por Oscar D'Ambrosio


 

 

 

  Baptistão

 

            A expressão gráfica da irreverência de Emília de Lobato

 

            O grande segredo do universo da caricatura está em prestar atenção aos detalhes. É na arte de ampliá-los ou destacá-los de alguma forma que o profissional da área vai conquistando o seu espaço. Nesse aspecto, Baptistão é um jovem mestre do gênero. Apaixonado por desenho desde a infância, encontrou nele uma expressão ímpar.

            Paulistano, nascido em 1966, ganhou seu primeiro prêmio em 1973, ainda no colégio. É um desenho sobre o Sítio do Pica-Pau Amarelo, que lhe valeu como recompensa livros do autor. Curiosamente, em primeiro plano, estava a boneca Emília. Algo significativo, pois o artista guarda dela a irreverência e a capacidade da surpresa.

            O poder de observação de Baptistão se reflete de maneira peculiar nas imagens que cria a partir de artistas da Música Popular Brasileira, universo pelo qual nutre fascínio. O turbante de Clementina de Jesus, a gestualidade de Marisa Monte, o abdômen de Ney Matogrosso e as feições de Gilberto Gil são apenas exemplos.

            A caricatura também se dá pela contextualização da imagem. É o caso do cigarro de Julio Cortazar, o gesto que aproxima Sarkozy e Napoleão ou o fogo que sai da boca de Nando Reis que o vincula à banda Os infernais. Baptistão, como a imortal personagem de Lobato, vê mais que os outros e transforma a realidade em imaginação.

           

Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção Brasil).

 

 

 

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  Machado de Assis 
ilustração

Baptistão

 

 

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