por Oscar D'Ambrosio


 

 


Liz Xavier: aquarela e algo mais

 

            A aquarela é uma das artes mais fascinantes. Nela, o imprevisível não é visto como problema, mas como um elemento incorporado ao processo criativo. Está nas transparências e sobreposições um devir marcado pela capacidade de cada artista de desenvolver com a sua habilidade técnica uma linguagem própria

            Liz Xavier trabalha o pigmento e a água de uma maneira peculiar. Por um lado, se vale da mancha para criar atmosferas e climas poéticos, mas cristaliza seu pensamento pela colagem sobre o papel de diversos elementos, principalmente tecidos. É no diálogo de fragmentos de guardanapo ou outros materiais com a tinta que sua obra cresce.

            Os trabalhos geram um clima lúdico, pois temos o desejo de tocar neles e verificar se as texturas ali sugeridas são fruto da pintura ou das inserções. Esse jogo dos sentidos torna-se mais importante do que a imagem retratada em si mesma, pois instaura um mistério a ser desvendado por cada observador.

            A artista não se contenta com a aquarela em seu sentido mais purista. Busca uma constante experimentação e a realiza concebendo obras que constituem microcosmos de intensa poesia que alcançam seus melhores momentos quando a conversa entre os elementos pictóricos e a colagem deixa também o branco do papel falar.

Nesses instantes, a pesquisa visual de Liz Xavier atinge uma mescla de leveza com densidade de raciocínio que precisa ser  progressivamente conhecida e valorizada. Assim, o aprimoramento do caminho do fazer passa necessariamente pela capacidade do sentir e pelo talento de tornar o comichão criador em significativo resultado plástico.

           

            Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da UNESP, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção Brasil).

 

 

 

 

 



 

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