Arlindo Gonçalves
Sombras da
cidade
Fotógrafo e
escritor, Arlindo Gonçalves constrói, no
livro Desacelerada
mecânica
cotidiana (Editora
Horizonte, 208
páginas, 2008), uma
visão
particular da
metrópole
paulistana. As
luzes e
sombras adquirem
relevância
justamente
por
conseguir uma
visão
plástica de
planos e recortes
que
ganha
expressão
também na
palavra.
Especificamente nas
fotos, existe uma
preocupação da
inserção do
elemento
humano no
ambiente arquitetônico e no
dia-a-dia de
São Paulo. Estão
ali a
miséria, a
solidão dos
bares e o
encontro de
luzes inesperadas e de
sombras
que transformam
em
silhuetas
aqueles
que percorrem o
cotidiano.
Pessoas
em
meio a
prateleiras
cheias de
livros
ou
ambientes
internos
vazios revelam a
preocupação de
vislumbrar as múltiplas possibilidades de
encontro de
rastros de uma
cidade marcada
pelo
dinamismo e
pela
falta de
raciocínio do
ser,
devido à
preocupação
constante
com o
existir.
O
conjunto de
fotografias,
independentemente das
narrativas realizadas
pelo
autor,
mostra a
sensibilidade de
alguém
que
vê a
metrópole
como
um
local
em
que
cada
um pode
construir a
sua
história,
embora envolvido pelas
atividades cotidianas
para as
quais
vê
pouco
sentido.
Geralmente dominado pelas
estruturas
espaciais e
sociais, o
indivíduo torna-se uma
sombra de
si
mesmo,
espécie de
zumbi a
vagar, perdidas,
mas
ainda
com alguma
força – a
que
mostra
que existe
esperança
para se
erguer das
imagens refletidas, transformando-se
assim de
simulacro
em
autêntico
cidadão.
Existe na
fotografia de Arlindo Gonçalves
um
jogo
sutil. Os
seres
aparentemente
reais enfocados na
metrópole estão
imersos numa
atmosfera
fantástica, mergulhados num
clima
em
que as
sombras se fazem
onipresentes.
Elas ressaltam
um
gerar de
indagações
que
motiva os
neurônios e multiplica as sinapses do
leitor de
seus
livros.