|
|
-
POSSIBILIDADES DE
PARCERIAS ENTRE BRASIL E HOLANDA
INTRODUÇÃO
HISTÓRIA
INFLUÊNCIA
LITERATURA COLONIAL
PÚBLICO DE
LEITORES
QUANTOS LÊEM
QUEM
LÊ
BAIXAS
TIRAGENS
PRODUÇÃO ELITIZADA
VALOR
SOCIAL DA
LEITURA
PERSPECTIVAS
LIVRARIAS
FREQÜÊNCIA DAS
LIVRARIAS
DISTRIBUIÇÃO DO
LIVRO
MERCADO
LIVREIRO
CONCENTRAÇÃO DE
MERCADO
TIPOS DE
EDITORA
SITUAÇÃO DO
MERCADO
PREÇO
POLÍTICAS PÚBLICAS
INSTITUIÇÕES
Academia
Brasileira
Câmara
Brasileira do
Livro
BIENAIS DO
LIVRO
Bienal
Internacional de
São Paulo
Bienal do
Rio de
Janeiro
Bienal
Internacional do
Livro de Pernambuco
Bienal do
Livro de
Minas
Bienal
Internacional do
Livro do Ceará
Bienal
Nacional do
Livro de
Natal
Bienal do
Livro
São José do
Rio
Preto
Bienal
Nacional do
Livro da Paraíba
AVALIAÇÃO DAS
BIENAIS E
FEIRAS DO
LIVRO
Festa
Literária
Internacional de Paraty (Flip)
Festival
Internacional de
Poesia –
Dois
Córregos
Festival da Mantiqueira –
Diálogo
com a
Literatura
ROMANCES TRADUZIDOS
EM PORTUGAL
LIVROS HOLANDESES NO BRASIL
AUTORES HOLANDESES
QUE MERECEM
TRADUÇÕES
PANORAMA DA
PRODUÇÃO
BRASILEIRA
CONTEMPORÂNEA
História de uma
espera
Traição:
um
jesuíta a
serviço do Brasil holandês
Guerra,
açúcar e
religião no Brasil dos holandeses
Provos:
contracultura
em Amsterdam
PROJETO
BILÍNGÜE
COPA DA
LITERATURA
BRASILEIRA
POESIA
BRASILEIRA
CONTEMPORÂNEA
NOVAS
MÍDIAS
SITES
BRASILEIROS NA HOLANDA
BLOGS
LITERATURA E
ARTES
VISUAIS
Johann
Gütlich
George
Gütlich
LITERATURA E
CINEMA
CINEMA E
OFICINA
LITERÁRIA
CONVÊNIO
SÍNTESE DAS
SUGESTÕES
O
AUTOR
POSSIBILIDADES DE
PARCERIAS BRASIL – HOLANDA
INTRODUÇÃO
As ligações culturais
entre a Holanda e o Brasil provêm do século XVII com a presença
holandesa no Nordeste que deixou muitas marcas históricas. Atualmente a
Holanda é um dos principais poderes econômicos da Europa. Também é um
dos maiores investidores estrangeiros no Brasil, mas, apesar da forte
presença de empresas holandesas no Brasil, como a Shell, ABN-AMRO,
Philips e C&A, existe no país uma falta considerável no que diz respeito
a pessoas que dominam a língua e conhecem a cultura holandesa.
Outro
fator a
ser
levado
em
conta na
aproximação
entre a Holanda e o Brasil é
que,
embora
entre 1819 e 1940 tenham entrado no Brasil
4,8
milhões de
imigrantes – 60% deles no
Estado de
São Paulo –, a
colônia holandesa é
muito
pequena. Os
pioneiros
imigrantes holandeses
mais formalizados
que se têm
notícias no
século XX chegaram a
terras brasileiras
apenas
em
maio de 1948.
Em
São Paulo,
por
exemplo, a
capital cultural do
País, contam
apenas
cerca de 5
mil
pessoas, concentradas no
Bairro do
Jardim
Paulista.
HISTÓRIA
A
relação
entre Brasil e Holanda,
portanto, tem
suas raízes no
período colonial.
Por duas
vezes, na Bahia (1624 a 1625) e
em Pernambuco (1630 a 1654), os holandeses
tentaram
fixar
residência no Brasil, fundando
fortificações,
cidades,
museus e
centros de
ciência e
arte. Gerou-se
até
um
sentimento de
que
eles teriam sido
melhores colonizadores
para o Brasil
que os portugueses.
Essa
hipótese
nunca será verificada,
mas, de
qualquer
modo, a
miscigenação de holandeses
com
índios,
mamelucos,
mulatos e
negros, geraram os
olhos
verdes de boa
parte dos
imigrantes de
origem nordestina,
principalmente
pernambucana
que vivem
hoje
em
São Paulo.
O
local
onde a
cultura holandesa é
melhor lembrada está no
interior do
Estado de
São Paulo, no
centro de
cultivo de
flores chamado Holambra,
que se tornou
cidade
em 31 de
dezembro de 1991,
com uma
denominação
que
mescla Holanda, América e Brasil. O
lugar é
responsável
por
significativa
parte da
exportação
nacional de
flores e recebe
mais de 200
mil visitantes a
cada
ano.
INFLUÊNCIA
Embora fracassada, a
tentativa da Holanda de se
estabelecer no Brasil no
Nordeste, deixou
um
importante
resquício arquitetônico: as
pontes e os
canais de
Recife,
que marcaram a
presença holandesa no Brasil. Os holandeses
também
são mencionados na
literatura de
cordel, nas
tradições
ligadas ao
ciclo
açucareiro e
em
elementos de
confeitaria e
laticínios.
Poucos
sabem
ainda
que
uma
palavra
de
uso
comum
no Brasil tem
sua
origem
na Holanda. O
vocábulo “gás”,
ao
contrário
do
que
muitos
pensam,
não
vem do
alemão,
mas
da Holanda, sendo
cunhado
a
partir da
palavra
“caos”,
no
começo
do
século
XVII,
pelo
químico
flamengo
Jan Baptista
van
Helmont.
SUGESTÃO
1
Fomentar o
ensino
de
língua
holandesa no Brasil.
Isso
pode
ser
feito,
por
exemplo,
por
intermédio
de Michel Armand Koopmans. Radicado no Brasil
desde 2006,
após
terminar o
mestrado
em
língua e
cultura portuguesa na
Universidade de Utrech,
natural de Den Helder,
ele emigrou
em 2006
para o Brasil. Estudou
língua e
literatura holandesa na
Universidade de Amsterdã
entre 1998 e 2000.
Em Portugal, estudou
língua portuguesa na
Universidade do
Porto (2001) e na
Universidade de Coimbra (2003).
Em 2004, passou
um
semestre estudando na
Universidade
Federal do
Rio de
Janeiro, na
área de
Letras Vernáculas.
Professor de holandês formado
pelo
instituto de
línguas IPFEL, no
Porto,
em 2002, tem ministrado
aulas
particulares e
em
grupo do
idioma
desde
então. Reside no
Rio de
Janeiro.
Contatos: (21) 2570 3605 e (21) 9981 8557
ou
pelo
e-mail:
makoopmans@gmail.com
LITERATURA COLONIAL
O
fato é
que a
literatura holandesa é
pouco
conhecida no Brasil,
pois poucas
obras foram traduzidas.
Isso se
torna
mais
premente
em
relação aos
textos dos
primeiros
viajantes
que acompanharam Maurício de Nassau
quando da
invasão holandesa no
Nordeste
brasileiro.
Entre
eles, estão Marcgrave,
Piso e Laet, dos
quais
não se
encontra
edições
em
língua portuguesa.
Cabe
pontuar
que, na
introdução do
livro Olinda conquistada, do
Reverendo Baers, o historiador Alfredo de
Carvalho afirma
que “nenhuma
fase da
história
nacional possui
tão
abundante
literatura
como o atribulado
período da
dominação holandesa no Brasil
Oriental”.
Ele acrescenta
ainda
que G. M. Asher relaciona, no
seu A bibliographical and historical
essay (1854),
mais de 200 publicações
referentes ao Brasil,
que encontrou na
seção denominada Bibliotheca Duncaniana da
Real
Biblioteca da Haia. Informa
ainda
que “continuamente se descobrem
novas
espécies
que escaparam ao
operoso
investigador”.
Outro
dado
relevante é
que a historiografia do
período da
invasão holandesa (1630-1654) é
um dos
mais
vastos dos
cinco
séculos da
História do Brasil,
segundo o historiador José Honório
Rodrigues,
autor de Historiografia e
bibliografia do
domínio holandês no Brasil (Rio
de
Janeiro:
Instituto
Nacional do
Livro;
Departamento de
Imprensa
Nacional, 1949).
Ressalte-se
que a
grande
maioria dos relatos produzidos
por holandeses
sobre o Brasil está focada unicamente ao
período
conhecido
como a
Segunda
Invasão Holandesa,
ou seja, a ocorrida
em 1630,
em Pernambuco.
Sobre a
primeira, a de 1624, na Bahia, o
único
documento
que
resta é
um
pequeno
texto do holandês João Gregorio Aldenburck.
Intitulado Relação da conquista
e perda da cidade de Salvador, foi publicado originalmente em
Coburgo, cidade natal do escritor, em 1627. A vida do autor é um
mistério, pois sabe-se apenas que iniciou seus estudos na Universidade
de Iena, mas não os concluiu, já que preferia o mundo das aventuras ao
dos estudos.
Em 1623, Aldenburck alistou-se na
expedição de
invasão do
solo
brasileiro,
que se deu no
ano
seguinte.
Ele participou da
ocupação de
Salvador,
então
capital da
colônia, e escreveu
sobre os
hábitos e
costumes
que
via. Ao
voltar
para a Europa
com a
expulsão dos holandeses, o
aventureiro
escritor junta-se ao
exército do
rei Cristiano IV, da Dinamarca,
para
lutar na
Guerra dos Trinta
Anos. Permanece
em
combate
por
quatro meses, retornando
para
onde nasceu
com o
objetivo de
publicar
sua
jornada no Brasil.
O
esforço valeu a
pena. O
texto foi incluído
nos
grandes
livros publicados na Alemanha
sobre
jornadas e
aventuras.
Em 1634, ocorreu a
tradução ao
latim e
somente
em 1930 foi realizada
sua
reedição.
Em 1938 Clemente da Silva Nigra, no
volume 26 dos
Anais do
Arquivo
Público da Bahia, publicou
pela
primeira
vez
em
português uma
tradução
parcial desta
obra.
No início do século
XXI, coube ao poeta Florisvaldo Matos cantar, num tom épico-lírico,
versos sobre a invasão holandesa à baía de Todos os Santos. O material
está disponível no volume Mares anoitecidos (Imago Ed./ FCBa,
2000).
SUGESTÃO 2
Elaborar
um
projeto de
tradução da
literatura dos
viajantes portugueses
que vieram ao Brasil
com Maurício de Nassau.
Isso pode se
tornar numa
coleção
com
edições
anuais,
por
exemplo. A
fonte
primordial está na
seção denominada Bibliotheca Duncaniana da
Real
Biblioteca da Haia.
PÚBLICO DE
LEITORES
Qualquer
tentativa de
realizar
parcerias
entre Brasil e Holanda na
área
literária exige
um
melhor
entendimento do
mercado de
livros. É
animador
verificar
que,
nos
últimos
anos, o Brasil comemora a
queda
crescente dos
índices de analfabetismo e
que a
Associação
Nacional dos
Livreiros constatou
que, de 2006
para 2007, a
venda de
livros cresceu 15% motivada
principalmente
pelos
novos e
jovens
leitores.
Os
principais
motivos desse
aumento seriam, ao
que
tudo indica, a
isenção de
alguns
impostos
sobre o
livro e o
maior
poder aquisitivo das
classes C e D,
que passaram a
comprar
mais
livros,
principalmente
para as
suas
crianças. Soma-se a
isso
que
muitos
colégios terminaram
com a
prática de
que
todo
mundo
tinha
que
ler o
mesmo
livro. O
estímulo a
que
cada
estudante leia o
que
deseja, ao
que
tudo indica, aumentou a
vontade de
ler.
Segundo
pesquisas patrocinadas
pelo
Sindicato
Nacional dos
Editores de
Livros (SNEL –
http://www.snel.org.br),
Câmara
Brasileira do
Livro (CBL –
http://www.cbl.org.br)
e
Associação
Brasileira dos
Fabricantes de
Papel e
Celulose (http://www.bracelpa.org.br),
o
público de
leitores, no Brasil,
chega a 26
milhões de
pessoas.
Esse
número é equivalente aos
leitores somados de Espanha e Portugal,
ou 11% a
mais do
que os
leitores existentes na França. Parece
muito,
mas representa
apenas 30% dos 86
milhões de
leitores
em
potencial (pessoas
com
mais de 14
anos,
que
são alfabetizadas,
segundo os
dados do IBGE) existentes no
país.
Desses 26
milhões de
pessoas
que afirmam se
interessar
pela
literatura,
apenas 17,2
milhões têm
acesso
efetivo ao
livro; e
nove
milhões de
pessoas
não lêem
porque
não têm
dinheiro
para
gastar
com
livros
ou moram
em
cidades
onde
não existem
livrarias e
bibliotecas.
Entre os
que vivem
nos
grandes
centros metropolitanos, os
motivos alegados
para
não
ler
são
falta de
tempo e
dinheiro.
QUANTOS LÊEM
Um
dado preocupante é
que,
segundo a CBL,
apenas 25% dos
brasileiros,
com
idades
entre 15 e 64
anos, têm
habilidade
plena de
leitura.
Dentro da
mesma
faixa
etária, 8%
são
analfabetos
absolutos; 30%,
capazes de
entender
informações
simples; e 37% lêem e entendem
textos
curtos.
Outro
dado é
que 74% dos
pais
ou
responsáveis
por
estudantes
brasileiros
nunca
ou
raramente lêem
livros e,
enquanto na França
cada
habitante
lê,
em
média,
sete
livros
por
ano, no Brasil o
número é de
apenas 1,8.
Se
por
um
lado, o
mercado
livreiro está
crescendo, no
Programa
Internacional de Avaliação de
Alunos (Pisa),
que mediu o
desempenho de 250
mil
estudantes de 15
anos
em 32
países, os
brasileiros ficaram
em
último
lugar. O
aumento do
consumo do
livro,
portanto,
não está
associado a uma
elevação do
padrão e da
qualidade da
leitura. A
esperança está, nessa
linha de
raciocínio, no
investimento no
segmento do
público
infantil.
QUEM
LÊ
Entre os leitores
efetivos,
aqueles
que lêem ao
menos
um
livro em três meses, 51% são homens contra
49% de mulheres. Eles chegam a 30% dos
letrados,
algo
como 25,8
milhões de brasileiros, com destaque para
os grupos
mais
jovens,
mais
letrados e
mais endinheirados.
Entre
pessoas
com
curso
superior, o
livro é
presença
quase
quatro
vezes
mais
comum
que
entre os
brasileiros
cuja
referência
escolar se situa
entre a 1ª e a 4ª
série do
ensino
fundamental.
