por Oscar D'Ambrosio


 

 

   

 

O fascínio da arte angolana contemporânea

 

A arte africana ainda é uma grande desconhecida do povo brasileiro. A criação da galeria SOSO arte contemporânea africana, em São Paulo , em 2009, pode alterar um pouco esse perfil. Inicialmente, ela permite conhecer  alguns destaques da arte de Angola, país que, embora se aproxime do Brasil pela língua, permanece distante nas artes visuais.

Especial ênfase merece a obra de Yonamine. Nascido em Luanda em 1975, morou no Congo, Brasil e Inglaterra e mostra na exposição dois trabalhos bem contundentes. As interferências realizadas sobre diversas imagens revelam um artista que não se conforma com a estaticidade dos materiais e suportes, buscando intervir de modo a gerar uma dinâmica visual que cativa o observador ao primeiro olhar.

Ele também comparece com um vídeo chamado Wash. São duas cenas complementares que dialogam num jogo entre a água e o fogo. Na primeira, aparece a seqüência de um automóvel sendo lavado, enquanto no outro é o poder transformador e destruidor do elemento ígneo que surge com toda força.

Em se tratando, aliás, de impacto visual, Kiluanji, nascido em Luanda em 1979,  obtém belo efeito com as imagens em sacos de serrapilheira e, principalmente, nas fotografias de casas angolanas em que predominam elementos como chifres e colorido intenso. O retrato de uma mulher consegue fundir componentes regionais ao poder universal de uma alma transcender por meio de uma fotografia majestosa.

O clima da mostra talvez seja dado integralmente pela série de fotografias de Claudia Vieira, angolana, nascida em Luanda em 1978. Ao expor cenas em movimento de uma galeria capta a intensa alegria que arte deve sempre transpirar. Muitas vezes prisioneira da sisudez de curadores, críticos e do sistema da arte instituída, as exposições perdem esse prazer visceral de mostrar aquilo que se tem de melhor por meio das mais diversas expressões, meios e suportes plásticos.

A reunião desses artistas angolanos tem seu ponto forte na mostra de diversas maneiras de ver o mundo, todas elas marcadas por um elevado profissionalismo e senso plástico regido pelas distintas formas de ler um país e a realidade mundial. Assim, a arte africana contemporânea – neste caso específico, a de Angola, expressa uma compreensão da realidade caracterizada pela sensibilidade e pelo poder questionador que as manifestações artísticas propiciam.

 

Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção Brasil).

 

 

 

 

 

 

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