por Oscar D'Ambrosio


 

 


 

Carlos Herglotz

 

            Pensamento visual de matriz popular

 

            Uma das principais dificuldades no estudo dos artistas chamados de primitivistas, ingênuos ou naïfs é mergulhar no forte vínculo que existe entre aquilo que pintam e o que são.  Suas obras estão intrinsecamente ligadas com seus pensamentos e com a forma como plasmam o mundo.

            Nascido em Taubaté, SP, em 24 de julho de 1959, Carlos Herglotz retira de suas  impressões e lembranças a matéria-prima das imagens que percorrem a sua pintura. Sua simplicidade e encantamento decorrem da maneira como dá forma aquilo que viu e sentiu.

            A matriz de seu trabalho é inegavelmente popular. Isso se confirma pelo seu fazer de artesão e envolvimento em projetos e ações de valorização dos saberes tradicionais do povo, pois é neles que visualiza a possibilidade de uma sociedade melhor. É no saber do povo que reside um Brasil rico em possibilidades de interpretação do real marcadas pela criatividade.

            O assunto em si mesmo não importa muito quando se observa a pintura de Herglotz. O fascínio de suas obras está em verificar as soluções visuais que apresenta. Isso é muito marcante nas paisagens, caracterizadas pelo lirismo e delicadeza geralmente em planos bem abertos, como faziam alguns mestres italianos.

            A maneira de retratar o Convento de Santa Clara, em Taubaté, SP, merece referência especial. O edifício, fundado em 1673 por frades franciscanos, situado num ponto elevado da cidade, ganha uma admirável atmosfera metafísica graças ao tratamento dado ao entorno.

            Algo análogo ocorre com as imagens de Ubatuba. A paixão pela natureza do local e seus arredores pode ser visualizada na composição dos elementos selecionados. Está ali um olhar seletivo que compartilha com o observador, de maneira íntima, carinhosa e companheira, as imagens escolhidas para serem representadas.

            Ao desenvolver seu estilo, Carlos Herglotz expressa a sua sincera visão de mundo e constrói uma poética sutil. Recupera assim no próprio trabalho os saberes que tão bem conhece e pesquisa em busca da autenticidade de cada artesão brasileiro de matriz popular que estimula.  

 

            Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da UNESP, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção Brasil).

 

 

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 Imaginário Caiçara, Ubatuba
acrílico sobre tela 70 x 50 cm 2007

Carlos Herglotz

 

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