Situação
similar ocorre
quando se comparam os
mais
ricos aos
mais
pobres: a
presença do
livro é
quase
três
vezes
superior
entre os
primeiros. A
conclusão é
evidente:
quanto
mais freqüenta o
banco
escolar,
mais o
cidadão necessita de
leitura.
Escolaridade,
nível
socioeconômico e
até
hábitos dos
pais influenciam na
formação de
leitores.
Por
isso, o Brasil tem de
melhorar as
condições de
acesso ao
livro se quiser
multiplicar
sua
base de
leitores. Aproximadamente 47% dos
entrevistados têm no
máximo
dez
livros
em
casa, e o
número de
exemplares
que repousam
sobre a
estante de
dois
terços dos
brasileiros
não
passa de 25.
Esse
dado
precisa
ser
cruzado
com a
informação de
que, no Brasil, o
acesso
gratuito ao
livro é limitado. A
rede
pública de
bibliotecas
ronda
hoje as 4.600
unidades -
menos de uma
biblioteca
por
município,
segundo
números da
Secretaria do
Livro e da
Leitura do
Ministério da
Cultura (http://www.cultura.gov.br).
E caberia a
ela
irrigar uma
vastidão de
potenciais
leitores das
classes
mais
baixas.
Para
isso, é
indispensável
ampliar e
renovar o
acervo
constantemente.
SUGESTÃO 3
Um
caminho
para
difundir a
literatura holandesa é
verificar a possibilidade de
editar
alguns
textos
importantes,
preferencialmente voltados
para os
jovens, e distribuí-los
gratuitamente pelas
bibliotecas públicas. Uma
tiragem de 5
mil
exemplares
em
edição de
bolso seria recomendável.
BAIXAS TIRAGENS
Existem
dois Brasis
que se refletem no
mundo do
livro: uma
elite sofisticada,
com
índices de
leitura
semelhantes aos do
Primeiro
Mundo, e
um
grande
contingente de
pessoas
mal alfabetizadas,
que
não lêem
pelos
mais
diversos
motivos. Desse
modo, conclui-se
que o
livro interessa e atinge
apenas a uma
pequena
faixa da
população.
O
livro,
enquanto
produto, no
entanto,
só se
torna competitivo se tiver uma
ampla
tiragem. A
média no Brasil é de 2
mil
exemplares
por
edição.
Com
poucos
pontos de
distribuição e
desaparecimento de
pequenas
livrarias, a possibilidade de
fazer uma
grande
tiragem é reduzida. A
conseqüência é o
aumento do
preço do
livro.
Nas
grandes
cadeias livreiras,
por
exemplo,
livros de
pequenas
editoras –
que
não dão
retorno
comercial, não
são
nem aceitos. O
mercado tende
assim a
virar a
indústria do best seller,
em
que os
livros de
venda
lenta, de
autores
mais sofisticados, encontram
cada
vez
menos
espaço. A
preservação das
pequenas
livrarias, nesse
universo,
não é
romantismo,
mas
preocupação
com a
pluralidade e
diversidade de
títulos, de
características, de
idéias e de
pequenos
editores.
PRODUÇÃO ELITIZADA
Portanto, as tiragens
são
baixas, e o
custo
unitário é alto. Com baixas vendas, as
tiragens continuam baixas e a produção se
elitiza. Em paralelo, há
centenas de
cidades brasileiras
onde os
possíveis
leitores
não encontram
sequer
um
local
onde possam pegar emprestado ou comprar
livros.
Sendo o
livro
visto
como
algo
caro e
supérfluo, a
biblioteca
pública, desempenharia
um
papel
fundamental na
sua popularização,
pois significa
exemplares
gratuitos na
mão do
povo e o
acesso
efetivo do
público de
baixo
poder aquisitivo ao
hábito da
leitura.
VALOR
SOCIAL DA
LEITURA
Embora uma
parcela de 60
milhões de
brasileiros
letrados
não tenha
tempo,
dinheiro
ou
vontade de
ler
livros, 89% deles reconhecem
que a
leitura é
importante e pretendem
incentivar os
filhos a
ler. O
investimento
nos
novos
leitores é,
sem
dúvida, o
caminho do
futuro.
Entre as
idades de 14 e 19
anos, 45% dos
brasileiros lêem
regularmente,
um
índice
que cai
progressivamente
em
função da
idade,
já
que
apenas 24% mantêm o
hábito
quando passam dos 40
anos.
Isso tem
certamente
relação
com o
fato de os
índices de
permanência e
aprovação nas
escolas públicas aumentaram
muito
nos
últimos
dez
anos.
Um
complicador é
que
parte dos
jovens alfabetizados,
conforme foi ressaltado, não
consegue
compreender
frases longas,
embora decifre o
significado isolado das
palavras.
Afinal,
saber
ler
não é
suficiente
para ter-se
familiaridade
ou
convívio
permanente
com a
leitura.
Não
basta,
portanto,
ter
novos alfabetizados se
eles
apenas assinam o
próprio
nome e lêem
frases curtas.
PERSPECTIVAS
A informação que 61%
dos brasileiros associam a
leitura ao prazer é animadora, assim como a
de que 62% lêem livros, com maior
ou
menor freqüência. Isso equivale a dizer
que
cerca de 53,3
milhões de
pessoas leram
ou consultaram
algum exemplar. Esse último percentual em
Portugal é de 53%.
Haveria
então
um
enorme
mercado a
ser explorado,
pois
apenas 20% dos
brasileiros foram
responsáveis
pela
compra,
em
média, de 5,92
livros não-didáticos
por
ano. Restaria,
portanto,
atingir os
demais 80% de
brasileiros
que lêem,
mas
não consomem. Essa
tentativa vem sendo
feita
com a
entrada no
mercado
brasileiro de
grandes
empresas espanholas.
Dados
como
que 78% apreciam o
livro e 89% vêem nele
um
meio de
transmissão de
idéias devem, no
entanto,
ser
vistos,
com ressalvas,
pois existe
um
poderoso
estereótipo de
que
ler é
positivo.
Isso pode
levar as
pessoas a
dizer,
em
pesquisas,
que lêem
apenas
para
passar uma
imagem
socialmente
favorável. De
qualquer
modo, haveria nelas – o
que é
positivo – uma represada
vontade de
ler.
LIVRARIAS
A
partir dos
dados de distribuidoras, sabe-se
que o
número de “pontos
de
venda” no
país ultrapassa os 2.200, sendo
pelos
menos 1.800 deles
livrarias,
ou seja,
espaços
comerciais
que dedicam ao
livro uma
atenção
prioritária
ou
muito
significativa. A
metade fica no
Estado de
São Paulo,
cuja
capital tem aproximadamente 200
livrarias, vindo
depois o
Estado do
Rio de
Janeiro,
com 150
livrarias.
Isso comprova
que o
mercado
editorial se concentra na
região
Sudeste do
País.
Esse
dado,
todavia, diz
pouco
em
termos
absolutos. O
que
conta é
saber quantas
pessoas uma
livraria serve
em
média. No Brasil, uma
livraria atende,
em
média, 84.500
pessoas,
enquanto, na Argentina,
por
exemplo,
esse
dado
beira a 50
mil
pessoas e,
nos EUA, 15
mil.
Além disso,
cidades
com
quase
cem
mil
habitantes
não têm nenhuma
livraria
ou
bibliotecas decentes.
Enquanto
São Paulo se caracteriza pelas
grandes
livrarias,
como a
Cultura
ou a Fenac, o
Rio de
Janeiro tem
seu
ponto
forte
com
numerosos
locais de
grande
qualidade,
mais
alternativos,
como a Leonardo da Vinci, a
Padrão, a
Argumento, a
Letras e
Expressões, a
Timbre, a Malasartes, a Dantes e a
Travessa do
Centro.
A
questão
financeira é
complexa. O
livro
não é
simples de
ser trabalhado.
São 20% da
produção
que sustentam os
outros 80%. Uma
livraria existe se consegue
trabalhar
esses 20%,
que
são os
livros de
venda
rápida,
aqueles
que
quando vai
ser
paga a
duplicata da
editora, o
dinheiro da
venda
já está
em
caixa.
Com os
outros 80%, o
pagamento é
feito
com o
título
ainda na
estante.
As
editoras ganham,
em
síntese,
cada
vez
mais
sobre
cada
vez
menos
livros. A
saída
para a
sobrevivência,
em
consonância
com a
situação, vem sendo
investir
onde o
retorno parece
menos
frágil,
ou seja,
publicar os
medalhões consagrados;
apostar
em
autores
internacionais e,
assim,
atrofiar
cada
vez
mais a boa
literatura
que se faz no Brasil.
FREQÜÊNCIA DAS
LIVRARIAS
Os
números
sobre a
distribuição de
livros indicam,
ainda,
que a
demanda
por
leitura
não é
sólida o
bastante
para
permitir
livrarias
capazes de se
sustentar
por
todo o
País.
Um
problema
para
isso seria
que o
mercado
livreiro está
privado de
um
segmento de
grande
importância
econômica,
responsável
pela
criação de
novos
leitores: os
livros
didáticos, vendidos
diretamente pelas
editoras ao
Estado.
É
possível,
por
exemplo,
que uma
pessoa
que tenha começado a
ser alfabetizada
em
escola
pública na
década de 1990
nunca
não haja entrado numa
livraria
até a
pós-graduação,
pois, a
partir do
ensino
fundamental na
escola
pública,
ela recebe
diretamente do
governo os
livros de
cada
ano
letivo, incluindo-se
aí não-didáticos,
como
por
exemplo
clássicos da
literatura e infanto-juvenis.
Se o
ensino
médio for realizado numa
escola
particular,
isso
não
muda
muito,
pois é
cada
vez
mais
comum
comprar os
livros
necessários na
própria
escola. As
editoras negociam
diretamente
com as
instituições de
ensino
preços
mais
baratos
para
grandes remessas.
Na
preparação
para o
vestibular, o cursinho oferece
apostilas de
português,
física,
literatura
ou
qualquer
outra
matéria
com o
preço das
mensalidades. Na
faculdade, seja
graduação
ou
pós-graduação, a
principal
fonte de
leitura
são
capítulos fotocopiados de
livros e
apostilas customizadas. Ao
concluir os
estudos,
portanto, essa
pessoa,
com
cerca de 30
anos,
nunca precisou
entrar numa
livraria,
onde
são vendidas as
obras de
literatura.
DISTRIBUIÇÃO DO LIVRO
A distribuição é uma guerra diária
de todos contra todos. Grandes editoras compram espaços nas livrarias e
convivem com uma alucinante rotatividade de lançamentos. As editoras
médias, por sua vez, precisam dar descontos elevados para conseguir que
os seus livros fiquem nas lojas. Quanto às editoras pequenas, só
conseguem algum espaço, mínimo, se tiverem acordo com uma distribuidora,
que pode até ser uma editora ou um grupo de editoras ou, ainda, apenas
distribuidora.
Nesse
contexto, a
principal
dica
para os
novos
autores é
utilizar a
internet
para
divulgar o
seu
trabalho e o
seu
nome. Se quiser
realmente
ter o
seu
livro
impresso,
tentar
editoras
grandes num
primeiro
momento trata-se
geralmente de
jornada
infrutífera.
É
melhor
buscar
formas de
parceria
com
editoras
médias
ou
pequenas
que tenham
canais de
distribuição apresentados de
forma
transparente. Se houver
resposta
positiva
comercialmente, haverá
também alguma
visibilidade, e os
olhos das
grandes
editoras poderão se
voltar
para a
direção dele.
SUGESTÃO 4
Se a
idéia é
divulgar a
literatura holandesa no Brasil
em
livrarias
comerciais, é
preciso
elaborar uma
estratégia
que
não
leve
em
conta
apenas a
produção do
livro,
mas,
principalmente, a
sua
distribuição. Torna-se
essencial
pensar
como
esse
livro pode
chegar aos
mais
jovens. A
decisão
mais
sábia parece
ser
trabalhar
com
material de
baixo
custo e
ampla
tiragem. A
busca de
temas adequados
para
esse
público
também é
fundamental.
MERCADO LIVREIRO
Comprando
direto das
editoras, o
governo
federal
retira das
livrarias a
venda de
cerca de 25% de
toda a
produção de
livros. Ocorre
ainda a mencionada
venda
direta dos
livros às
escolas
feita pelas
editoras e a
compra
direta nas
editoras dos
livros
para as
bibliotecas. Esses
três
fatores
associados impedem o
crescimento das
livrarias no
País.
A
Câmara
Brasileira do
Livro encomendou
um
estudo
que
mostra
um
cenário
hipotético
em
que a
metade das
compras do
governo é
feita na
rede de
livrarias brasileiras.
Isso,
em
cinco
anos, levaria a
quintuplicar o
número de
pontos de
venda de
livros.
Se compararmos o
mercado
livreiro do Brasil
com o de
outros
países,
um
detalhe
chama a
atenção: o Brasil tem o
terceiro
programa
governamental de
compras de
livros do
mundo,
com aproximadamente 176
milhões de
exemplares adquiridos
por
ano.
Apenas China e EUA têm
programas
mais
generosos
que o do
governo
brasileiro.
Outro
dado preocupante é o
baixo
consumo da
população,
pois o
volume de
compras do
brasileiro equivale a
apenas 30% dos
americanos e 34% dos chineses.
CONCENTRAÇÃO DO
MERCADO
O
mercado vive
ainda uma preocupante
concentração. As
grandes
cadeias conseguem das
editoras
vantagens
muito
superiores às das
livrarias
independentes. Uma
pequena
fatia de 3% é vendida
com
desconto,
mas é
justamente o
que dá
mais
retorno
para os
livreiros e
editores: os
best-sellers.
Com
mais
vantagens, as
cadeias conseguem
dar
descontos ao
consumidor
final, gerando
tráfego nessas
lojas e diminuindo o
retorno das
livrarias
menores. Além disso, os mencionados
descontos geram preços
médios
maiores
para o
conjunto dos
livros ofertados, reduzem os estoques e,
por conseqüência, a
variedade de
títulos
em
cada
livraria.
Enquanto as
editoras buscam
um
retorno
médio
entre os
best-sellers e os de
venda
mais
lenta, nas
grandes
cadeias livreiras impera o
best-seller de
giro
rápido. O
modelo de
negócio do
mercado
editorial
brasileiro funciona,
portanto,
com
base no
prazo e
nos
descontos
dados
pelos
editores aos
livreiros,
que
não contam
com outras
fontes de financiamento.
Um
caminho
possível é
recolocar as
livrarias no
circuito das
compras
governamentais
para
escolas e
bibliotecas e
estabelecer
incentivos
fiscais e creditícios
para as
pequenas e
médias
livrarias
para
que
elas possam, de
fato, se
transformar
nos
centros culturais
que poderiam
ser.
