por Oscar D'Ambrosio


 

 


Auro Okamura: a transcendência das tramas

 

            Embora muito tenha sido escrito sobre as artes plásticas em busca de uma definição, talvez o termo que melhor as explicite é “expressão”. Pintar, esculpir e fotografar constituem formas de dialogar com o mundo. As telas de Auro Okamura, nesse sentido, buscam justamente transcender a realidade por meio da cor e das composições.

            Neto de japoneses vindos de Hiroshima, o artista paulistano não tem a preocupação explícita de retomar as tradições orientais. Sua linguagem é a das tramas, efeito visual que o acompanha desde os primeiros trabalhos. Realizados com numerosas cores e formas, constituem um processo plástico que traz indagações ao observador e o obriga a refletir mais e melhor sobre tudo aquilo que .

            O conjunto de cada obra traz uma harmonia obtida pela relação estabelecida entre a densidade das tramas propostas e a construção dos fundos da tela ou de áreas mais lisas dos quadros, povoadas, nas pinturas mais recentes, por elementos geométricos. A desordem da expressão e a razão dos ângulos instauram um universo de perguntas em que a aparente desordem e a inquietação dialogam. 

            Cada criação traz um cosmos. Há o estabelecimento de um universo equilibrado e pleno de expressão, em boa parte graças às cores e tons utilizados. Surgem, nas melhores telas, momentos de transcendência, em que o tempo parece estancar quando se observa as tramas enquanto elaboração técnica progressivamente aprimorada e marcada por densa humanidade.

 

Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção Brasil).

 

 

 

 

 

 



 

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