Antônio
J. Giacomin
O valor da cor
O olho treinado para
descobrir e revelar tudo o que está ao nosso redor é um dos
principais méritos daqueles que trabalham com artes plásticas.
No caso de Antônio J. Giacomin essa capacidade é ampliada pelo
seu senso de observar não apenas aquilo que a sociedade
considera belo, mas também objetos já utilizados e carcomidos
pelo tempo.
É
justamente na sua capacidade de observar e de retirar da
realidade aquilo que a sua sensibilidade lhe propicia que o
artista consegue os seus melhores resultados, oferecendo imagens
plenas de cor, em que o aparentemente “feio” se torna
“bonito” pelo trabalho plástico de Giacomin.
Nascido
em 6 de fevereiro de 1964, em Flores da Cunha, RS, a 30 km de
Caxias do Sul, o artista iniciou a prática em acrílico sobre
tela em 1980. Quatro anos depois, mergulhou no universo da
aquarela, começando uma aventura no desvendar das
possibilidades da difícil arte de trabalhar sem margem de erro.
Observador
obcecado de sua região, de colonização italiana, Giacomin não
se limita, porém, a exercitar o seu rigor técnico com as belas
paisagens da região, que inspiraram artistas como Carlos Scliar
e Norberto Stori. Ele também se debruça sobre imagens que
podem passar despercebidas àqueles que não treinam o seu olhar
para penetrar no universo das coisas.
A
pesquisa visual com elementos usados ou enferrujados é muito
mais do que um exercício. Revela a preocupação constante de não
deixar objeto algum sem função no mundo. O caminhão
abandonado, o fogão enferrujado e as latas velhas ganham novos
significados nos tons vibrantes do artista gaúcho.
Cada
aquarela traz em si as memórias do referente retratado e aponta
para um rico universo de relações internas. Nesse sentido, as
aquarelas de Giacomin dão vida ao que parece morto e mostram
que existem possibilidades de recuperação estética e de
reciclagem artística mesmo de imagens que, num primeiro
momento, poderiam indicar tristeza, solidão e mesmo desespero.
O
talento artístico da observação de Giacomin reside em sua
permanente valorização da cor como objeto estético. Nada
escapa aos seus olhos e cada imagem, quando recriada, oferece
uma nova visão, plena em beleza plástica e realizada com vigor
artístico. Isso significa tratar cada uma delas como se fosse
única, oferecendo, assim, ao observador ampla riqueza de cores
e significados. O velho renasce como novo, e a arte permanece
mais viva do que nunca.
Oscar
D’Ambrosio, jornalista, integra a Associação Internacional
de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil) e é autor de Contando
a arte de Ranchinho (Noovha América) e Os pincéis de
Deus: vida e obra do pintor naïf Waldomiro de Deus (Editora
Unesp e Imprensa Oficial do Estado de São Paulo).