TIPOS DE
EDITORA
Há basicamente
três
tipos de
editoras no Brasil: 1)
editoras
grandes,
que publicam os
best-sellers
internacionais e
autores
nacionais consagrados,
como a
Companhia das
Letras (www.companhiadasletras.com.br);
2)
editoras
médias,
que publicam
livros
em
parceria
com o
próprio
autor
ou
com
instituições
estatais
ou
privadas e fazem pouquíssimas
apostas de
bancar o
custo
integral de
um
livro,
como ocorre
com a
Editora do Sesc (www.sescsp.org.br),
ou
boa
parte das
produções das
editoras universitárias
nacionais,
como a
Editora da
Universidade de Brasília (www.editora.unb.br);
e 3)
editoras
pequenas,
que publicam
livros financiados
pelo
autor,
como a Scortecci (www.scortecci.com.br).
A
tendência é
chegar a
dois
modelos
apenas: as de
catálogo
amplo e as
pequenas, de
catálogo
específico,
como a Cosac Naify (www.cosacnaify.com.br),
na
área de
artes
visuais,
como ocorre na França.
Isso pode
favorecer o
surgimento de
novos
autores,
mas
também ocorre numa
lógica de
pensar a
longo
prazo.
Por
isso, as
grandes
editoras
não compram
livros,
mas
autores
completos,
como fez a
Objetiva
que, ao
fechar
contrato
com o
grande
sucesso
que é Paulo
Coelho, trouxe
com
ele
inclusive os
livros dele
já publicados
por outras
editoras.
SITUAÇÃO DO
MERCADO
Em 2005, a
venda de 75% da
editora
Objetiva (www.objetiva.com.br/),
uma das
maiores do
país,
que publica o
Dicionário Houaiss e o
escritor Luis Fernando Verissimo,
para o
grupo
espanhol Prisa-Santillana,
presente
em
mais de 20
países e
dono do
jornal El
Pais,
entre outras publicações, movimentou o
mercado
brasileiro. O
negócio envolveu
cifras da
ordem de R$ 20,4
milhões.
Outro
fato
importante foi a
compra de
metade da
editora
Nova
Fronteira
pela Ediouro,
que
já havia adquirido o
catálogo e a
marca da
antiga
editora
Agir e
já
tinha
sob
suas
asas a Relume-Dumará. Chegou-se
inclusive a
falar da
formação de
um
pequeno
conglomerado
pela Ediouro (www.ediouro.com.br/).
A boa
notícia é
que
nunca se publicou
tanto. Há, no
País, 400
lançamentos
por
mês,
embora seja
muito
discutível a
relevância de
todos
esses
títulos. A Record, uma das
maiores lançadoras, coloca aproximadamente
28
títulos
novos
mensalmente na
praça,
sem
contar
suas
editoras,
como José Olímpio, Bertrand Brasil,
Civilização
Brasileira e Best Seller, e os
selos Difel,
Nova
Era e
Rosa dos
Tempos (www.record.com.br).
A Ediouro (mais
Relume e
Agir) põe 25
títulos,
assim
como a Rocco (www.rocco.com.br).
A Objetiva e a Nova
Fronteira (que
detém
um dos
catálogos
mais
sólidos do
país,
com
obras completas de
nomes
como Thomas Mann e João Guimarães
Rosa e
autores
importantes
atuais,
como João Ubaldo Ribeiro, que recebeu o
Prêmio Camões de Literatura, o mais importante em língua portuguesa em
2008) lançam
sete
títulos
cada
por
mês. O
panorama aponta
para
dois
fatores: há
mais
espaço
para
novos
autores e se
lança
mais do
que as
pessoas conseguem
ler.
De
modo
geral, pode-se
dizer
que, de
um
lado, há
ações
para
formar
catálogos
sólidos, de
títulos
importantes, de
longo
prazo,
que
não saiam
muito
em
um
momento,
mas
que vendam
por
muito
tempo; e, do
outro, existe a
busca
por
grandes
lançamentos, os chamados front lists,
que vendem
muito no
lançamento,
mas
que
são
efêmeros. A
lógica é a da super-oferta. A
mídia e as
livrarias precisam da
novidade; e,
conforme foi apontado, o
pensamento
geral é
que 20% dos
lançamentos de
impacto sustentam os 80% restantes.
PREÇO
Vale
lembrar
que 13% dos
apreciadores de
livros afirmaram
que se
eles fossem
mais
baratos leriam
mais. Se levarmos
em
conta a
renda
média do
brasileiro, o
livro é
um
verdadeiro
artigo de
luxo,
mas, se comparados aos
preços de
outros
mercados,
são
compatíveis
dentro da
média
internacional. O
vilão apontado no
mercado
editorial é a
tiragem.
Afinal,
quanto
mais
livros de
um
mesmo
título forem produzidos,
mais
barato
cada
exemplar sairá
para o
consumidor.
O
problema é
que
não há
público
que justifique
tal
medida. Se o
número de
pessoas
que consomem
livros
crescer, as
tiragens aumentarão. A
editora L&PM (www.lpm.com.br)
solucionou essa
equação
com
livros de
bolso. A
tiragem
média de
cada
um dos
cerca de 500
títulos
já lançados
pela
editora nesse
segmento é de 10
mil
exemplares. O
resultado é
que a
coleção de
bolso corresponde a aproximadamente 70% do
faturamento
anual de
cerca de R$ 12
milhões da
editora.
A profissionalização do
setor
livreiro é apontada
como a
solução
mais
viável
para
atrair os
leitores existentes e
gerar
novos.
Isso deveria
ocorrer
em
todos os
seus
processos,
desde a
escolha de uma
obra a
ser publicada
até a
estratégia a
ser adotada
nos
pontos de
venda, passando
pela
logística
que
isso exige.
POLÍTICAS PÚBLICAS
Cabe
lembrar
que no Brasil a
receita
com
livros
ainda é
pequena se comparada
com o
mesmo
setor
em
outros
países. A
empresa
britânica Random House, do
Grupo Bertelsmann,
por
exemplo, tem uma
receita
anual da
ordem de R$ 6.413
milhões,
enquanto todas as
editoras brasileiras
juntas
não atingem a
casa dos R$ 2.477
milhões.
Os
livros
brasileiros,
embora
não sejam
caros
demais numa comparação
internacional, tem
um
preço
elevado
para o
poder aquisitivo do
brasileiro.
Seu
preço
médio é de U$ 1 a 3,
próximo ao da China e Rússia,
abaixo da França, México e Argentina (US$ 6
a 8), Espanha, Grã-Bretanha e Itália (US$ 10 a 13) e EUA, Holanda,
Alemanha (US$ 14 a 17).
A
questão é
que a
maior
parte da
população
não tem
dinheiro
para
comprar
livros. Desse
modo,
ela
só os recebe
via
doação
pelo
Estado
ou
quando freqüenta
bibliotecas. O
nó a
ser desatado é
que
quem
mais
compra
livros é a
classe
média,
cujo
poder aquisitivo vem diminuindo ao
longo dos
anos.
Paradoxalmente, as
classes
mais
pobres e
mais ricas,
que tiveram
aumento de
renda
nos
últimos
anos,
não compram
livros, gastando,
respectivamente,
com
comida,
utensílios
domésticos e
roupas, e
objetos de
luxo. Agrava-se a
situação
quando se verifica
que a
classe
média é
justamente a
que
gasta
mais
com
novas
necessidades,
como
celular e
Internet.
Outro
dado
importante é
que Brasil ostenta
mais de 11,5
milhões de
usuários
domésticos de
Internet e é recordista mundial
em
navegação
doméstica.
Isso traz uma
vantagem,
pois o
uso da
rede mundial de
computadores
como
instrumento de
trabalho,
lazer e relacionamento
incentiva a
prática da
leitura e da
escrita.
Com a
queda na
renda, e as
novas
despesas, a
capacidade de
compra de
livros da
classe
média caiu.
Paralelamente, a
formação de
novos
leitores depende do
incentivo
familiar e do
estímulo da
escola.
Para
reverter essa
realidade o
governo
federal prevê uma
série de
ações de
curto,
médio e
longo
prazos,
cujo
objetivo é
aumentar os
índices de
leitura dos
brasileiros.
Uma
medida
importante foi
tomada
em 2005
com a desoneração
fiscal.
Enquanto
diversos
países apresentam uma
tributação
sobre o
preço do
livro,
como China, de
mais de 15%, Canadá, 10,1% a 15%, Holanda,
5,1 a 10%, e Espanha, 1 a 5%, o Brasil entrou no
grupo de
nações
como México, Argentina e Coréia,
com
tributação
zero.
As
editoras,
livrarias e distribuidoras de
livros
que optarem
pelo
regime
fiscal de
lucro
real deixam de
pagar 6,45% de
Programa de
Integração
Social (PIS) e
da
Contribuição
para o Financiamento da Seguridade
Social (Cofins)
sobre o
livro,
mas passam a
pagar
mais 2,19% de
Imposto de
Renda.
Tem,
portanto,
um
ganho
líquido de 4,26%
para
alimentar
seu
capital de
giro. A redução do
imposto, no
entanto,
não chegou ao
leitor,
pois 30% dos
preços dos
livros
que estavam
em
catálogo
antes da desoneração
fiscal aumentaram de
preço, 68% se mantiveram e
apenas 2% diminuíram.
Outros
importantes
programas de
difusão da
leitura,
como o
Arca das
Letras, do
Ministério do
Desenvolvimento
Agrário,
que instala
bibliotecas
em
comunidades
quilombolas de
todo o Brasil,
também podem
ser usados no
futuro
como
maneiras de
divulgar a
literatura holandesa publicada
em
português.
INSTITUIÇÕES
Para
selar
parcerias, algumas
instituições
são
importantes.
Academia
Brasileira de
Letras
A
Academia
Brasileira de
Letras é uma
instituição
que foi fundada
em 20 de
julho de 1897.
Composta
por 40
membros
efetivos e
perpétuos, eleitos
em
votação
secreta e 20
sócios
correspondentes
estrangeiros, tem
por
fim o
cultivo da
língua e a
literatura
nacional. Informações:
http://www.academia.org.br/
Câmara Brasileira do
Livro
A
Câmara
Brasileira do
Livro (CBL) é uma
entidade
sem
fins
lucrativos
que
visa
promover o
mercado
editorial
brasileiro e
cultivar o
hábito da
leitura. A
promoção do
mercado
editorial dá-se
em diversas
formas, sendo provavelmente a
mais
conhecida delas o
Prêmio Jabuti de Literatura.
É também a responsável pela organização das principais bienais do livro,
como a
Bienal do Livro de São Paulo
que está na 20ª edição (2008). Informações:
http://www.cbl.org.br/
BIENAIS DO LIVRO
Bienal
Internacional de
São Paulo
A
Bienal
Internacional do
Livro de
São Paulo,
evento
cultural
organizado
pela
Câmara
Brasileira do
Livro, reúne várias
editoras brasileiras e estrangeiras
para
apresentar
lançamentos e
seus
títulos. A 19ª
edição, ocorrida
em
2006,
contou
com 800.000 visitantes.
A
primeira
edição,
em 1970, foi
decorrência de
um
projeto
que se iniciou
em 1951.
Com o
intuito de
introduzir no
país a
tradição européia das
feiras de
livros encontradas na
França,
na
Alemanha
e na
Itália,
a CBL promoveu a 1ª
Feira
Popular do
Livro, na
praça da
República.
A
experiência foi
retomada
em 1956 e deslocada
para o
Viaduto do Chá,
ponto ainda mais central
da capital paulista e de grande fluxo de pedestres. O projeto foi
ganhando corpo e novos adeptos. Em 1961, em parceria com o
Museu de Arte de São Paulo,
foi promovida a 1ª Bienal Internacional do Livro e das Artes Gráficas,
evento que se repetiu em 1963 e 1965. Eles serviram de ensaio para a 1ª
Bienal Internacional do Livro, bancada exclusivamente pela CBL, em 1970.
A 19ª
Bienal
Internacional do
Livro de
São Paulo recebeu
um
público
recorde de 811
mil
em 11
dias de evento, em 20 mil m² e 320
expositores.
Bienal do Rio de
Janeiro
Trata-se de uma
bem-sucedida
realização cultural e
empresarial, tendo o
livro
como o
astro
principal.
Em 1983,
nos
salões do
Hotel Copacabana Palace, numa
área de
cerca de 1
mil m², foi montada a I
Bienal
Internacional do
Livro do
Rio de
Janeiro.
Dois
anos
depois, o
cenário foi transferido
para o
São Conrado Fashion Mall.
Em 1987, a
Bienal do
Livro chegou ao Riocentro,
com 15
mil m²,
para tornar-se o
acontecimento
editorial
mais
importante do
País
nos
anos
ímpares e
um
evento cultural de mobilização
nacional. A
Bienal do
Livro supera todas as
expectativas de
público,
vendas e
mídia e atinge
um
crescimento
anual de 30%. Seus números ultrapassaram, em 2007, os
63 mil visitantes, 170 mil estudantes e venda de 2,3 milhões de livros.
Bienal Internacional do
Livro de Pernambuco
A VI
Bienal
Internacional do
Livro de Pernambuco ocorreu de 5 a 14 de
outubro de 2007 no
Centro de
Convenções de Pernambuco. É o
terceiro
maior
evento
literário do
gênero no Brasil
atrás
apenas das
Bienais do
Rio de
Janeiro e
São Paulo.
Seu diferencial foi
abrir
espaço e
fomentar a participação do
público
universitário, dando
acesso
preferencial a
eles nas
palestras oferecidas.
A
Programação Cultural teve
como
eixo
temático “Literatura:
Diálogos e
Interfaces”, englobando as
ligações da
literatura
com as diversas
formas artísticas, seja
como
matriz
ou
como
subsídio,
como ocorre
com as
adaptações de
textos
para o
cinema, o
teatro
ou as
interpretações de
obras literárias
que se transmutam
em
pinturas e exprimem,
em
cores, os
sentimentos
outrora
escritos, dando
novo
vigor e
amplitude à
obra
literária
em
si.
Foi,
portanto,
dado o
foco
macroscópico da
literatura e da
sua
relação
com as outras
artes.
Com uma
programação
rica
em
palestras,
lançamentos de
livros,
exibição de
filmes e
apresentações culturais, a
Bienal colocou o
fazer
literário no
eixo
central das
discussões, ao
focar a
literatura
sob o
aspecto de
seus
diálogos e
interfaces
com outras
mídias.
Para Homero Fonseca, o coordenador de
conteúdo da
Bienal,
esse
formato interdisciplinar da
literatura,
que norteou o
eixo
temático das
palestras, foi uma
experiência
positiva. “A
interação e a receptividade do
público foi
muito boa. Acredito
que
esse
formato
deva
ser
levado
adiante”, comentou.
SUGESTÃO 5
Pensar a
literatura
hoje significa,
como
bem perceberam os
organizadores da
Bienal de Pernambuco,
ter
sempre
em
mente a interdisciplinaridade,
ou seja, a
relação
entre
diferentes
áreas do
conhecimento.
Livros podem
falar de
artes
visuais,
cinema
ou
teatro
sem
perder a
sua
característica
literária.
Tudo depende da
forma
como
isso é
feito e do
projeto
editorial envolvido.
Quanto
mais
disciplinas estiverem envolvidas,
maiores
são as possibilidades de
êxito. Essa
concepção do
fazer
literário amplia
inclusive a possibilidade de
parcerias
com
profissionais de outras
áreas.
