As mantas de Paula Spivak
Engana-se
quem
pensa
que a
arte existe
apenas nas
manifestações consideradas
nobres da
pintura e
escultura
ou
ainda
nos
caminhos do
conceito, da
performance
ou da
avançada
tecnológica.
Ela pode se
fazer
presente
em
objetos de
uso
cotidiano
repletos de
bom
gosto e
com
um diferencial
criativo.
É o
que ocorre nas
mantas
com
algodão egípcio e
lã de
ovelha,
xales
com
fios italianos e
tapetes
que a
designer
têxtil Paula Spivak concebe.
Ela se faz
presente
pela
idéia
que
deseja
passar e
pela
magia
que transfere, mantendo
sempre o
compromisso de
oferecer uma
sensação renovada de
encantamento.
Nascida na Argentina, foi
por
meio do
curso de
arquitetura
que Paula chegou à
tecelagem
artística.
Isso significou
desvendar
tramas,
cores e
texturas
em
busca de
efeitos
constantes de
surpresa ao
observador. Radicada
em Tiradentes, MG,
desde o
final dos
anos 1990,
ela desenvolveu,
durante
cursos na Europa e na América
Latina, uma
linguagem
própria.
Saber
lidar
com as múltiplas possibilidades das
tramas,
inclusive
com
seus
efeitos de
luz,
trabalhar
com o
diálogo
entre as
cores
ou
com a
riqueza da monocromia e
verificar
como a
textura
tanto pode
ser
atrativa
para o
tato
como
para os
olhos
são os
desafios
cotidianos da
artista.
Em
busca de aperfeiçoamento
constante, apaixonada
pelo
que faz, Paula Spivak dá ao
seu
trabalho a
dimensão das
artes
visuais
por
tornar
cada
peça
que realiza uma
conversa
entre a
sua
alma de criadora e a da
pessoa
que
olha
para a
manta
ou o xale e os vê
não
apenas
como objetos de
desejo,
mas
como peças estéticas dignas de
ser admiradas muito além de
seu
valor de
uso.
Oscar D’Ambrosio,
jornalista e
mestre
em
Artes
Visuais
pelo
Instituto de
Artes da Unesp, integra a
Associação
Internacional de
Críticos de
Arte (AICA-
Seção Brasil).