por Oscar D'Ambrosio


 

 
 

 

Ateliê de Artes e Estudos Artísticos

 

Para brincar de Deus

 

Segundo o pintor Paul Klee, “a arte não reproduz o visível, mas torna visível aquilo que nem sempre é”. Ciente dessa função fundamental da arte em suas mais variadas expressões e técnicas, o casal Ismael Pereira Maciel e Lúcia Roda, ex-professores do Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, vem passando seus conhecimento no Ateliê de Artes e Estudos Artísticos que administram próximo ao metrô Patriarca, na Grande São Paulo.

A instituição conta com oito salas de aula e capacidade para atender 1.500 alunos e já coordenou atividades artísticas desenvolvidas pelo grupo de maioridade Florescer da Vila Formosa e por grupos de jovens vinculados à paróquia Santo Antônio, na Vila Ré. Nessas atividades, o processo de trabalhar em grupo é até mais importante do que o resultado final.

Mas de onde brota a força que faz o casal conduzir uma escola de arte num momento em que a televisão e outros meios de comunicação parecem solapar a força das artes plásticas? Acreditar no poder da pintura e de outras atividades artísticas para mexer o interior das pessoas não pareceria ultrapassado? Maciel e Lúcia respondem negativamente a essas questões com muito talento e trabalho, ingredientes que tornam sua atividade possível.

Nascido em 20 de outubro de 1945, em Ibotirama, BA, Maciel obteve a sua licenciatura plena em Desenho e Plástica, em 1975, e em Educação Artística dois anos depois, na Faculdade de Belas Artes, além de ter realizado diversos cursos complementares de desenho artístico e de publicidade, História em Quadrinhos, cinema, fotografia, teatro e música.

Após uma intensa atividade artística que o ocupou até meados da década de 1970, que lhe renderam diversos prêmios, como o 2º Prêmio “Conselho Estadual de Cultura”, no Salão Paulista de Belas Artes de 1976, Maciel passou a dedicar a maior parte de seus esforços à docência, voltando-se à formação de novos artistas e, principalmente, seres humanos mais completos, com olhar estético mais arguto e a mente mais livre.

Mas Maciel não parou de produzir. Em 1993, participou, em São Paulo, como hors concours no primeiro concurso de Artes Plásticas do Regimento de Cavalaria 9 de julho, que comemorou o seu primeiro centenário. Também participou na mesma condição, em 2000, da primeira Mostra de Arte ao Ar Livre do Parque do Piqueri, em São Paulo, evento em que o artista doou uma obra para a Secretaria Municipal de Cultura.

Maciel lecionou ainda na Faculdade Anhembi Morumbi, PUC-Campinas, Universidade Paulista, Faculdades Integradas Alcântara Machado (FIAM) e Escola Panamericana de Arte disciplinas como Comunicação Visual, Desenho Publicitário e Produção Gráfica.

A atual escola oferece cursos de pintura em tela, cerâmica, História em Quadrinhos, desenho e técnica artística, figura humana, perspectiva, projetos para móveis, decoração, desenho arquitetônico e tapeçaria. Todos eles são lecionados com extrema dedicação por professores que, independente de sua formação universitária, conhecem, pela prática assentada com o passar dos anos, as técnicas que lecionam e com as quais trabalham.

O pintor Marc Chagall acreditava piamente que a arte era, acima de tudo, “um estado da alma”. Essa é a filosofia que orienta o trabalho de Maciel e Lúcia. Ao desenvolverem o potencial artístico de seus alunos, não estão apenas formando novos artistas com possibilidades de obter premiações em salões, mas sim indivíduos mais críticos e cidadãos mais aptos a criar os poemas sem palavras que somente as artes plásticas propiciam.

A arte que Maciel e Lúcia ensinam estabelecem a possibilidade de tornar sentimentos invisíveis de jovens, adultos e idosos em imagens concretas e plenas de expressividade que estabelecem uma nova relação com o mundo, seja como forma de expressão de momentos de alegria ou como combate aos mais variados tipos de depressão, que, como uma serpente, pode engolir a alma e o coração das pessoas.

Pintura, escultura e desenho surgem então como alternativas para a saúde mental e para o bem-estar. O Atelier de Artes e Estudos Artísticos realiza assim sua função de oferecer a possibilidade de as pessoas se encontrarem por meio de uma tela ou cerâmica. Não há dinheiro que pague isso, pois o sorriso de um artista perante a sua obra é um momento único em que o ser humano tem a possibilidade, pelo menos por um instante, sem causar mal algum, de brincar de Deus.

Oscar D’Ambrosio é jornalista, integra a Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA) e é autor de Os pincéis de Deus: vida e obra do pintor naïf Waldomiro de Deus (Editora Unesp).

 

 

 

 

 

 

artCanal

 

Outros Artistas

 

Galeria de Fotos

 

Oscar D’Ambrosio