Bienal do
Livro de Minas
A
primeira
edição da
Bienal do
Livro de
Minas ocorreu
em 2008.
Nos
seus 11
dias de
realização,
mais de 225
mil visitantes circularam
pelos
pavilhões do Expominas e adquiriram
cerca de 500
mil
livros.
Mais de 130
expositores apresentaram 20
mil
títulos
nos 12
mil m2 do
evento.
O
público participou de uma
programação cultural variada
que contribuiu
para a
consolidação da
festa
literária no
calendário do
Estado. Os
espaços
Café
Literário e
Arena
Jovem receberam
quase 90
personalidades
em
cerca de 86
sessões de variados
estilos,
entre
debates,
bate-papos,
encontros
literários e
atividades lúdicas
para
crianças.
Bienal
Internacional do
Livro do Ceará
Com o
tema “A
aventura cultural da mestiçagem”, a
Bienal
Internacional do
Livro do Ceará realiza a sua 8ª edição no
Centro de
Convenções de
Fortaleza,
entre os
dias 12 e 21 de
novembro de 2008. A
programação vai
destacar as
manifestações artísticas e culturais de
duas
comunidades
lingüísticas: a portuguesa e a espanhola,
bem
como de
suas
influências
por
mais de 30
países do
planeta.
As
atrações da
Bienal envolvem
ainda
sessões literárias,
com
palestras,
debates,
leituras de
poemas,
encontros
especiais e
lançamentos de
livros. A 8ª
edição do
evento é uma
iniciativa do Sindilivros
em
parceria
com a RPS
Eventos, e
conta
com a
cooperação de
entidades
como
Câmara
Brasileira do
Livro,
Associação
Nacional de
Livrarias,
Academia
Cearense de
Letras e
Câmara
Cearense do
Livro.
Bienal Nacional do
Livro de Natal
A
Bienal
Nacional do
Livro de
Natal durou dez dias em 2007. Foi um dos
mais
importantes
eventos culturais do Estado do Rio
Grande do
Norte. No
processo de
seleção de
editoras e
livrarias
que participam do
evento, houve o
apoio da
Câmara
Brasileira do
Livro.
Para a
seleção de
temas e de
autores
convidados, foram consultados a CBL,
escritores,
jornalistas,
intelectuais,
artistas e
membros de
entidades representativas
em
todo o
Estado. Houve a participação de
mais de 500
escolas do
Rio
Grande do
Norte ,
com
mais de 60
mil
alunos ao
longo dos 10
dias de
evento.
Foram realizadas
mais de 60
atrações culturais e
mais de 50
lançamentos e relançamentos de
livros. Das 45
atividades
que aconteceram no
auditório,
mais de 23 envolveram
escritores,
jornalistas e
personalidades
ligadas a
cultura
potiguar. De uma
lista de 61
convidados, 60% foram do
Rio
Grande do
Norte, numa
clara
demonstração do
respeito da
organização
para
com os
autores da
terra.
Bienal do
Livro
São José do
Rio Preto
A
terceira
edição do
evento ocorreu
em
maio de 2008.
São José do
Rio
Preto é a
maior
cidade do
noroeste do
Estado de
São Paulo. A
Bienal teve o
apoio da
Prefeitura Municipal de
São José do
Rio
Preto,
Secretarias Municipais da
Cultura e da
Educação e CBL –
Câmara
Brasileira do
Livro.
Mais de 110
mil visitantes, sendo 36
mil
crianças,
alunos das
escolas municipais, percorreram os 77
estandes de 40
expositores,
entre
editoras,
livrarias e distribuidoras de
livros. Foram mais de 600
horas de
atividades
em uma
extensa
programação cultural
para
todo o
tipo de
público,
gostos e
idade.
A
grande
atração
para o
público
que
visita a
Bienal é o
Salão de
Idéias, uma
espécie de
maratona
literária idealizada e organizada
pela CBL,
que
leva à
cidade
autores de
alto
nível, renomados
nacionalmente,
para
conversar e
debater
com o
público.
Bienal Nacional do
Livro da Paraíba
A
Primeira
Bienal
Nacional do
Livro da Paraíba foi realizada em 2006. Em
nove
dias de
evento,
centenas de
títulos de
obras literárias das
mais
importantes
editoras do
País ficaram à
disposição do público. Diversos
autores
locais e
nacionais
também estiveram
presentes na
Bienal
para
debates,
sessão de
autógrafos e
conferências.
Com a
realização da
Bienal, a Paraíba se inseriu no
circuito
nacional de
eventos
literários.
Além da
programação organizada
por
cada
estande,
que ficou
sob a
responsabilidade dos
expositores, houve
atividades culturais
paralelas,
tanto no
palco
Estante
Viva
como no
Auditório.
O
palco ficou destinado a
apresentações culturais de
música,
teatro e
dança. O
local recebeu a
demanda das
escolas públicas e
privadas,
que participaram de
leitura de
contos,
entre outras programações. No
auditório foram desenvolvidas
atividades
entre os
autores e o
público. As
manhãs estavam reservadas
para
apresentação de
experiências pedagógicas. À
tarde e à
noite aconteciam os
encontros
com
autores
locais e de
fora do
Estado.
Ficaram à
disposição do
público
cerca de 70
mil
livros. Foram aproximadamente 50
horas de
discussão
literária, 30
lançamentos e relançamentos de
obras,
além de
mais de 20
apresentações artísticas.
Feira
Nacional do
Livro e
Festival
Literário
Nacional de
Poços de
Caldas
Os
dois
principais
eventos culturais de
literatura do
sul de
Minas acontecem no
patrimônio
histórico de
Minas
Gerais
construído na
década de 1930, no Palace Casino.
Nos
seis
primeiros
dias de
abril de 2008,
Poços de
Caldas recebeu aproximadamente 50
expositores de
todo o
país
com
mais de 30
mil
títulos de
livros
para
todos os
gostos e
bolsos.
Participaram uma das
maiores
especialistas
em
lingüística
textual do Brasil, Ingedore Villaça Koch,
homenageada no
evento, MV Bill, Telma Guimarães, Fabrício
Carpinejar, Elias José, André
Ribeiro, Julio Emilio, Márcia Nehemy Bittar,
João Scortecci, Maria Esther Mendes Perfetti, Lino de
Albergaria e Walter Alvarenga.
A
Feira e o
Festival foram uma
realização da GSC
Eventos
com a
parceria da
Prefeitura Municipal de
Poços de
Caldas,
Secretaria de
Educação e
Cultura,
Turismo,
Cia. Bella de
Artes, Renovias,
Câmara
Brasileira do
Livro, Sesc e Senac.
Informações: (35) 3713-9901
ou
www.feiradolivropocosdecaldas.com.br
AVALIAÇÃO DAS BIENAIS E FEIRAS DO
LIVRO
As Bienais e Feiras do Livro são
muito importantes para atrair as
pessoas
para
perto de livros, mas perderam um pouco de
seu sentido original. Antes, ia-se por ser agradável e porque fazia
sentido economicamente, pois lá se
conseguiam os
melhores
descontos e os
preços
mais
baixos.
Com a
chegada das
grandes
livrarias ao
mercado
nacional, porém, com os
seus
constantes
descontos e
promoções,
isto
já
não acontece. Na há mais porque ir a uma
Feira do
Livro com essa motivação, pois,
durante o
ano
inteiro, pode-se comprar o
mesmo
livro on-line a
um
preço comparável
ou
mais baixo.
Mesmo as
sessões de
autógrafos
já
não justificam a
ida às
Feiras,
pois as
livrarias estão
cada
vez
mais agressivas na
promoção e
organização desses
eventos.
Por
todos
estes
motivos, melhores
campanhas de
marketing e/ou
um
design dos
pavilhões cada vez menos conservadores
serão necessários.
Uma
alternativa é o
modelo do
Festival
Literário, no
qual
escritores de
vários
países confluem a uma
cidade
ou
localidade
para
falar
sobre as
suas
obras,
bem
como
para
interagir
com os
leitores. Há
sessões de
autógrafos,
palestras e
debate,
mas,
acima de
tudo, uma
saudável e
estimulante
troca de
idéias na
qual é
possível o
redescobrir de
escritores e o
conhecimento de
novas
correntes de
escrita.
Existe
atualmente
mais de uma
centena de
festivais
literários
em
cidades pitorescas espalhadas
pelo
mundo. O
mais
famoso de
todos,
que serve de
modelo ao de Parati, realizado no Brasil, é o de
Hay-on-Wye, no
País de Gales. O
criador do
evento, Peter Florence, teve a
idéia de iniciá-lo
em 1988,
depois de
ganhar uma
bolada numa
partida de
pôquer
com
amigos. No
primeiro
ano foram vendidos 2.500
ingressos.
Atualmente, recebe
mais de 93
mil
pessoas.
Festa
Literária
Internacional de Paraty (Flip)
Em
agosto de 2003, a
Festa
Literária
Internacional de Paraty (Flip) tornou-se a
caçula da
família de
importantes
festivais
literários
como Hay-on-Wye, Adelaide, Harbourfront de
Toronto,
Festival de Berlim, Edimburgo e Mântua.
Com a
presença de
autores mundialmente respeitados,
como Julian Barnes, Don DeLillo, Eric
Hobsbawm e Hanif Kureishi, a
primeira FLIP estabeleceu
um
padrão de
excelência às
edições
seguintes.
A Flip é
hoje
conhecida
como uma das
principais
festas literárias
internacionais, sendo aclamada
pela
qualidade dos
autores
convidados,
pelo
entusiasmo de
seu
público e
pela
hospitalidade da
cidade.
Já recebeu
alguns dos
grandes
nomes da
literatura mundial,
como Salman Rushdie, Ian McEwan, Martin
Amis, Margaret Atwood,
Paul Auster, Anthony Bourdain, Jonathan
Coe, Jeffrey Eugenides, David Grossman, Lidia Jorge, Pierre Michon,
Rosa Montero, Michael Ondaatje, Orhan Pamuk,
Colm Toíbín, Enrique Vila-Matas, Jeanette Winterson, J. M. Coetzee e
Marcello Fois.
Dos
brasileiros,
já estiveram na Flip
nomes de
destaque,
como
Ariano Suassuna,
Ana Maria
Machado, Milton Hatoum, Millôr Fernandes,
Ruy Castro,
Ferreira Gullar, Luis Fernando Verissimo,
Zuenir
Ventura, Barbara Heliodora, Ruy Castro e
Lygia Fagundes Telles,
além de
ícones da
cultura
brasileira
como Chico Buarque e Caetano Veloso.
A
sexta
edição,
em 2008, teve
um
repertório
eclético de
convidados,
como o
dramaturgo
inglês
Tom Stoppard, a
psicanalista Elisabeth Roudinesco, o
quadrinista Neil Gaiman, a
roteirista argentina Lucrecia
Marte e o
escritor holandês Cees Nooteboom. O
evento confirmou
assim a
sua
vocação
cosmopolita de
discutir
todo
tipo de
idéias manifestadas
pela
palavra
escrita.
A
cada
ano a FLIP homenageia
um
expoente das
letras brasileiras. No
primeiro
ano,
em 2003, celebrou o
poeta e
compositor Vinicius de
Moraes (1917-1980). João Guimarães
Rosa (1908-1967) foi o homenageado no
ano
seguinte.
Em 2005 foi a
vez de Clarice Lispector (1920-1977),
em 2006, do
baiano Jorge
Amado (1912-2001), e,
em 2007, do
jornalista e
dramaturgo Nelson Rodrigues (1912-1980).
Em 2008,
ano do
centenário da
morte de
Machado de Assis (1839-1908), a Flip focou
a
vida e a
obra do
escritor
carioca.
Enquanto a
programação
principal acontece na
Tenda dos
Autores e é transmitida ao
vivo na
Tenda do
Telão,
vários
outros
eventos ocorrem simultaneamente
em
diversos
locais. A
Oficina
Literária, destinada a
jovens
aspirantes a
escritor, é realizada
por
grandes
autores
brasileiros e
internacionais.
A
Tenda dos
Autores e a do
Telão receberam,
juntas,
em 2008,
cerca de 35
mil
espectadores.
Pela
primeira
vez, as
mesas foram transmitidas online,
com uma
audiência
próxima a 4
mil
visitas.
Também foi
criado
um blog e postados
vídeos no youtube.
Há
também uma
programação
exclusiva
para as
crianças – a Flipinha –,
em
que
jovens
estudantes de Paraty apresentam o
resultado de
seus
trabalhos inspirados no
universo
literário e participam de
palestras
com
autores
convidados. Na Flipinha, a
série de
eventos realizados,
que resultam de
um
trabalho
educativo
desenvolvido ao
longo do
ano
com
alunos de 37
escolas da
cidade, reuniu vinte
autores
brasileiros e atraiu
cerca de 10
mil
crianças.
Os
jovens participantes tiveram
oportunidade de
interagir
com
autores,
ouvir
histórias contadas
pelos
próprios
escritores,
acompanhar “ao
vivo”
como se desenvolve o
processo de
desenho de uma
ilustração e
aprender a
criar
bonecos de
papel machê e
poemas
coletivos.
Também foram
protagonistas de
peças de
teatro,
apresentações musicais e de
dança,
com a
constante
inspiração de
Machado de Assis.
A FLIP ETC concentrou
em
sua
programação a
maior
parte das
atividades relacionadas a
Machado de Assis, incluindo uma
mostra de
cinema
com
filmes
baseados na
obra do
escritor, uma
exposição do
Instituto Moreira Salles
com
fotografias do
Rio de
Janeiro na
época de
Machado,
peças de
teatro adaptadas a
partir de
suas
obras e
abordagens
particulares extraídas dos
textos
machadianos,
como a
palestra “Economia
em
Machado de Assis”, do ex-presidente do
Banco
Central, Gustavo
Franco.
O
sucesso da
Festa
também estimulou o
desenvolvimento de uma
programação de
leituras,
shows e
lançamentos de
livros,
batizada de Off-Flip. O
interesse despertado
pela
festa
literária traz
reflexos
diretos
para a
economia da
cidade.
Durante os
cinco
dias, Paraty,
em 2008, recebeu
em
torno de 20
mil turistas,
que ocuparam
pousadas e
restaurantes, fizeram
compras nas
lojas e
ateliês, gerando
recursos e ampliando o
mercado na
cidade. A
Festa ocupou 230 moradores
que trabalharam na
sua
montagem e
realização.
Desde a
primeira
edição, o
crescimento da
Festa
Literária está intimamente ligado à
vida e às
necessidades de Paraty.
Artistas
locais,
comerciantes,
hoteleiros e
donos de
restaurantes se envolvem
com o
evento. Flávio
Moura,
diretor de
programação da Flip 2008, acredita
que “a Flip é a
melhor
porta de
entrada de
um
autor no Brasil”. “Ela
é
cada
vez
mais uma
chancela
fundamental
que orienta o
que
vale e o
que
não
vale a
pena
ler”, completou.
Informações:
http://www.flip.org.br/
SUGESTÃO 6
Um dos
melhores
caminhos
para
fixar a
literatura holandesa é
conseguir a participação de
escritores,
roteiristas
ou
cineastas na Flip.
