por Oscar D'Ambrosio


 

 


Arte em marionetes de Catin Nardi

 

            Geralmente, tem-se a visão pré-concebida de que um criador e manipulador de marionetes é uma espécie de Deus a instaurar novos personagens e mundos imaginários. Quando se observa Catin Nardi à frente da Companhia Teatral de Marionetes O Navegante, percebe-se que o processo é inverso.

São as criaturas que ganharam vida e parecem manipular o criador. Nardi é mais do que um apaixonado pela arte das marionetes. Sua habilidade com o desenho e o desenvolvimento do talento para a visão mecânica de como elas podem se desdobrar nos mais variados movimentos, permite-lhe uma visão diferenciada de mundo.

            Argentino, no Brasil desde 1990, Nardi iniciou a carreira no teatro, em 1981. Suas marionetes foram vistos na novela As filhas da mãe e na microssérie Hoje é dia de Maria. Morando em Mariana, MG, trabalha com a atriz e manipuladora Cássia Saldanha e desenvolve parcerias com grupos como Galpão e Giramundo.

            O que mais impressiona em seu trabalho é a capacidade de desenvolver técnicas construídas com uma arquitetura que busca oferecer ao manipulador o sedutor poder de dar grande variedade de movimentos a cada boneco, que, graças a muito treino dos atores, torna-se um ser com expressão própria e personalidade.

            É no ato de dar um sopro de alma a cada marionete no momento da manipulação que Catin Nardi instaura  a sua magia. O cômico, o trágico e a reflexão existencial caminham em paralelo de modo que cada espetáculo seja único e que cada criatura atinja sua autonomia e obrigue o criador e manipulador a se reinventar sempre.

           

Oscar D’Ambrosio, jornalista, é mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes (IA) da UNESP, campus de São Paulo e integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil).

 

 

 



 

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