por Oscar D'Ambrosio


 

 


Arte como investimento

 

            Qualquer forma de arte digna desse nome trata-se de uma atividade  eminentemente cultural em que o ser humano expressa a sua relação com o universo, seja por meio de figuras, formas, palavras, sons, gestos e outros signos criados e estruturados de modo a produzir beleza, prazer ou qualquer outro tipo de emoção oriunda de um impacto estético.

            Na avaliação de uma obra de arte, dois elementos são essenciais e complementares. Existe o componente técnico, que abrange o relacionamento do artista com os seus meios (a tela, os pincéis e a tinta, no caso da pintura), e o simbólico, voltado para a trama complexa de relações entre a arte, o sujeito e a sociedade.

            Conceber a arte como investimento significaria, em termos puramente econômicos, realizar uma aplicação de recursos em empreendimentos ou produtos que renderão lucro. Quando se pensa em arte, porém, essa frieza de dados numéricos precisa ser vista sob nova perspectiva.

            A arte também é investimento no sentido de obter um prazer estético renovado a cada observação atenta do trabalho que se possui. Quando se pensa em investir em arte, não se trata apenas de ter um quadro ou escultura em casa e verificar como o trabalho  valoriza no mercado ao longo do tempo, mas de atestar quanto e como a posse de um trabalho plástico dignifica o seu possuidor.

            Ingressar no mercado de arte levando em conta apenas a lógica quantitativa e numérica redundará em fracasso. Embora as informações sobre valores sejam fundamentais, não podem substituir a relação afetiva entre o comprador e a pintura. Eles precisam dialogar numa esfera que vá além do dinheiro e que passe pela da sensibilidade, do gosto e da afetividade.

Assim, barato e caro perdem o sentido, sendo apenas duas facetas de um universo que conjuga o que o mercado dita com aquilo que o coração sente. Nessa balança entre a frieza numérica e a emotividade humana, apenas há um grande vencedor: aquele que se deleita em ter uma obra de arte que julga significativa, considerando-a (por que não?) um investimento, mas também um motivo de prazer estético.

 

Oscar D’Ambrosio, jornalista, é mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes (IA) da UNESP, campus de São Paulo e integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil). É autor, entre outros, de Contando a arte de Peticov (Noovha América) e Os pincéis de Deus: vida e obra do pintor naïf Waldomiro de Deus (Editora Unesp e Imprensa Oficial do Estado de São Paulo).

 
 

 

 

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