Para
isso, é
necessário
todo
um
trabalho de
aproximação
que
passa
pela
ação de
agentes
literários e publicação dos
romancistas,
contistas,
poetas,
roteiristas e
ensaístas holandeses
conforme apontado
anteriormente.
Festival
Internacional de
Poesia –
Dois
Córregos
Outra
alternativa está
nos
festivais
internacionais de
poesia. O
município de
Dois
Córregos, a 288
km da
cidade de
São Paulo, foi o
palco
em 2008, da
segunda
edição do
seu.
Com o
slogan “Por
um
mundo
mais poético”, o
Festival contou
com
um
extenso
programa,
que inclui
saraus,
oficinas culturais e
seminários,
com a participação de
poetas,
repentistas e
trovadores.
O
evento é realizado
pelo
Instituto
Usina dos
Sonhos
em
parceria
com a
Prefeitura de
Dois
Córregos, e tem
apoio da
Federação das
Indústrias do
Estado de
São Paulo (Fiesp),
União
Brasileira de
Escritores (UBE) e
Câmara
Brasileira do
Livro (CBL).
Informações
sobre o
festival no
e-mail
contato@usinadesonhos.org.br
ou pelo telefone (14) 3652-1061.
Festival da Mantiqueira –
Diálogos
com a
Literatura
Escritores consagrados estiveram reunidos
em
maio e
junho de 2008
em
São Francisco Xavier,
distrito a 59
km de
São José dos
Campos e a 138
km de
São Paulo,
durante
três
dias. O
objetivo é
incentivar o
prazer a
leitura,
com
atividades gratuitas e
abertas,
shows musicais,
atividades infantis e a participação de
estudantes e
professores.
A
programação foi realizada
em
cinco
espaços localizados no
centro de
São Francisco Xavier: a
Tenda Mantiqueira
Literária (debates),
uma
livraria (lançamento
dos
livros e
sessões de
autógrafos),
Espaço Mantiqueira (atividades
infantis e os
shows), Espaço
Mantiqueira Musical e
Bar e
Restaurante Photozofia.
Participaram dos
debates
com o
público os
escritores Milton Hatoum, Fernando
Morais, Moacyr Scliar, Jorge
Caldeira, Nelson Motta, Marçal Aquino,
Marcelo Rubens Paiva, Zuenir
Ventura, Mário
Prata, Marcelino Freire e a diretora de
cinema Suzana Amaral.
Também foram realizados
encontros
temáticos intitulados
Diálogos
Literatura e TV,
Diálogos
Literatura e
Bossa
Nova,
Diálogos
Literatura e
Cinema e
Diálogos
Literatura e
História.
ROMANCES TRADUZIDOS
EM PORTUGAL
Antes de
avaliar as possibilidades de
maior
intercâmbio
entre Brasil e Holanda na
área de
livros, especificamente da
literatura, cabe
verificar o
que existe traduzido
para o
português da
literatura holandesa.
Segundo Arie Pos, da
Universidade de Coimbra, a
literatura holandesa traduzida
em
língua portuguesa, a
partir de 1992,
em Portugal, é a
seguinte (http://pt.neerlandes.org/literatura_traduzida_em_portugues):
AKKER, Magda
van den. A China de Gaspar (Het China
van Gaspar, 1989). Vert. Maria Alice
Vila Fabião. Lisboa:
Caminho 1992.
BENALI, Abdelkader.
Boda à
beira-mar (Bruiloft aan zee, 1996). Vert.
Arie Pos. Lisboa:
Teorema 2002.
BROUWERS, Jeroen.
Vermelho decantado (Bezonken rood, 1981). Vert. Célia
Bernardino & Arie Pos. Lisboa:
Teorema 1997.
CLAUS, Hugo. A
caça aos
patos (De Metsiers, 1950). Vert.
Ana Maria
Carvalho.
Porto:
Asa 1994.
CLAUS, Hugo. O
desgosto da Bélgica (Het verdriet
van België, 1983) Vert.
Ana Maria
Carvalho.
Porto:
Asa 1997.
CLAUS, Hugo.
Rumores (De geruchten, 1997). Vert.
Ana Maria
Carvalho.
Porto:
Asa 2001.
CORNINCK, Herman de. Os
hectares da
memória (De hectaren
van het geheugen, bloemlezing). Collectieve
vert. Lisboa: Quetzal 1996.
DIS, Adriaan
van.
Em África (In Afrika, 1991). Vert.
Ana Maria
Carvalho. Lisboa:
Dom
Quixote 1998.
DIS, Adriaan
van. A
terra prometida (Het beloofde land, 1990). Collectieve
vert. Lisboa:
Dom
Quixote 2003.
DORRESTEIN, Renate.
Um
coração de
pedra (Een hart
van steen, 1998). Vert. (uit het Engels)
Armando Silva
Carvalho. Lisboa:
Círculo de
Leitores 2003.
DUINKER, Arjen. A
canção
sublime de
um
talvez (Het sublieme lied
van een misschien, bloemlezing). Vert. Arie
Pos. Lisboa:
Teorema 2003.
ENQUIST, Anna. A
obra-prima (Het meesterstuk, 1994). Vert.
Carmo Vasconcelos Romão. Lisboa:
Temas e
Debates 2004.
ENQUIST, Anna. O
segredo (Het geheim, 1997). Vert. Elsa
Trigo. Lisboa:
Temas e
Debates 2002.
FRANK, Anne.
Diário de Anne Frank:
versão
definitiva (Het achterhuis, 1991). Vert. (uit
het Engels) Elsa T.S. Vieira. Lisboa:
Livros do Brasil 2003.
GERLACH, Eva.
Alguns
poemas (Enkele gedichten, bloemlezing).
Collectieve vert. Lisboa: Quetzal 1996.
GLASTRA
VAN LOON, Karel .
Fruto da
paixão (De passievrucht, 1999). Vert.
Susana
Canhoto & Catarina
Pires. Lisboa:
Dom
Quixote 2004.
GRUNBERG, Arnon. O
messias dos
judeus (De joodse
messias, 2004). Vert. Susana
Canhoto,
Ana Leonor Duarte, Catarina
Pires & Arie Pos. Cascais:
Bico de
Pena 2007.
HAASSE, Hella S. Uma
ligação perigosa (Een gevaarlijke
verhouding, 1976). Vert.
Ana
Pinto de Almeida & Arie Pos. Lisboa:
Teorema 1997.
HARTOG, Jan de.
O inspector.
Lisboa : Estudios
Cor, imp.
1962
HERZBERG, Judith. A
fábrica de
nada (De nietsfabriek, 1997). Vert. David
Bracke & Miguel Castro
Caldas. Lisboa:
Artistas Unidos/Cotovia
2005.
HERZBERG, Judith. O
que
resta do
dia.
Antologia de
poesia
com
um
texto
em
prosa. Vert.
Ana Maria
Carvalho. Lisboa:
Cavalo de
Ferro 2008.
HIRSI
ALI, Ayaan.
Uma mulher rebelde.
Lisboa : Presença, 2007
ISEGAWA, Moses. Crónicas Abissínias
(Abessijnse kronieken, 1998). Vert. (uit het Engels) Eugénia Antunes.
Lisboa:
Temas e
Debates 2001.
JAPIN, Arthur. O
preto de
coração
branco (De zwarte met het witte hart,
1997). Vert. Karen Broothaers, Susana
Canhoto & Catarina
Pires. Lisboa:
Teorema 2003.
KASTNER, Jörg.
O delírio de Rembrandt: a misteriosa história de um quadro azul.
Lisboa : Gótica, 2006
KOMRIJ, Gerrit.
Atrás dos
montes (Over de bergen, 1990). Vert.
Patrícia
Couto.
Porto:
Asa 1997.
KOMRIJ, Gerrit.
Contrabando. Uma
antologia
poética (Contrabande. Een bloemlezing
poëzie). Vert. Fernando Venâncio. Lisboa:
Assírio & Alvim 2005.
KOMRIJ, Gerrit.
Um
almoço de
negócios
em Sintra (Een zakenlunch in Sintra, 1996).
Vert. Fernando Venâncio.
Porto:
Asa 1999.
KRABBÉ, Tim. A desaparecida (Het
gouden
ei, 1984). Vert.
Ana Leonor Duarte & Arie Pos. Lisboa:
Relógio d’Água
2006.
LINDWER, Willy.
Os últimos sete meses de Anne Frank .
Lisboa : Livros
de Brasil, 1992
LOO, Tessa de. As gêmeas (De tweeling,
1993). Vert.
Ana Leonor Duarte. Lisboa: Quetzal 2007.
MINCO, Marga. A
erva
amarga (Het bittere kruid, 1957). Vert.
Maria Clarinda Moreira. Lisboa:
Teorema 1997.
MOOR, Margriet de. O
virtuoso (De virtuoos, 1993). Vert. (uit
het Duits) Fátima Freire de Andrade.
Porto:
Asa 1997.
MULISCH, Harry. Duas
mulheres (Twee vrouwen, 1975). Vert. Miguel
Poças & Arie Pos. Lisboa:
Teorema 1999.
MULTATULI.
Max Havelaar ou os leilões de café da companhia holandesa de comércio.
Porto,
Civilização.
NOOTEBOOM, Cees. O (des)caminho
para Santiago (De omweg naar Santiago, 1992). Vert.
Patrícia
Couto & Arie Pos.
Porto:
Asa 2003.
NOTEBOOM, Cees. A
história
seguinte (Het volgende verhaal, 1991). Vert.
Ana Maria
Carvalho. Lisboa: Quetzal 1993.
NOOTEBOOM, Cees.
Máscara de
neve (Mokusei, 1982). Vert.
Ana Maria
Carvalho. Lisboa: Quetzal 1995.
NOOTEBOOM, Cees.
Rituais (Rituelen, 1980). Vert.
Patrícia
Couto & Arie Pos.
Porto:
Asa 2000.
PALMEN, Connie. As
leis (De wetten, 1991). Vert. Maria Alice
Fabião. Lisboa:
Relógio d’Água
1999.
PROVOOST, Anne. A
minha
tia é uma
baleia (Mijn tante is een grindewal, 1990).
Vert. Arie Pos.
Porto: Afrontamento 2002.
RIJNDERS, Gerardjan.
Buraco
negro.
Câncer (Mooi, 1995. Pick-up, 1986. Kanker, 1996). Vert.
RONAN, Frank.
A comunidade.
Lisboa : Gradiva, 2002
ROYEB, Heleen
van. A
fuga (De ontsnapping, 2006). Vert. M.L.
Raven-Gomes. Lisboa:
Caderno 2007.
SIERENS, Arne. O
meu Blackie e outras
peças (Mijn Blackie en andere stukken).
Vert. Lut Caenen et al.
Porto:
Campo das
Letras 2002.
SLAUERHOFF, J.J. O
reino
proibido (Het verboden rijk, 1932). Vert.
Patrícia
Couto & Arie Pos. Lisboa:
Teorema 1998.
THOMÉSE, P.F. A filha-sombra (Schaduwkind,
2003). Vert. Susana
Canhoto & Catarina
Pires. Lisboa:
Dom
Quixote 2006.
Uma
migalha na
saia do
universo (Een kruimel op de rok
van het universum).
Bloemlezing uit de Nederlandse poëzie
van de 20ste eeuw. Keuze en inleiding
Gerrit Komrij. Vert. Fernando Venâncio e.a. Lisboa:
Assírio & Alvim 1997.
UYTERLINDE, Judith.
Quando a gravidez não chega.
Cruz Quebrada : Casa
das letras : ed. Noticias, 2005.
VAN DIS, Adriaan.
Em África : romance de viagem .
Lisboa : Dom
Quixote, 1998
VAN GOGH, Vincent.
Cartas de Van Gogh a seu irmão Theo.
Lisboa : Aster, [s.d.]
VAN GULIK, Robert.
Os crimes da agulha prateada:
Lisboa : Difel, copy.1961
VAN GULIK, Robert.
Os crimes do sino douradoLisboa : Difel, 1987
VAN GULIK, Robert.
Os crimes do lago Chines
Lisboa : Difel, 1987
VAN GULIK, Robert.
Os crimes do lago chinesLisboa : Gotica, 2005
VAN GULIK, Robert.
Os crimes da estatua dourada.
Lisboa : Difel, copy
1987
VAN RAAY, Carla.
A prostituta de Deus .
Algés : Difel, 2007
WERDEN, Henk
van. A
boca
cheia de
vidros (Een mond vol glas, 1998). Vert. (uit
het Engels) Maria João
Cordeiro. Lisboa:
Temas e
Debates 2002.
WINTER, Leon de.
Serenata (Serenade, 1995). Vert. (uit het
Duits) Adélia da Silva Melo. Algés: Difel 1997.
Cabe
destacar a
importância do tradutor Arie pos
para
divulgação da
literatura holandesa
em Portugal. Nascido
em Boskoop,
em 1958, estudou holandês e
Literatura Comparada na
Universidade de Leiden.
Desde 1989, vive
em Portugal,
onde
trabalha
como tradutor
literário e
professor
universitário de
literatura holandesa. Traduziu
para holandês
obras de,
entre
outros, Fernão Mendes
Pinto, Miguel Torga, Jorge de
Sena, José Cardoso
Pires e
poesia de João Cabral de Melo
Neto, Camilo Pessanha, Nuno Júdice e
Ana Luísa Amaral.
Em
português, publicou
traduções de
vários
autores holandeses,
entre os
quais Jan Huygen
van Linschoten, J.J. Slauerhoff, Harry
Mulisch, Cees Nooteboom, Jeroen Brouwers, Hella S. Haasse, Anne Provoost
e Abdelkader Benali.
Para a
editora
Teorema, traduziu uma
antologia de
poesia de Arjen Duinker, A
canção
sublime de
um
talvez (Lisboa, 2003).
Atualmente,
prepara uma
tradução holandesa de Os
Lusíadas de Luís de Camões.
LIVROS HOLANDESES NO BRASIL
O
problema é
que o
português
falado no Brasil é
diferente do de Portugal.
Portanto, essas
traduções,
embora possam
ser entendidas,
não
são
lidas
com
prazer
entre os
brasileiros
Em
busca de
títulos holandeses
já publicados
entre
nós, chegamos à
seguinte
lista, na
qual pode
ser
também incluído o
livro
Excursão
através da
literatura holandesa, de Garmt Stuiveling,
que circulou
pelo
País
nos
anos 1960 e
ainda pode
ser encontrado
em
sebos:
BRUIJN,
Cor. Lasse Länta, o
menino lapão.
São Paulo:
Brasiliense, 1960
HARTOG, Jan de. O
capitão:
romance.
São Paulo: Melhoramentos, 1968.
HARTOG, Jan de. O
leito nupcial.
Tradução: Miriam Mehler e Emílio di Biasi.
Biblioteca Célia
Helena.
HOLLANDER, Xaviera.
Rio de
Janeiro:
Rio
Gráfica, 1986
LOEFF, A. Rutgers
van
der.
Avalanche!.
São Paulo:
Brasiliense, 1960.
NOOTEBOOM, Cees.
Paraíso perdido.
