Jayme Xandó
Asas ao
pensamento
A
arte da
xilogravura oferece
muitos
recursos e
também muitas
armadilhas. Trata-se de
um
universo
peculiar
em
que
sempre é
possível
encontrar
caminhos
para
escapar de
veredas
já escavadas
ou
fórmulas desgastadas utilizadas
por
outros
artesãos. A
busca de uma
linguagem
própria se
torna
essencial.
Jayme Xandó
(1942-2007) soube
como
oferecer
sua
resposta ao
desafio proposto. Algumas das
criações
visuais
que realizou,
como
seus
pássaros e
relógio
com
flores, mostram
justamente a
personalidade de
quem procurava
evitar a
plástica
fácil
em
nome da
construção de uma
carreira.
O
maior
exemplo desse
movimento
interno
para
escapar do
conformismo está no
diálogo do
artista
com a
obra
máxima de Guimarães
Rosa,
Grande
sertão:
veredas. Reside
ali o mergulho numa
questão fundamental:
como a
imagem pode
dar visualidade à
palavra.
Ao se
aventurar
pelo
projeto de
um
calendário, Jayme Xandó revela
habilidade de
colocar
seu
talento
com as
ferramentas a
serviço de uma
idéia. Consegue
assim
ajustar o
seu
pensamento
perante
um
conceito. Faz
isso
com
competência e
criatividade, dando
asas aos
pássaros
que
tão
bem soube
criar.
Oscar D’Ambrosio,
jornalista e
mestre
em
Artes
Visuais
pelo
Instituto de
Artes da Unesp, integra a
Associação
Internacional de
Críticos de
Arte (AICA-
Seção Brasil).