por Oscar D'Ambrosio


 

 


Carlo Cury

 

            A arte que indaga

 

            Existem artistas que desenham baseados na linha e os que precisam de massas de tinta para realizar o seu trabalho. Alguns preferem a superfície, enquanto outros só se satisfazem com o volume. Há ainda aqueles que dedicam a sua carreira a realizar uma interminável pesquisa das potencialidades dos materiais e das próprias possibilidades de expressão.

            O artista plástico Carlo Cury pertence a esse último grupo. Nascido em Piraju, interior de São Paulo e formado em Arquitetura, desde criança exerceu, com menos consciência do que agora, a função de criar. O desenho era mais que uma diversão, mas uma forma de se relacionar com o mundo.

            Em seu trabalho plástico, Cury fala a linguagem das transparências. A tinta surge em camadas finas e todo excesso é tirado em busca da expressão mais precisa. Trata-se de um diálogo com os materiais constante, que permite inúmeras possibilidades, seja pela adição ou pela subtração de materiais.

            No primeiro caso, folhas de prata ou pedaços de camisa são adicionados à tela. As colagens são elementos quase sempre presentes, de forma mais ou menos explícita. Assim, cada trabalho estabelece uma relação com o universo que extrapola a tela e se relaciona com o interior de cada observador.

            Com o segundo recurso, a subtração, a tela pode ser recortada, furada ou raspada. As transparências já mencionadas chegam ao extremo, pois surge o jogo entre as texturas e camadas de tinta e a ausência do suporte. Nascem assim elos entre  ter/não ter e ver/ser visto.

            O resultado dessa técnica, além do ludismo, é uma obra desafiadora, que parte de uma temática para explorar a potencialidade dos materiais. A  recusa a soluções simplistas é uma constante e exige grande humildade de Cury perante aquilo que deseja trabalhar. Por isso, a pesquisa surge como prática constante.

            Cada tela é um exercício, uma somatória de forças interiores em nome de uma pesquisa em que a cor assume grande relevância. Estruturas geométricas ganham destaque, mas não significam falta de humanidade ou dureza de composição. Pelo contrário, são uma linguagem que o artista explora ao máximo.

Na busca perene de um universo colorístico regido pela delicadeza, pelo diálogo construtivo e pela responsabilidade criativa perante o mundo e perante si mesmo, Carlo Cury mantém a procura da qualidade como norte de sua prática artística e existencial. Daí surgem telas que indagam com a precisão de uma lâmina afiada e encantam com o refinamento da nobre seda.

 

            Oscar D’Ambrosio, jornalista, é mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes (IA) da UNESP, campus de São Paulo e integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil). É autor, entre outros, de Contando a arte de Peticov (Noovha América) e Os pincéis de Deus: vida e obra do pintor naïf Waldomiro de Deus (Editora Unesp e Imprensa Oficial do Estado de São Paulo).

 

 

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Soma de forças

120 cm x 70 cm técnica mista sem data

Carlo Cury

 

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