São Paulo:
Companhia das
Letras, 2008.
WETERING, Janwillem
van de.
Chuva
pesada.
Rio de
Janeiro: J.Zahar, 1988.
Na
célebre
série
Mar de
histórias:
antologia do
conto mundial, publicada
pela
Nova
Fronteira,
em 1999, e organizada e traduzida
por Aurélio Buarque de Holanda
Ferreira e Paulo Rónai, a Holanda se faz
presente
com
dois
autores: Multatuli e Conrad Busken-Huet.
No
volume 10, do
mesmo
ano, há
um
texto de Louis Couperus.
AUTORES HOLANDESES
QUE MERECEM
TRADUÇÕES
Cabe
aqui
verificar
autores holandeses de
grande
sucesso no
seu
país de
origem e na Europa
que
são
quase
desconhecidos
por
aqui.
Um dos
principais é Harry Mulisch.
Ele completou 80
anos
em 29 de
julho de 2007 e,
apesar de
ser apontado
como
um
dos
maiores
escritores
holandeses,
com
fama
também
no
exterior,
é
pouco
citado no Brasil, sendo
autor
de
livros
já
transformados
em
filme. É o
caso de O assalto
e A
descoberta do
Céu, a
história de
dois
anjos
que querem
devolver as
tábuas
originais dos
Dez
Mandamentos ao
céu e se aliam a
dois
homens
para
cumprir a
tarefa.
Vale
ressaltar
também a
obra Siegfried, de 2000,
onde Mulisch narra uma
história
em
que o
ditador
nazista Adolf Hitler teria tido
um
filho
com a
sua
amante Eva Brown. O
segredo guardado a
sete
chaves é
descoberto
pelo
protagonista do
livro,
um
escritor.
Outro
nome
essencial é Cees Nooteboom. Considerado
por
críticos
como A. S. Byatt e J. M. Coetzee
como
um dos
autores de
maior
alcance da
literatura mundial e diversas
vezes cotado
para o Nobel, foi
um dos
convidados
mais aguardados da
oitava
edição da
Festa
Literária
Internacional de Parati (Flip) e teve
um de
seus
principais
livros,
Paraíso Perdido, traduzido
para o
português
pela
Editora
Companhia das
Letras.
A
obra
começa e termina
com o
famoso
poema de John Milton
que dá
título à
obra e
mistura a
mitologia dos
anjos
com o
universo das
viagens,
tão
próprio do
autor denominado “holandês
voador”. A
protagonista do
livro é
Alma, uma
brasileira, moradora dos
Jardins e
fã de Maria Bethânia.
Ela adora
anjos,
sonha
em
conhecer a Austrália e é estuprada na
favela de Paraisópolis, na
cidade de
São Paulo. Resolve
partir
então numa
missão
espiritual, tem
um
breve
romance
com
um
aborígene e se
torna
importante
para
um
crítico
literário holandês, o
qual a
reencontra numa
clínica na Áustria.
Um
terceiro
escritor
que merece
atenção Hugo Claus. Falecido
em
março de 2008,
esse
escritor belga de
língua holandesa foi várias
vezes mencionado
como
possível vencedor do
Prêmio Nobel de
Literatura.
Ele produziu
mais de 200
trabalhos
como novelista, foi
um
poeta,
artista,
dramaturgo e
diretor. A
divulgação
maior de
seu
nome no Brasil
também é
um
questão a
ser
melhor discutida.
Na
poesia,
um
nome
fundamental é Arjen Duinker. Considerado
um dos
poetas
mais
importantes da Holanda, nasceu
em Delft,
em 1956. Formado
em
filosofia e
psicologia, publicou,
além de
um
romance, onze
volumes de
poesia.
Em 2001, recebeu o
Prêmio Jan Campert
pelo
livro De geschiedenis
van een opsomming (A
história de uma
enumeração, 2000). A
coleção De Zon en de Wereld (O
sol e o
mundo) ganhou o
Prêmio de
Poesia VSB 2005 e foi publicado
em
tradução inglesa na Austrália. A
obra de Duinker está traduzida
em várias
línguas, tendo
também constado
em várias compilações na França, Portugal,
Itália, Irã, Rússia,
Reino Unido, China, Finlândia, Croácia e
México.
Duinker
trabalha,
em
conjunto
com o soprador de
vidro Bernard Heesen, no
dicionário
enciclopédico O
Mundo do Soprador de
Vidro.
Juntamente
com a
poeta francesa Karine Martel, escreveu En dat? Oneindig/
Et
cela? L'infini (E
Isso? O
Infinito).
Em 2007, Arjen Duinker publicou o "quarteto
para duas
vozes" Starfish, Zeester, Etoile de mer,
Estrella de
mar (quatro
poemas
diferentes
em
quatro
línguas
diferentes).
Atualmente dedica-se a
parcerias
com o trompetista Eric Vloeimans, o
compositor Hans Koolmees e o guitarrista de
flamenco Eric Vaarzon Morel. Arjen Duinker continua a
residir e a
trabalhar
em Delft.
SUGESTÃO 7
A
tríade Harry Muslich, Cees Nooteboom e
Hugo Claus,
mais o
poeta Arjen Duinker,
poderia
ser
proposta
como uma
coleção
para alguma das
empresas citadas neste mapeamento. A
verba
para publicação
poderia
surgir de uma
parceria
com
empresas holandesas no Brasil.
Analogamente,
autores
brasileiros teriam
livros publicados na Holanda.
SUGESTÃO 8
Selecionar,
com
professores de
literatura holandesa, uma
lista de
cinco
autores
contemporâneos
que poderiam
participar de
um
projeto de
residência no Brasil,
em
cidades
que tenham
bienais
ou
festivais de
literatura.
Cada
um ficaria numa
cidade
diferente e, ao
final do
período, faria
um
trabalho
literário a
ser publicado
em
edição
bilíngüe,
português e holandês.
Esse
material ajudaria no
ensino da
língua holandesa proposto na
Sugestão 1.
Também é
possível
fazer o
contrário,
ou seja,
enviar
cinco
escritores
para a Holanda e
narrar a
sua
experiência
em
forma de
texto. Dependendo do
formato
editorial escolhido, é
possível
fazer
um
livro
ou
dois.
PANORAMA DA
PRODUÇÃO
NACIONAL
CONTEMPORÂNEA
Um
dado
importante é
que
não existem,
como houve no
início do
século XX,
grupos e
projetos
coletivos
contra
um
adversário
definido. Os modernistas de 1922,
por
exemplo, combatiam o “bom
gosto”
burguês e a
poesia
parnasiana,
assim
como os
romancistas de 1930 lutavam
contra os
desmandos
políticos dos
senhores de
engenho, e os
escritores dos
anos 1970 tinham
como
inimigo a
ditadura
militar, escrevendo
ficções
onde diziam
aquilo
que
não podia
ser
dito
nos
jornais.
O
clima de
liberdade
política gera
múltiplos
caminhos
para os
jovens
escritores. Há,
portanto, uma
rica
variedade de
tendências
sem a
necessidade de
vínculo a
movimentos
estéticos
ou ideológicos
ou de
cerceamento
por
patrulhamentos de
qualquer
ordem.
Em
termos de
gêneros, é
possível
detectar a
retomada do
fantástico (gênero
pouco cultivado
entre
nós), o
jogo da reescritura (que
tem rendido
ótimos
romances e
contos), o
diálogo
com outras
linguagens,
em
especial a da
televisão (que
substitui o
cinema no
gosto dos
novos
autores)
mas
também a da
história, do
ensaio, da
mídia. Há
também uma
tímida
volta ao
campo e a
cidades do
interior, o
humor, a
narrativa
policial e o
romance
histórico.
Nos
autores
que começaram a
publicar
nos
anos 1980 e 1990, prevalece a
temática
urbana, vinculada à
violência,
drogas e
sexo. Há
também
alguns
autores trabalhando
bem
com os variados
processos de reescritura, retomando
momentos
ou
obras
importantes de
nossa
história
literária.
Uma
lista dos
principais
romance do
século XX incluiria,
entre
outros, Macunaíma, de Mário de Andrade,
Vidas
secas, de Graciliano
Ramos,
Grande
sertão:
veredas, de Guimarães
Rosa,
Crônica da
casa assassinada, de Lúcio Cardoso,
para
ficar
nos
clássicos,
todos
eles dos
primeiros 70
anos.
Nos
anos 1980 e 1990, os
destaques iriam
para O
quieto
animal da
esquina, de João Gilberto Noll, A
grande
arte, de Rubem Fonseca,
Um
crime
delicado, de Sérgio Sant'Anna, e
Em
liberdade, de Silviano Santiago.
Uma
discussão
bastante
comum é se existe
ou
não uma
literatura
feminina. É aquela
que
trabalha,
sob o
ponto de
vista a
mulher
em
temas
como
gravidez,
sexo,
amor,
relações
homossexuais,
amizades e o
próprio
ato de
escrever,
que tem
paradigmas
fundamentais
como Lygia Fagundes Telles, Clarice
Lispector e Rachel de Queiroz e
que compartilham
todo
um
universo de
referências,
maneirismos e
preocupações.
Alguns
nomes
importantes das
novas
gerações
são: Clarah Averbuck, Állex Leilla, Ivana
Arruda
Leite, Cecília
Costa,
Índigo (pseudônimo de
Ana Cristina de
Oliveira),
Ana Paula
Maia, Claudia Tajes, Simone
Campos, Mara Coradello, Tércia Montenegro,
Cíntia Moscovich e
Rosa Amanda Strausz.
História de uma
espera
Um
livro
importante nas
relações
entre Brasil e Holanda é
História de uma
espera, de Frederico Lucena de Menezes, publicado
pela L.G.E.
Editora. O
livro explora a
realidade multifacetada do Pernambuco holandês.
Mostra
como a
Nova Holanda
era
um
projeto
utópico
com escassas possibilidades de
realização
apesar dos
esforços de Mauricio de Nassau.
O
romance
gira
em
torno do
médico Peter Deneboom. Na
sua
viagem da Holanda
para o Brasil,
ele depara
com
um
inglês chamado Thomas Kemp
que
conta
como,
pouco
antes de
morrer, o
primeiro capitão-geral de Pernambuco teria deixado
um
testamento
que foi
levado
para a Inglaterra
onde circulava de
mão
em
mão
até
desaparecer
nos
tempos de Cromwell.
O
testamento é o
leitmotiv do
romance e simboliza a
procura da
própria
identidade e da
história perdida de Pernambuco. A Europa
inteira é percorrida
pelo
filho de Deneboom
em
busca do
documento. O
pastor
luterano Johann Valentin Andreae
(1586-1654),
um dos
fundadores dos
rosa-cruzes,
encontra
por
fim o
documento,
antes de perdê-lo
definitivamente.
Frederico Lucena de
Menezes, o
autor, nasceu
em 1944 no
Recife, Pernambuco.
Psiquiatra, é
um dos
pioneiros da
introdução da
psicologia junguiana no Brasil. Ensinou
Teoria e
Técnicas Psicoterápicas na
Faculdade de
Filosofia da USP
em
Ribeirão
Preto e deu
aulas de
Psicologia
Política na UnB, na George Washington
University e University of Viginia,
onde continua
como colaborador
internacional.
Atualmente reside
em Brasília.
Traição:
um
jesuíta a
serviço do Brasil holandês
Em
Traição:
um
jesuíta a
serviço do Brasil holandês processado
pela
Inquisição (Companhia
das
Letras), Ronaldo Vainfas
conta a
história de Manoel de
Moraes,
um
jesuíta nascido
em
São Paulo no
final do
século XVI,
missionário
em Pernambuco
que teve
sua
vida
profundamente alterada no
contexto da
conquista do
nordeste
açucareiro
pelos holandeses.
Na
invasão de Pernambuco pelas
tropas holandesas,
em 1630, Manoel de
Moraes tornou-se
um
combatente,
mas passou
para o
lado holandês
em 1634, traindo a
resistência. Informante e
capitão das
forças holandesas,
ele acabou se mudando
para a Holanda,
onde trocou o
catolicismo
pelo
calvinismo.
Moraes casou, teve
filhos, dedicou-se a várias
atividades. O
abandono de
sua
fé o atormentava, o
medo da
Inquisição o apavorava.
Em 1643 resolveu
fazer o
caminho de
volta,
mesmo tendo sido julgado e condenado à
revelia
pelo
tribunal da
Inquisição.
Sua
história o
leva a
percorrer as
atribulações de
um
homem dilacerado
entre a
busca de
riqueza e a salvação da
própria
alma,
entre o
trabalho e a
aventura.
Guerra,
açúcar e
religião no Brasil dos holandeses
Em
Guerra,
açúcar e
religião no Brasil dos holandeses (Editora
Senac), a historiadora Adriana Lopes apresenta o
período
em
que ocorreu a
invasão holandesa
em Pernambuco. Ressalta
quem
em 24
anos de
ocupação, 16 foram de
guerra e
oito de
paz.
Escrita de
forma
acessível, a
obra é acompanhada de diversas
ilustrações da
época.
Provos:
contracultura
em Amsterdam
Já
em Provos - Amsterdam e o Nascimento da
Contracultura (Editora
Conrad), Carlota Cafiero enfoca os Provos, nascidos na Amsterdã dos
anos 1960,
um dos
lugares
mais
tolerantes do
Ocidente, deram o
pontapé
inicial
para o
surgimento da
contracultura.
Eles foram imitados no
resto do
planeta,
inclusive
pelos beatniks e
hippies da América,
mas,
como na Holanda
não se
fala
inglês, o
movimento raras
vezes é lembrado
quando o
assunto
são os
anos 60. O
livro
conta a
trajetória de uma
revolução cultural empreendida
por
jovens
anarquistas
que conseguiram
vários
feitos
através de uma
forma
bastante
original e
criativa de
protesto – a
provocação. Provos significa
justamente "provocadores".
Entre 1965 e 1967, Amsterdã foi
transformada
por
eles num
centro da
desobediência
civil.
A
obra
conta
como o
excesso de
conforto, de
segurança e o
amplo
acesso aos
bens de
consumo na Holanda, tornaram
maior o
anticonformismo dos
herdeiros da
tradição
anarquista.
Eles deixaram o
cabelo
crescer, influenciados
pelos Beatles,
que se apresentaram
em Amsterdã, e
manifestações espontâneas e isoladas de
performáticos contestadores da
indústria e da
propaganda começaram a
ocorrer.
Um deles foi Robert Jasper Grootveld,
que fundou
um
templo antifumo,
onde criava os
seus happenings
contra o
vício disseminado e
inconseqüente da
nicotina.
Sua
igreja se chamava
Dependência
Consciente da
Nicotina,
onde os fiéis entoavam
mantras
como "cof, cof, cof, cof".
Outdoors e
cartazes eram pichados
por
ele
com
um "k"
negro,
inicial da
palavra kanker (câncer).
