por Oscar D'Ambrosio


 

 


Anfíbio mutante, de Sidney Lacerda

 

Entre as diversas características do mundo contemporâneo, uma das mais marcantes é a prática de recortar e colar imagens ou textos no computador. Isso possibilita construir os mais distintos universos, realizando variadas justaposições de elementos e permitindo a criação das mais inusitadas possibilidades.

O projeto Pedras mutantes, do artista plástico Sidney Lacerda, consiste em tomar pequenas pedras e articulá-las de diferentes formas, permitindo e estimulando a interação do público durante a exposição. Os montículos de material passam a ser objetos a serem manipulados com liberdade pelo observador.

  A forma inicial de Anfíbio mutante conta, além das pedras, com outros elementos, como uma raiz de ipê amarelo, em boa parte coberta com a mica, mineral rico em caminhos visuais pelo seu diálogo com a luz do ambiente, e com fragmentos colados de espelho.

            Esse último material auxilia de maneira fundamental no estabelecimento de uma metáfora de como as pedras podem ganhar vida. Ele permite que cada observador se veja no trabalho e também que observe as imagens e os reflexos propiciados em torno das “pedras mutantes” e daquilo que elas evocam.

            A riqueza da obra está na capacidade das pequenas pedras serem movimentadas a qualquer momento para gerar novas formas e no poder de cada indivíduo ver em cada conjunto delas – por mais áridas que  possam parecer, num primeiro momento – seres com alma, capazes de refletir emoções próprias e alheias.

            É no ato de trazer elementos da natureza, realizando criativos “recortes” visuais, e, principalmente, no momento de “colá-los” em novos contextos, atingindo criativas justaposições, que o trabalho de Sidney Lacerda ganha força enquanto obra de arte adequada para o espaço público.

As patas e o corpo do fictício anfíbio, metáfora de um ser que está entre dois mundos, a terra e a água, conquistam então vida na imaginação de cada espectador. O mesmo ocorre com a raiz, espécie de cauda orgânica que nos lembra que o nosso vínculo com a mãe natureza é um elo ancestral e perene.

           

            Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção Brasil).

 

 

 



 

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