por Oscar D'Ambrosio


 

 


   As mandalas de Ieda Helal

 

            Círculos sagrados

 

            Realizadas em tinta acrílica, as mandalas da artista plástica Ieda Helal partem do próprio sentido do termo, que significa “círculo”, para propiciar uma jornada interior em cada observador. Nesse aspecto, cada figura, construída com diversos fundos e várias experimentações de cor, oferece,  por meio de uma representação plástica, um retorno do indivíduo a uma unidade primordial.

            A mandala é um espaço sagrado e , dessa forma, cada trabalho apresentado traz em si um ciclo. Símbolos orientais, ligados ao masculino e feminino, além de gradações cromáticas que incluem o lilás e o ocre, por exemplo, relacionam elementos muito importantes nas histórias dos indivíduos e da humanidade, como o fogo, as flores e as folhas.

            Cada mandala estabelece conversas interiores e ainda se relaciona com as outras, num processo em que a circularidade é fundamental como forma de conhecimento das possibilidades e limitações na relação com si mesmo, com os outros e com o universo como um todo.

            Ieda Helal trabalha as mandalas com seu repertório plástico. Isso significa caminhos amplos para a criação formação de mundos em que as imagens transmitem o poder de criação e renovação do poder divino que se manifesta por intermédio das figuras circulares.

            Contemplar uma mandala é um exercício de concentração que permite atingir níveis que estão além do artístico propriamente dito. A profusão de cores e de gestos encontra paralelos nos signos do zodíaco, nos humores e em diversas simbologias, fortemente ligadas à cultura da Índia.

            Os círculos sagrados que Ieda Helal apresenta estão dentro de cada um. Há neles pedaços de nós mesmos com os quais nos identificamos e dialogamos num jogo multifacetado de encontros, desencontros, interrogações e respostas. Nesse jogo de buscas, cada mandala constitui um fascinante universo isolado e, ao mesmo tempo, integrado ao mundo.

 

            Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção Brasil).

 

 



 

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