O
epicentro
era a
praça na Spui, ao
redor da
estátua de Lieverdje –
obra do
escultor Carel Kneuman,
que representa
um
menino de
rua, doada
para Amsterdã
por uma
indústria de
tabaco. Grootveld
pousa
seus
olhos nessa
estátua e decide
fazer
ali,
toda
noite de
sábado,
seus
rituais,
cerimônias
que incluem
dança,
canto,
teatro,
jogos e
discursos
absurdos,
frutos do
movimento dadaísta,
que terminam
com uma
imensa
fogueira alimentada
pelos
curiosos e
jovens. A
polícia
era recebida
sempre
com
risos e
dispersão.
Van Duijin e Stolk,
freqüentadores das
cerimônias na Spui, percebem
que as
pessoas
que delas participam têm
um
grau de
consciência
muito
elevado, e
que o
evento tem
um
significado
social
explosivo. Lançam uma
revista
mensal intitulada Provos,
inicialmente
um
panfleto colocado
clandestinamente
dentro de
jornais
conservadores,
onde defendem uma
conduta antisocial (contra
o
bem-estar holandês), o nomadismo, a
arte, a
ecologia e o
fim da monarquia.
Pela Provos, os
jovens eram conclamados a se unirem
contra os
automóveis, a
polícia e a
igreja e a serem
favoráveis ao
uso da
bicicleta, à
emancipação
sexual,
sobretudo do
homossexualismo, à
maconha, ao
fim da
propriedade
privada e a
qualquer
forma de
poder
ou
proibição.
Vários
projetos dos Provos
são
ainda
hoje
parte da
rotina de Amsterdã,
como as
bicicletas “sem
dono”.
Em
protesto
contra a "caixa
peidorrenta de
ferro" (como
definiam o
automóvel), foi lançado o
Plano da
Bicicleta
Branca. Os
jovens
que freqüentavam a Spui levavam
suas
bicicletas
para serem pintadas de
branco e
depois as espalhavam pelas
ruas
para o
uso
irrestrito de
todos.
Outra
conquista foi a
liberalização da
maconha.
PROJETO
BILÍNGÜE
Em
janeiro de 2008, a escritora portuguesa
Joana Serrado foi premiada na Holanda
para
desenvolver
um
livro poético
em
português e holandês.
Ela recebeu o
Prêmio holandês Hendrik de Vries, da
Câmara Municipal de Groningen no
valor de
seis
mil
euros,
para
desenvolver
um
projeto
bilíngüe,
em
português e holandês.
Com uma
bolsa da
Fundação
para a
Ciência e
Tecnologia,
ela vai
ficar
três
anos na Holanda a
tirar o
doutoramento na
área de
estudo
científico da
religião. A
idéia é
editar
um
livro de
poemas
subordinado ao
pensamento da
casa
como
espaço
privado,
doméstico,
familiar e
feminino,
oposto ao
espaço
público. Nesse
aspecto, a
casa
também pode
ser considerada a
língua. Nesse
sentido Hendrik de Vries,
que dá
nome ao
prêmio, fez o
oposto de Joana. Abandonou o
seu
país
para
viver e
escrever
em
espanhol.
SUGESTÃO 9
Devido à
relevância dos
textos apontados,
verificar a possibilidade de publicação, na Holanda,
dos
textos citados produzidos no Brasil e,
em
relação a Joana Serrado,
verificar
como o
projeto dela pode
também
ser publicado no Brasil.
COPA DA
LITERATURA
BRASILEIRA
Trata-se de uma
maneira
alternativa
inteligente de
debater a
produção
editorial
recente do
País. Foi realizada
em 2006. Dezesseis
livros, escolhidos de
forma
bem
pouco
científica
entre os
romances
brasileiros lançados naquele
ano disputaram o
prêmio
em
quatro rodadas.
A
cada
jogo,
dois
livros se enfrentavam,
com o vencedor passando
para a rodada
seguinte e o perdedor sendo eliminado do
campeonato.
Cada
jogo foi
decidido
por
um
jurado,
que escrevia uma
resenha
para
anunciar e
justificar
sua
decisão. Na
grande
final,
todos os
jurados votam e elegem o
campeão.
A
idéia é inspirada no
Tournament of
Books,
criado
em 2005
pela
revista
eletrônica
americana
The Morning News
em
parceria
com a
livraria
Powell’s.
O
objetivo
era
levar as
pessoas a
ler as
resenhas e
comentar os
resultados.
Informações:
http://copadeliteratura.com
SUGESTÃO 10
Promover uma
Copa de
Literatura na
qual
especialistas
que dominem holandês e e
português poderiam
atuar
dois
lados do
Oceano,
com
brasileiros avaliando
textos holandeses e
vice-versa.
Isso
poderia
ser
feito
também
com a participação de
internautas e
talvez
gerar
edições
bilíngües.
POESIA
BRASILEIRA
CONTEMPORÂNEA
Existem
nomes
que merecem
referência
pelo
que andam buscando,
tanto
em
termos de uma
estética renovada
quanto
pela afirmação de uma
personalidade
literária,
como Jorge Lucio de
Campos,
Contador Borges, Fabrício Carpinejar,
Adriano Espínola, Leontino
Filho, Donizete Galvão e Maria Esther
Maciel.
Cabe
mencionar a
importância da
divulgação da
poesia
brasileira realizada
pela
revista
Poesia
Sempre,
criada
por Affonso
Romano de Sant'Anna
quando
presidente da
Biblioteca
Nacional.
Críticos
como Antônio Carlos Secchin e Ivan
Junqueira devem
ser lembrados
nos
seus
esforços de
levar os
principais
nomes
para além-fronteiras,
apesar das
barreiras
que a
poesia
brasileira enfrenta
por
ser
escrita
em
língua portuguea,
idioma de repercussão limitada.
São
importantes
ainda os
poetas
Augusto e Haroldo de
Campos, Arnaldo Antunes, Claudia
Roquette-Pinto, Carlito Azevedo,
Chacal, Eucanaã Ferraz, Heitor Ferraz
Mello,
Ferreira Gullar,
Augusto Massi, Glauco Mattoso,
Tarso de Melo, Fernando
Paixão, Roberto Piva, Adélia
Prado, Waly Salomão, Caetano Veloso,
Augusto
Machado, João
Bandeira, Júlio Castanõn Guimarães, Josely
Vianna Baptista, Manoel de
Barros, Nelson Ascher, Orides Fontela,
Régis Bonvicino, Sebastião Uchoa
Leite, Duda
Machado, Paulo Leminski e
Ana Cristina César.
Eles constituem uma
poesia
muito representativa das
tendências
estéticas da
poesia
brasileira
contemporânea.
Especificamente
em
relação à Holanda,
vale
lembrar a
série de
poemas de
Bárbara
Lia
chamada Vicente
Van Gogh:
orgulho da Holanda,
que inclui
três
poemas: Tecendo
estrelas de
Van Gogh,
Campos de
trigo e O
artista e a
arte (http://www.cronopios.com.br/site/poesia.asp?id=545).
Professora de
História e escritora,
Bárbara publicou
poemas no
jornal
Rascunho, Fenestra,
Garatuja,
Mulheres
Emergentes,
Revista Etcetera,
Revista Coyote,
Ontem choveu no
futuro (na
Internet),
Revista Zunái, Germina
Literatura, Blocosonline e
Editora
Ala de Cuervo.
Finalista do
Prêmio Sesc de
Literatura 2004,
com o
romance
Cereja &
Blues, publicou o
livro de
poesias – O
sorriso de Leonardo – Kafka
edições
baratas.
Mora
em Curitiba há vinte
anos.
NOVAS
MÍDIAS
Pesquisa
sobre
novas
mídias, realizada
pela
agência McCann e divulgada
pela Intel,
em 2007, indica
que dos 170
milhões de blogueiros do
mundo, 5,9
milhões
são
brasileiros. O Brasil seria o
quinto
maior
grupo de
leitores de blogs,
com 10%
mais
leitores
que a
média mundial.
Realizada
com 10
mil
pessoas (que
representam estatisticamente 75% dos 532
milhões de
usuários web do
mundo)
entre o
final de 2006 e
início de 2007
em 21
países, a
pesquisa
mostra
que o
número de
internautas
europeus
ainda é
mais do
que o
dobro do
que o
número de
pessoas
com
acesso à web
em
dois dos
países
mais
populosos da América
Latina – Brasil e México.
Juntas, estas
nações contabilizam 30,9
milhões de
internautas.
No ranking dos
países
com o
maior
número de blogueiros, estimado
em 170
milhões de
internautas, o Brasil ocupa a
terceira
posição (5%
acima da
média mundial,
em
número
absoluto
sobre a
população
com
acesso à web),
com 5,9
milhões de
usuários.
A
disseminação de
conteúdo
multimídia
também merece
destaque. O
País é o
quarto no
mundo
em
número de
upload de
fotos,
com uma
média de
imagens carregadas
um 23%
acima da
média mundial. O Brasil é
ainda o
terceiro
país no
mundo
que
mais assiste
vídeos na web e o
segundo
que
mais carrega
conteúdo
multimídia na
internet.
Ainda na
área
multimídia, os
brasileiros
são o
terceiro no ranking mundial
em
download de podcasts.
A
pesquisa confirmou
que o Brasil tem o
maior
número de
usuários de
redes
sociais,
como o Orkut e o YouTube,
com o México na
segunda
posição.
Entretanto,
quando o
assunto é comunicadores
instantâneos (IM), a
situação se inverte,
com o Brasil ocupando o
segundo
lugar.
SITES
BRASILEIROS NA HOLANDA
Esse
forte envolvimento dos
brasileiros
com a
internet
talvez explique a
existência da
site brasileirosnaHolanda (www.brasileirosnaholanda.com).
Trata-se de um universo muito interessante para aproximar os dois
países. São pessoas que compartilham informações que poderiam oferecer
ricas interpretações do que significa ser holandês e viver naquele país.
SUGESTÃO 11
Alguns
colunistas do
site brasileirosnaHolanda podem
auxiliar no
desenvolvimento de
atividades
que podem
vir a
aumentar
esse
diálogo. Merecem
destaque: Arnild
Van de Velde (atua
com
jornalismo e
projetos culturais), Clarissa
Matos (jornalismo
e
literatura), Clívia Caraccíolo (jornalismo
multimídia), Elisangela Kanacilo (seu
interesse está no
choque cultural de uma
brasileira
que vai
para a Holanda), Gisa Muniz (tradutora e
intérprete e autora de
dois
livros
sobre
português
para holandeses), Luana
Ferreira (relações
públicas, divulga
arte e
cultura
brasileira) e Margô Dalla (artes
plásticas e
jornalismo).
BLOGS
Existem, no
mínimo,
dois blog interessantes de
mulheres brasileiras
que contam as
suas
experiências
com
imigrantes brasileiras na Holanda. A
advogada Naldy Veldhuis (http://www.dynaholanda.blogspot.com/)
e a paulista Adriana (http://www.drinaholanda.blogger.com.br/2006_01_01_archive.html),
casada
com o holandês Bart, morando
em Eindhoven
desde maio de 2003, são dois exemplos.
SUGESTÃO 12
Unir blogueiros
brasileiros
que moram na Holanda e
vice-versa, estimulando-os a
escrever
textos
sobre a
experiência da
imigração
poderia
render publicações coletivas seria uma
experiência
muito interessante.
LITERATURA E
ARTES
VISUAIS
Johann Gutlich
Existe uma
artista
plástico holandês
que tem uma
história
muito
bonita de
ensino de
artes
visuais no Brasil.
Seu
nome é Johann Gutlich.
Ele nasceu
em Rotterdam, Holanda,
em 29 de
agosto de 1920, foi
andarilho na Europa,
imigrante e
professor de
artes
plásticas no Brasil.
Sua
história
passa
por
dois
continentes e
por duas
principais
expressões: uma figurativa,
com densas
imagens de
retratos e
outra
abstrata,
em
que o
lirismo se faz
presente
pelo
sábio
uso das
cores,
inclusive no
desafio de
lidar
com o
branco e
suas variações no
espaço.
Gutlich,
que se formou na
Academia de
Artes
Plásticas e
Ciências
Técnicas da
sua
cidade
natal, chegou ao Brasil
em 1952,
com 100
quadros na
bagagem,
convidado dos
Museus de
Arte
Moderna de
São Paulo e do
Rio de
Janeiro
para
dar
palestras de
grande repercussão.
Acabou ficando
em
São Paulo e mudando-se
para
São José dos
Campos,
onde de 1962 a 1970 atuou
como
diretor
artístico da
Escola de Belas
Artes do
Vale do Paraíba,
em
São José dos
Campos,
instituição
onde formou
centenas de
alunos e
que se desintegrou
com o
regime
militar e
com a
sua
saída do
comando.
Os
seus
retratos, de
cunho
expressionista, diferenciam-se do
gênero praticado na Alemanha
por terem
como uma
referência
onipresente a
fineza dos
mestres holandeses.
Isso
que
dizer,
em
termos
visuais, uma
sensibilidade a
toda
prova na
forma de
captar e de
representar pictoricamente
estados d’alma.
A
arquiteta Lina Bo Bardi escreveu,
em 1957, na
revista Anhembi,
que o
traço de Gutlich
era “forte,
incisivo,
sem
hesitações – uma
pincelada
que
nunca
volta
atrás”. Pode-se
acrescentar
que
suas
cores evocam
ainda os
amarelos dos
campos de
trigo e os azuis do
céu da Holanda.
Fenômeno
semelhante ocorre
com as
cores de Aldemir Martins, oriundas das
paisagens
cearenses, e de Portinari,
com
seus
ocres
que evocam
diretamente a
terra
roxa de
sua
cidade, Brodósqui.
Transformar essas
memórias e
evocações
visuais é
um
desafio do
qual
somente o
progressivo
domínio
técnico permite
sair
vitorioso.
Gutlich tem uma de
suas obras-primas no
retrato
que fez do
ator Sérgio Cardoso no
papel de Esopo. O
que se destaca
ali é o
diálogo
entre as
cores e a
forma de
compor os
planos, criando,
muito
mais
que a
imagem de
um
personagem, uma
atmosfera,
um
estado
psicológico.
Isso se acentua na
série
sobre
figuras do
sertão nordestino
que fez tomando
como
ponto de
partida o
filme O
cangaceiro, de
Lima Barreto, de 1953.
Sua
visão do
tema é
plena de dramaticidade e os retratados
aparecem
não
apenas
em
sua
dimensão
humana,
mas
com
um
tom
até
certo
ponto mítico e
medieval,
como
heróis de uma
saga de
luta e sofrimento,
onde a
morte é uma
companheira
constante.
Os camponeses
pintados
por Gutlich seguem
esse
mesmo
raciocínio
pictórico e filosófico. Provêm da
vida
real, portam uma
carga de
intensa
humanidade
que os coloca
em
contato
direto
com o
observador. A
saga deles se
torna a
nossa, e a
imagem carrega
perguntas existenciais
sobre o
próprio
sentido e
significado da
vida.
Em
1969,
com a
chegada do
homem à
lua,
fato
que marcou uma
geração, Gutlich,
segundo
seu
filho, George, gravurista, repensou a
própria
vida e a
pintura. As
figuras deram
lugar
então a
abstrações,
que continuam a
ser
sentimentos de
estar no
mundo,
só
que
agora
sem a
âncora e
apoio de
seres reconhecíveis.
