore, fragmentos de tecido e folhas de ouro são alguns dos elementos que incorpora em suas telas. Tais recursos, somados à sua técnica de veladuras sucessivas, permite um desempenho visual plástico marcado pela construção de espaços misteriosos em que objetos são incorporados à tela para obter um diálogo com áreas texturadas. 

            O raciocínio de Cecília Bronzoni é marcado justamente pela maneira como o espatulado, a técnica de camadas e a somatória de materiais se articulam em composições marcadas pelo desenvolvimento de uma linguagem em que a forma de se chegar às imagens merece plena atenção.

            A fotografia de um casario torna-se geralmente o ponto de partida para a sua desconstrução imagética em possibilidade pictórica. A imagem inicial torna-se então o pretexto para a progressiva feitura de uma nova imagem, com elementos da primeira, sim, mas, acima de tudo, com uma preocupação com a maneira de interagir pintura com matéria.

Os quadros, de inegável impacto, tornam-se ainda mais fascinantes quando se observa a técnica utilizada e o fascínio visual que ela proporciona. Linhas horizontais e diagonais, reforçadas pelo movimento da espátula contribuem para que as casas mostradas ganhem vida. Técnica e materiais são articulados mostrando que seu grande tema não é a deterioração da cidade, mas as possibilidades da pintura em si mesma como campo de experimentação para reinventar a visão estereotipada que se tem do mundo.

 

Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção Brasil).

 

 

 

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Perseverança

técnica mista - 128 x 90 cm - 2005

Cecília Bronzoni

 

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