Alice Masiero
Cores que
encantam
O dia-a-dia e a
infância são o ponto de partida para as imagens criadas por
Alice Masiero. Suas telas surgem exatamente da maneira criativa
como consegue colocar em suas telas fragmentos daquilo que vê e
momentos que recorda. Esses temas ganham, em seu trabalho pictórico,
uma visão lírica muito pessoal e constituem uma poética que
merece observação atenta.
Nascida em
Morungaba, SP, em 13 de outubro de 1963, Alice, descendente de
italianos, descobriu logo na infância a fascinação pelas cores.
Uma dessas matrizes está nas festas populares que até hoje
comparecem em suas telas. Situações vivenciadas e pessoas que
conheceu são devidamente transformados em imagens em que a cor é
fundamental.
De fato, os
quintais e as ruas da cidade natal parecem ser o local de onde a
artista extrai a sua força criativa. Alcança assim alguns
resultados estéticos bastante significativos, principalmente em
dois aspectos: o uso de pequenos traços verticais e horizontais e
a forma como se vale das transparências.
Os traços são,
na verdade, pinceladas delicadas, quase um pontilhismo, que já
constituem uma marca registrada da artista. Usados verticalmente
no céu, por exemplo, ou, na horizontal, num curso de água, dão
às imagens que cria um interessante dinamismo. Feitos sobre o
fundo, quebram a monotonia e estabelecem uma relação de empatia
estética com o observador.
Em relação ao
uso da transparência, surpreende positivamente a habilidade de
Alice de pintar peças de vestuário, sob as quais há nus
femininos. A delicadeza e ingenuidade do procedimento e o
resultado agradável de ser visto revelam uma artista que busca um
aprimoramento técnico, mas não um desejo de perder a
espontaneidade que lhe dá o prazer de pintar.
Alice Masiero
apresenta em seu trabalho a inquietação das grandes
artistas. Busca soluções criativas e, com seus traços
pequenos e próximos já tem uma marca registrada, que pode
aprimorar num processo contínuo de valorização de um de seus
principais méritos: a habilidade colorística. O manejo com a
cor, que também exercita na confecção de mosaicos, é um passo
decisivo para que conquiste seu espaço não apenas no universo naïf,
mas no rol dos artistas paulistas e brasileiros que transformam o
cotidiano e a infância na matéria-prima de criações memoráveis.
Oscar
D’Ambrosio, jornalista, mestre em Artes pelo Instituto de Artes
da UNESP, integra a Associação Internacional de Críticos de
Arte (AICA-Seção Brasil) e é autor, entre outros, de Contando
a arte de Ranchinho (Noovha América) e Os pincéis de
Deus: vida e obra do pintor naïf Waldomiro de Deus (Editora
Unesp e Imprensa Oficial do Estado de São Paulo).