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Arte em ilustração Luci Torres, Rita Braga e Sidnei Akiyoshi oferecem, nesta exposição na Casa Caiada 35, de 17 a 31 de outubro de 2006, uma oportunidade de refletir sobre o significado das ilustrações e suas relações com as artes plásticas no decorrer dos tempos. Em termos gerais, uma ilustração é uma imagem, figurativa ou abstrata, utilizada para acompanhar um texto. Ela pode ser realizada com diversas técnicas, como desenho, pintura, colagem ou fotografia, sendo de valor fundamental para a diagramação de livros, jornais e revistas. Os integrantes desta coletiva se impuseram o desafio de ilustrar dois temas infantis (poesias ou contos), além de fazer imagens para duas capas de livro, dois textos, dois temas extraídos de jornal e duas imagens livres. Os conjuntos apresentam grande diversidade técnica, indo do lápis de cor a colagens com sucata, passando pela aquarela, nanquim e acrílica sobre tela.
Cabe
recordar que a ilustração
editorial, no sentido que a concebemos
hoje, tem origens nas iluminuras medievais, quando acompanhavam os
manuscritos. Ela se manteve presente na Revolução Industrial e se
conserva, na era digital, contando, ao longo dos séculos, com nomes de
artistas consagrados como Albrecht
Dürer e Hans
Holbein, nos séculos XIV e XV; Henri
de Toulouse-Lautrec, Gustave
Doré e Aubrey
Beardsley, no XIX, e Alfred
Kubin, Ben
Shann e Paul
Nash, no século XX, entre diversos
outros que desenvolveram carreiras Em todos esses casos, a ilustração transcende a sua função primeira, ganhando autonomia enquanto objeto plástico. Esse é o caminho dos trabalhos aqui apresentados. Eles se valem enquanto obra de arte, mesmo que não se saiba, em alguns casos a sua origem, seja ela um texto de Borges, Saramago ou da dramaturgia grega. No universo da presente exposição, cada artista oferece a sua resposta. Luci Torres se vale de sua técnica habitual em aquarela e nanquim para tratar o sofrimento humano, seja na sua esfera mais social ou existencial. Evidencia-se, assim, um inconformismo com a situação do ser humano num mundo cada vez mais violento. Rita Braga comprova a sua já reconhecida habilidade com diversos materiais para transformar objetos que a sociedade despreza em composições que mostram como não existe elemento a ser totalmente deixado de lado se há a atenta disposição de utilizá-lo em um novo contexto. Sidney Akiyoshi, por sua vez, apresenta o domínio da cor como um de seus principais atributos. Há, por exemplo, na forma como retrata criativamente a estrutura arquitetônica do Museu de Arte de São Paulo, o MASP, ou na maneira irônica de conceber o processo de heterônimos de Fernando Pessoa um sutil humor. São, em síntese, três formas e numerosas técnicas de conviver com a ilustração e de mostrar os seus mais diversos usos e funções, combatendo, também, o preconceito que ainda cerca muitos profissionais que se especializam na área ou que a praticam simultaneamente a outras técnicas. Nesta
exposição, a Arte e a Ilustração caminham lado a lado, com letra maiúscula,
numa mostra que recoloca a arte de ilustrar como uma das mais importantes
e, infelizmente, menos discutidas, no universo das artes plásticas
contemporâneas, em que a sutileza nem sempre recebe o merecido retorno da
crítica especializada e do público.
Oscar D’Ambrosio mestre em Artes Visuais pela UNESP, integra a Associação Internacional de Críticos de Artes (Aica – Seção Brasil).
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