por Oscar D'Ambrosio


 

 

 

 
 

 

 

Olavo Tenório: a poética do espectro

 

            A palavra espectro é repleta de significados, todos eles associados a idéia de uma figura imaterial, real ou imaginária, que povoa o pensamento. Quando se pensa em óptica, surge o conceito de espectro solar, observado inicialmente por Isaac Newton e que se obtém pela decomposição da luz ao incidir sobre um prisma triangular.

            O artista plástico Olavo Tenório compõe suas esculturas a partir de um universo de sons obtido em quatro vertentes: a materna, uma imigrante oriental, uma indígena Kaingang, relacionada à origem da cidade paranaense natal do artista, e uma de um filósofo sueco.

Todas elas registram a palavra “forma”, termo que ganha novas conotações cada vez que é repetida. A grande questão que a pesquisa traz tem como raiz a própria palavra “forma”. Ela aponta para os limites exteriores de uma matéria, gerando uma configuração.

É um universo muito próprio da escultura e também indica um jeito de ser e se relacionar com a realidade e o espaço. Uma “forma” é ainda o modo de expressão que um artista plástico adota na criação de uma obra e a maneira pela qual diversos meios são organizados para obter algum tipo de efeito artístico.

A sonora plástica de Olavo Tenório, nesses sentidos, dimensiona um fazer em que o som e a imagem dialogam intensamente, tornando-se um só falar. É claro que a fôrma, com acento circunflexo e mudança de timbre, leva a outras veredas interpretativas.

Pensar nela como um modelo oco onde se põe metal derretido, material plástico ou outro líquido, utilizados para tomar o aspecto de um molde, abre novas possibilidades de pesquisa. As vozes pernambucana, japonesa, indígena e sueca geram um poético devir marcado pela sensibilidade do ouvir e a habilidade do fazer.

Assim, a pronúncia de uma palavra ganha a dimensão da fala sobre a humanidade e a construção escultórica obriga a refletir sobre um som. Essas conversas mostram como o universo lingüístico é rico quando devidamente explorado como uma interpenetração de linguagens.

Nesta exposição, Olavo Tenório inicia uma nova caminhada em sua trajetória artística que – tenho a plena convicção – terá numerosos desdobramentos. Os próximos, seguramente, estarão em ampliar essa interação entre sons e imagens, numa jornada que pode ganhar espaço nacional e internacional em múltiplas formas e fôrmas.  

Instaura-se uma poética de espectros visuais e sonoros sem limites. O assunto aceita as abordagens que a capacidade de exploração do artista permitir, num infinito vagar entre fonemas, letras, pontos, linhas, planos e volumes para conquistar os espaços fônico e plástico, sem fronteiras a não ser a própria sensibilidade e capacidade de criar.

 

            Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção Brasil).

 

 

 

 

 

 

 

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