por Oscar D'Ambrosio


 

 


 
Alice Masiero

 

            Cores que encantam

           

            O dia-a-dia e a infância são o ponto de partida para as imagens criadas por Alice Masiero. Suas telas surgem exatamente da maneira criativa como consegue colocar em suas telas fragmentos daquilo que vê e momentos que recorda. Esses temas ganham, em seu trabalho pictórico, uma visão lírica muito pessoal e constituem uma poética que merece observação atenta.

            Nascida em Morungaba, SP, em 13 de outubro de 1963, Alice, descendente de italianos, descobriu logo na infância a fascinação pelas cores. Uma dessas matrizes está nas festas populares que até hoje comparecem em suas telas. Situações vivenciadas e pessoas que conheceu são devidamente transformados em imagens em que a cor é fundamental.

            De fato, os quintais e as ruas da cidade natal parecem ser o local de onde a artista extrai a sua força criativa. Alcança assim alguns resultados estéticos bastante significativos, principalmente em dois aspectos: o uso de pequenos traços verticais e horizontais e a forma como se vale das transparências.

            Os traços são, na verdade, pinceladas delicadas, quase um pontilhismo, que já constituem uma marca registrada da artista. Usados verticalmente no céu, por exemplo, ou, na horizontal, num curso de água, dão às imagens que cria um interessante dinamismo. Feitos sobre o fundo, quebram a monotonia e estabelecem uma relação de empatia estética com o observador.

            Em relação ao uso da transparência, surpreende positivamente a habilidade de Alice de pintar peças de vestuário, sob as quais há nus femininos. A delicadeza e ingenuidade do procedimento e o resultado agradável de ser visto revelam uma artista que busca um aprimoramento técnico, mas não um desejo de perder a espontaneidade que lhe dá o prazer de pintar.

            Alice Masiero apresenta em seu trabalho a inquietação das grandes  artistas. Busca soluções criativas e, com seus traços pequenos e próximos já tem uma marca registrada, que pode aprimorar num processo contínuo de valorização de um de seus principais méritos: a habilidade colorística. O manejo com a cor, que também exercita na confecção de mosaicos, é um passo decisivo para que conquiste seu espaço não apenas no universo naïf, mas no rol dos artistas paulistas e brasileiros que transformam o cotidiano e a infância na matéria-prima de criações memoráveis.

           

Oscar D’Ambrosio, jornalista, mestre em Artes pelo Instituto de Artes da UNESP, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil) e é autor, entre outros, de Contando a arte de Ranchinho (Noovha América) e Os pincéis de Deus: vida e obra do pintor naïf Waldomiro de Deus (Editora Unesp e Imprensa Oficial do Estado de São Paulo).

 

 

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Pantanal


óleo sobre tela
30 x 40 cm - 2003

Alice Masiero

 

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