por Oscar D'Ambrosio


 

 


Aquarelando Oswald de Andrade

 

“Contra a cópia, pela invenção e pela surpresa”, escreveu Oswald de Andrade (1890-1954), em seu Manifesto da Poesia Pau-brasil, de 1924. Essas palavras do romancista, poeta, ensaísta, dramaturgo e jornalista nascido e falecido em São Paulo podem ser a porta de entrada para uma reflexão do Núcleo de Aquarelistas da Faculdade Santa Marcelina sobre o artista que mais incorporou o espírito transformador do modernismo de 1922.

Polêmico, sarcástico e panfletário, Oswald atuou, em sua jornada existencial multifacetada, contra a erudição vazia de conteúdo e o arcaísmo. Desde seu retorno da França, em 1912, onde tomou contato com o Cubismo e o Futurismo, ele não se cansou de buscar o novo, juntando-se a Mário de Andrade e Di Cavalcanti para promover a Semana de Arte Moderna, um marco na história da arte brasileira.

            Quem buscar nele irreverência, a encontra nos Manifestos, seja no Pau-brasil ou no Antropofágico, sínteses de um ideário poético e estético que defendia, acima de tudo, a ousadia. Mas há também lirismo, na peça de teatro A morta, e muita critica social em O rei da vela, escrita em 1937, mas somente encenada em 1967 pelo dionisíaco José Celso Martinez Correia. 

            A poesia de Primeiro caderno do aluno de poesia Oswald de Andrade, o estilo narrativo fragmentado e muito peculiar de  Memórias sentimentais  de João Miramar, cuja capa foi desenhada pela artista plástica Tarsila do Amaral, com quem se casou em 1926, e os textos mais políticos escritos ao lado da também escritora Patrícia Galvão, a Pagu, são outros aspectos fascinantes e, muitas vezes, contraditórios de um mesmo homem com apenas um compromisso levado muito a sério: ser fiel a si mesmo em cada momento da sua vida.

            Desvendar esse universo por meio de aquarelas intimistas, em formato próximo ao cartão postal, é um desafio prazeroso. Seja pela sua biografia, pelos seus escritos ou pela época em que viveu, Oswald de Andrade pede leituras renovadas, inventivas e surpreendentes a toda hora.

            Tratar o artista com a linguagem da aquarela é, portanto, uma homenagem das mais apropriadas, pois, ao trabalhar muito com a rapidez e a fluidez dos materiais, a aquarela se coloca em posição privilegiada para captar o caleidoscópio de signos que Oswald de Andrade oferece em cada releitura.

           

            Oscar D’Ambrosio, jornalista, é mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes (IA) da UNESP, campus de São Paulo e integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil). É autor, entre outros, de Contando a arte de Peticov (Noovha América) e Os pincéis de Deus: vida e obra do pintor naïf Waldomiro de Deus (Editora Unesp e Imprensa Oficial do Estado de São Paulo).

 

 
 

 

 

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