Cássio Lázaro
A arte dos
amassados
Observar a
sabedoria das composições visuais presentes na natureza é o ponto de
partida de boa parte das criações do artista Cássio Lázaro. Seja
numa folhagem ou num papel amassado, ele consegue ver aquilo que é
fundamental para um escultor: a tridimensionalidade e a
possibilidade de levar esse pensamento para uma ação plástica.
Ao tratar
o tema erotismo, o artista mineiro utiliza a técnica que lhe deu
mais notoriedade: o chamado “amassado”. Trata-se, na verdade, do uso
consciente da marreta sobre o aço para conseguir os mais variados
efeitos de curvas, reentrâncias e dobras
A
escultura é, de fato, um exercício plástico em que a figura central
pode até ser vista como uma enorme vagina, idéia enfatizada pela
presença do vermelho, cor do erotismo. Uma visão mais detalhada, em
360º, porém, permite compreender a obra como uma metáfora das
possibilidades infinitas do amor em seus altos e baixos.
O artista,
com seus amassados estéticos, consegue transmitir um dos paradoxos
do amor: embora seja tempestuoso em certas ocasiões, quando sincero,
resulta em relações de sublime lirismo. Assim é a escultura de
Cássio Lázaro: vale-se da força no ato da criação, mas é bela e
poética em seu resultado final.
Oscar D’Ambrosio,
jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da
Unesp, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-
Seção Brasil).