O
artista holandês, falecido no Brasil,
em 2000, mergulha no
espaço e o
conquista
principalmente
pelo
sábio
uso da
cor
branca e
pelo
estabelecimento de uma
linguagem
em
que
tons de
verde e de
amarelo se fazem
presentes nas
composições,
bastante movimentadas plasticamente no
sentido de serem
um
resultado
visual
apenas
possível
para
quem
já
tinha
um
intenso
conhecimento de
pintura a
óleo.
Johann Gutlich tem uma
história
humana
ímpar de
imigrante holandês mergulhado
nos
trópicos
que se dedicou à
sua
arte
com
total
intensidade e
profissionalismo.
Acima de
tudo,
porém, deixou
obras,
tanto
em
seu
expressionismo figurativo
como
abstrato,
que o colocam num
local diferenciado na
cultura
brasileira
que
precisa
ser resgatado e reavaliado,
como
artista
sabedor de
que o
ofício de
pintar
não é
diletantismo,
mas
um
universo
onde a
prática
constante
leva ao aperfeiçoamento.
O
filho de Johann, George Rembrandt Gutlich,
além de
manter
um
ateliê
em
São José dos
Campos, desenvolveu
dissertação de
mestrado, publicada
em 2005 na
forma de
livro
pela Annablume e Fapesp,
sob o
título
Arcádia Nassoviana:
natureza e
imaginário no Brasil Holandês.
George desenvolve uma
reflexão
sobre a
dimensão simbólica dos
elementos
naturais e
gravuras realizadas
por
artistas da
comitiva de Maurício de Nassau no Brasil.
Trata-se de
elaboração
baseada nas
convenções do
discurso
pictórico do
século XVII, na Holanda. As
obras
são analisadas tendo
em
vista o
repertório holandês da
época, sendo de
grande
interesse
para a
História da
Arte e da
Cultura.
George Gutlich
A
arte da
gravura
encontra
em George Rembrandt Gutlich
um representante visceral, daqueles
que dedicam a
sua
vida
não
tanto ao
desenvolvimento de
um
tema
específico,
mas
sim ao
aprimorar
um
pensamento e
discutir
questões
técnicas
tanto no
ofício da
feitura
como no da
impressão.
Seu
ateliê
em
São José dos
Campos, SP, funciona
como
centro de
discussão de
propostas
estéticas e
também de experimentação de
formas de expressividade,
em
que
alunos e
professor debatem e trocam
processos
que podem
levar a uma
melhor
realização de
projetos
individuais.
Do
conjunto da
obra de Gutlich,
que
também faz
incursões
pela
pintura, há
dois
universos
que se interligam
em
diversos
aspectos,
embora
aparentemente afastados. O
que
eles têm
em
comum é
justamente o
princípio de
que o amadurecimento
plástico é uma
constante e os
melhores
trabalhos
não
são os
já
feitos,
mas
aqueles
que estão
por
vir, num
autêntico e
sincero
caminhar.
Um
universo do
artista, nascido
em
São José dos
Campos
em 1968 e
filho do
pintor holandês Johann Gutlich,
que
veio
para o Brasil no
começo da
década de 1950, é o
que se
alimenta de
paisagens.
São
cenas urbanas,
preferencialmente de
galpões e
ambientes semi-abandonados
em
que o
foco é a
arquitetura
como
um
diálogo
visual
com o
espaço.
A
ausência do
elemento
humano surge
como
fato
significativo na
poética do
artista. O
que se tem é a
exploração dos
claros e
escuros de
modo a
configurar
um
universo
em
que as
áreas
em
branco ganham uma
dimensão
próxima ao
metafísico,
já
que a
discussão
que se instaura é a da
inserção das
construções humanas no
espaço e o
seu
abandono.
Quando se
trata de
lançar os
olhos
sobre o
universo
rural, é o
banhado,
região de
São José
conhecida pelas
suas
zonas encharcadas e a
constante
bruma
matinal. Esta
última
ganha, na
forma de
expressão da
gravura, várias
conotações e
visualizações,
tanto no
que diz
respeito à
questão
ecológica
quanto à
oportunidade de exercitar-se tecnicamente,
juntando o
pensar
bem ao
saber
fazer.
Um
outro
segmento de
trabalhos,
distinto no
assunto,
mas
muito
próximo
em
relação ao
olhar lançado
sobre referenciais
concretos, é o
que se
volta aos
brinquedos
antigos, colocados nas
mais
diferentes
composições, num
exercício
que se realiza na
temperatura
plástica de naturezas-mortas européias,
mas
com uma acurada
pesquisa
que
passa
pela
discussão dos
materiais e
processos.
Com uma
ampla
cultura de
referências
visuais e de
leitura, George Gutlich absorve
idéias
tanto do
mundo
greco-romano
como do italiano.
Isso pode
ser comprovado na
reflexão
que interliga a
Torre de
Babel, de Pieter Bruegel, à
paisagem ao
fundo da
Mona
Lisa, de Leonardo da Vinci.
Assim,
cada
nova
pesquisa mantém das antigas as
leituras e
vivências
como
aluno,
professor e
autor,
por
exemplo, de
Arcádia Nassoviana:
natureza e
imaginário no Brasil holandês.
É no
universo das
suas
cartografias artisticamente transformadas
que Gutlich perfaz
sua
caminhada pelas
artes
visuais.
Como
um de
seus
ícones preferidos da
série das
imagens inspiradas na
infância, o
ventilador,
ele dissemina
sua
erudição,
sensibilidade,
poder
expressivo,
capacidade criadora e
olhar
treinado de
impressor,
em
seu
próprio
trabalho e no de
seus
alunos, tornando-se
um dos
principais gravuristas,
em
talento e
influência, de
sua
geração.
SUGESTÃO 13
Editar
livro
sobre a
vida e
obra de Johann Gutlich,
em
edição
bilíngüe, enfatizando o
seu
papel
como
pintor,
educador e
formador de
diversos
artistas na
região do
Vale do Paraíba.
Também é recomendável a publicação da
dissertação de
mestrado de George Gutlich
sobre
gravuras realizadas
por
artistas da
comitiva de Maurício de Nassau no Brasil.
LITERATURA E
CINEMA
Em
menos de
dez
anos a Holanda
já levou
dois Oscars de
melhor
filme
estrangeiro,
com A
Excêntrica
Família de Antonia,
em 1996, e
Caráter,
em 1998.
Pátria,
nos
anos 1950/1960, de uma
ilustre
escola de
documentaristas (Joris Ivens, Bert Haanstra),
o
país
volta ao
circuito
internacional, na
década de 1970,
com
Paul Verhoeven (Louca
paixão).
Depois
que
ele vai
para os EUA, o
prestígio do
cinema holandês no
exterior fica a
cargo do neo-realismo de Alex
Van Warmerdam (Os do
Norte) e do
surrealismo de Joe Stelling (O ilusionista,
de 1984).
O Festival
do Cinema Holandês,
no mês de setembro, faz parte da agenda anual de Utrecht, uma cidade
histórica ao Sudeste de Amsterdã, mas que durante dez dias se converte
na capital do cinema holandês. O objetivo principal é promover as
produções cinematográficas da Holanda que no passado já rendeu pesos
pesados nas telas de Hollywood como Rutger Hauer e Jeroen Krabbé.
Merece
lembrança
ainda o 31º
Festival de
Cinema de Roterdã, na Holanda. É o
primeiro no
calendário
internacional de
festivais
realmente dedicado ao
cinema
independente, à
ousadia e à
diversidade.
Sua
vocação é
estimular o
cinema e
co-produzir
filmes
em
diversos
países
por
intermédio da
Fundação Hubert Bals,
nome do
fundador do
festival e
que o dirigiu
até
morrer
em 1988. Foi
através de Roterdã,
por
exemplo,
que o
cineasta
brasileiro Carlos Reichenbach se tornou
conhecido na Europa,
onde
vários de
seus
filmes chegaram às
salas de
cinema.
SUGESTÃO 14
Verificar a possibilidade de
edição, na Holanda e no Brasil de uma
biografia e
seleção de
roteiros de
cinema de Carlos Reichenbach,
cineasta
brasileiro
bastante
conhecido na Holanda. O
lançamento
poderia
ser
associado
com uma
mostra de
filmes do
artista.
CINEMA E
OFICINA
LITERÁRIA
O
Museu de
Arte
Moderna Aluísio Magalhães (Mamam),
em
Recife, promoveu uma
atividade
que pode
ser repetida
em
outros
locais da
cidade,
municípios e
Estados
brasileiros. Houve a
exibição do
filme Maurits
Script, de Wendelien
Van Oldenborgh,
que apresenta
textos
escritos
por Nassau no
período da
invasão dos holandeses, e uma
discussão
contemporânea
sobre
seu
legado.
Os
trechos
são lidos
por
pessoas de várias
nacionalidades
como se fosse o
roteiro de uma
peça de
teatro. Há
informações
sobre as
impressões do
conde holandês
sobre a
escravidão, o relacionamento dos
portugueses
com os
indígenas, os
aspectos
físicos da
terra e da
cidade e a
economia voltada
para o
cultivo da
cana-de-açúcar. Ao
final, os participantes da
leitura trocam
impressões
sobre
tópicos
como
imigração,
racismo e
esquecimento
histórico de
fatos
importantes.
Após a
exibição do
filme, ocorreu
um
debate
sobre as
questões abordadas
por Nassau,
com a participação de
especialistas e
também da
platéia. A
discussão foi, na
ocasião, acompanhada
por Wendelien,
que filmou as
reações da
platéia numa
tentativa de
coletar as
impressões de holandeses,
brasileiros,
africanos e de todas as
etnias envolvidas nesse
intercâmbio cultural
entre Brasil e Holanda. (Informações:
www.mamam.art.br)
SUGESTÃO
15
Exibir o
filme Maurits
Script, de Wendelien
Van Oldenborgh,
que apresenta
textos
escritos
por Nassau no
período da
invasão dos holandeses, e
promover, no Brasil e na Holanda, uma
discussão
contemporânea
sobre
seu
legado,
assim
como
oficinas literárias
sobre o
tema.
CONVÊNIO
Existe
um
Protocolo de
Cooperação
Acadêmica da PUC-RS
com a
Universidade de Utrecht, Holanda, firmado,
em
outubro de 2003,
para o
desenvolvimento de
atividades científicas
relevantes e de
interesse
mútuo
nos
domínios da
Língua,
Literatura e
Cultura
Brasileira na Holanda e no Brasil.
Pertence a
esse
acordo a participação na
produção da
revista
eletrônica "P", mantida
pela
Universidade e dirigida
pelo
docente Paulo de Medeiros.
Informações:
http://www3.pucrs.br/portal/page/portal/pucrs/Capa/AdministracaoSuperior/aaii
SUGESTÃO 16
Verificar a possibilidade de
intensificar e
ampliar o
Protocolo de
Cooperação
Acadêmica da PUC-RS
com a
Universidade de Utrecht, Holanda.
SÍNTESE DAS
SUGESTÕES
1 –
Fomentar o
ensino
de
língua
holandesa no Brasil.
Isso
pde
ser
feito,
por
exemplo,
por
intermédio
de Michel Armand Koopmans.
2 –
Elaborar
um
projeto de
tradução da
literatura dos
viajantes portugueses
que vieram ao Brasil
com Maurício de Nassau. A
fonte
primordial está na
seção denominada Bibliotheca Duncaniana da
Real
Biblioteca da Haia.
3 –
Verificar a possibilidade de
editar
alguns
textos
importantes,
preferencialmente voltados
para os
jovens, e distribuí-los
gratuitamente pelas
bibliotecas públicas.
4 –
Elaborar uma
estratégia
que
não
leve
em
conta
apenas a
produção do
livro,
mas,
principalmente, a
sua
distribuição. A
decisão
mais
sábia parece
ser
trabalhar
com
material de
baixo
custo e
ampla
tiragem.
5 –
Ter
sempre
em
mente a interdisciplinaridade,
ou seja, a
relação
entre
diferentes
áreas do
conhecimento.
Livros podem
falar de
artes
visuais,
cinema
ou
teatro
sem
perder a
sua
característica
literária.
6 –
Conseguir a participação de
escritores,
roteiristas
ou
cineastas na Flip –
Festa
Literária de Paraty.
7 –
Propor uma
coleção
com a
tríade Harry Muslich, Cees Nooteboom e Hugo
Claus,
mais o
poeta Arjen Duinker. Analogamente,
autores
brasileiros teriam
livros publicados na Holanda.
8 –
Selecionar,
com
professores de
literatura holandesa, uma
lista de
cinco
autores
contemporâneos
que poderiam
participar de
um
projeto de
residência no Brasile
vice-versa.
9 –
Verificar a possibilidade de publicação, na Holanda,
dos
autores e
textos citados neste mapeamento.
10 –
Promover uma
Copa de
Literatura na
qual
especialistas
que dominem holandês e
português poderiam
atuar dos
dois
lados do
Oceano,
com
brasileiros avaliando
textos holandeses e
vice-versa.
11 –
Alguns
colunistas do
site www.brasileirosnaHolanda podem
auxiliar no
desenvolvimento de
atividades
que podem
vir a
aumentar o
diálogo
entre Brasil e Holanda.
12 –
Unir blogueiros
brasileiros
que moram na Holanda e
vice-versa, estimulando-os a
escrever
textos
sobre a
experiência da
imigração.
13 –
Editar
livro
sobre a
vida e
obra de Johann Gutlich,
pintor holandês radicado no Brasil e a
dissertação de
mestrado de George Gutlich,
seu
filho,
sobre
gravuras realizadas
por
artistas da
comitiva de Maurício de Nassau no Brasil.
14 –
Verificar a possibilidade de
edição de
livro
sobre o
cineasta Carlos Reichenbach,
bastante
conhecido na Holanda.
15 –
Exibir, na Holanda e no Brasil, o
filme Maurits
Script, de Wendelien
Van Oldenborgh, e
promover
oficinas literárias
sobre o
legado de Mauricio de Nassau.
16 –
Intensificar e
ampliar as possibilidades do
Protocolo de
Cooperação
Acadêmica da PUC-RS
com a
Universidade de Utrecht, Holanda no
sentido de
desenvolver
atividades na
área de
Língua,
Literatura e
Cultura
Brasileira na Holanda e no Brasil.
O AUTOR
Oscar D’Ambrosio,
jornalista (ECA-USP),
mestre
em
Artes
pelo
Instituto de
Artes da
Universidade Estadual
Paulista (Unesp), câmpus de
São Paulo, é
crítico de
arte e integra a
Associação
Internacional de
Críticos de
Artes (Aica -
Seção Brasil).
Bacharel
em
Letras (Português e
Inglês), é coordenador de
imprensa da
Assessoria de
Comunicação e
Imprensa da Unesp e publicou,
entre
outros, Os pincéis de
Deus:
vida e
obra do
pintor naïf Waldomiro de
Deus e O
Van Gogh
feliz:
vida e
obra do
pintor Ranhinho de Assis (ambos
pela
Editora Unesp) e
Mito e
símbolos
em Macunaíma (Editora
Selinunte).
|
|