Liz Xavier: aquarela e algo
mais
A
aquarela é uma das
artes
mais
fascinantes. Nela, o
imprevisível
não é
visto
como
problema,
mas
como
um
elemento incorporado ao
processo
criativo. Está nas
transparências e sobreposições
um
devir marcado
pela
capacidade de
cada
artista de
desenvolver
com a
sua
habilidade
técnica uma
linguagem
própria.
Liz Xavier
trabalha o
pigmento e a
água de uma
maneira
peculiar.
Por
um
lado, se
vale da
mancha
para
criar
atmosferas e
climas poéticos,
mas cristaliza
seu
pensamento
pela
colagem
sobre o
papel de
diversos
elementos,
principalmente
tecidos. É no
diálogo de
fragmentos de
guardanapo
ou
outros
materiais
com a
tinta
que
sua
obra cresce.
Os
trabalhos geram
um
clima
lúdico,
pois temos o
desejo de
tocar neles e
verificar se as
texturas
ali sugeridas
são
fruto da
pintura
ou das
inserções.
Esse
jogo dos
sentidos torna-se
mais
importante do
que a
imagem retratada
em
si
mesma,
pois instaura
um
mistério a
ser desvendado
por
cada
observador.
A artista não se
contenta com a aquarela em seu sentido mais purista. Busca uma constante
experimentação e a realiza concebendo obras que constituem microcosmos de
intensa poesia que alcançam seus melhores momentos quando a conversa entre
os elementos pictóricos e a colagem deixa também o branco do papel falar.
Nesses
instantes, a
pesquisa
visual de Liz Xavier atinge uma
mescla de
leveza
com
densidade de
raciocínio
que
precisa
ser progressivamente
conhecida e valorizada.
Assim, o
aprimoramento do
caminho do
fazer
passa necessariamente
pela
capacidade do
sentir e
pelo
talento de
tornar o
comichão
criador
em
significativo
resultado
plástico.
Oscar
D’Ambrosio,
jornalista e
mestre
em
Artes
Visuais
pelo
Instituto de
Artes da UNESP, integra a
Associação
Internacional de
Críticos de
Arte (AICA-
Seção Brasil).