por Oscar D'Ambrosio


 

 


 

Annemie Wilcke

 

            A passagem das horas

 

            A passagem do tempo é um dos principais assuntos das artes. Entender o que muda e o que permanece com o andar do relógio consiste num exercício mental que, em última análise, tem como questão central o conflito entre o desejo de ser eterno e a inevitabilidade da efemeridade.

            O pensamento plástico de Annemie Wilcke trabalha com esse conceito. A partir de uma seqüência de fotos de um relógio digital de um ônibus conseguiu captar um movimento em que o referente concreto se dilui, num jogo de luzes e sombras que espelha a fragmentação contemporânea.

            O aparelho deixa de existir. Torna-se uma abstração. O jogo entre o preto e as nuanças de vermelho e amarelo ocupa o espaço. Colocadas umas próximas às outras, as imagens transportam à discussão do que significa viver e como essa atividade talvez não passe de uma arte: a de lidar com a temporalidade.

            Seja no aproveitamento da viagem para fazer as fotos ou no ato de selecioná-las para criar um conjunto visual representativo, Annemie Wilcke gera interrogações. Sua jornada poética, mais do que oferecer um conceito, levanta uma interrogação sobre o significado da vida na vã luta humana contra o relógio da existência.

 

Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da UNESP, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção Brasil).

 

 

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 Parte da série As horas
fotografia tamanho variável - sem data

Annemie Wilcke

 

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