Auro Okamura: a
transcendência das tramas
Embora
muito tenha
já sido
escrito
sobre as
artes
plásticas
em
busca de uma
definição,
talvez o
termo
que
melhor as explicite é “expressão”.
Pintar,
esculpir e
fotografar constituem
formas de
dialogar
com o
mundo. As
telas de Auro Okamura, nesse
sentido, buscam
justamente
transcender a
realidade
por
meio da
cor e das
composições.
Neto de japoneses vindos de Hiroshima, o
artista
paulistano
não tem a
preocupação
explícita de
retomar as
tradições
orientais.
Sua
linguagem é a das
tramas,
efeito
visual
que o acompanha
desde os
primeiros
trabalhos. Realizados
com numerosas
cores e
formas, constituem
um
processo
plástico
que traz
indagações ao
observador e o obriga a
refletir
mais e
melhor
sobre
tudo
aquilo
que
vê.
O
conjunto de
cada
obra traz uma
harmonia obtida
pela
relação estabelecida
entre a
densidade das
tramas
propostas e a
construção dos
fundos da
tela
ou de
áreas
mais lisas dos
quadros, povoadas, nas
pinturas
mais
recentes,
por
elementos
geométricos. A
desordem da
expressão e a
razão dos
ângulos instauram
um
universo de
perguntas
em
que a
aparente
desordem e a
inquietação dialogam.
Cada
criação traz
um
cosmos. Há o
estabelecimento de
um
universo equilibrado e
pleno de
expressão,
em boa
parte
graças às
cores e
tons utilizados. Surgem, nas
melhores
telas,
momentos de
transcendência,
em
que o
tempo parece
estancar
quando se observa as
tramas
enquanto
elaboração
técnica
progressivamente aprimorada e marcada
por
densa
humanidade.
Oscar D’Ambrosio,
jornalista e
mestre
em
Artes
Visuais
pelo
Instituto de
Artes da Unesp, integra a
Associação
Internacional de
Críticos de
Arte (AICA-
Seção Brasil).