por Oscar D'Ambrosio


 

 


 

Alfonso Prellwitz

 

            A depuração do ludismo

 

A arte sempre tem algo de ludismo. Por mais que o pintor diga que o ato criador seja intuitivo ou resultado de um processo técnico, é no momento de fazer que se realiza a grande mágica de estabelecer um mundo próprio, desenvolvendo uma pesquisa que exige a capacidade de estabelecer um microcosmo com sua linguagem particular.

            Nascido em Uruguai, em 1956, mas radicado em São Paulo, Brasil, desde 1965, Alfonso Prellwitz tem sua origem artística justamente no jogo entre formas e cores iniciado aos 8 anos, quando traçava triângulos ou retângulos, dividia-os ao meio e pintava apenas uma das partes, gerando um ludismo visual.

            Cirurgião-dentista de formação, a arte ficou adormecida por algum tempo, mas renasceu nos anos 1980. Significativamente, foi quase uma retomada da construção plástica da infância, deixando claro que o seu reino é o das cores e formas, que o levam a um mergulho em infinitas possibilidades de variação.

Ao encontrar no criador e educador artístico João Rossi um incentivador, Prellwitz prosseguiu em sua brincadeira cada vez mais profissional até dedicar seu tempo integralmente à arte. Isso significa uma escolha de vida e a imersão em uma poética com algumas características marcantes.

A mais importante parece ser a fidelidade a um pensamento geométrico em que predominam retângulos preenchidos por massas de cor. A alternância de cores com a presença de um círculo, sinal do indivíduo que dialoga com o todo, instaura uma poética em que o eu conversa com o mundo.

Existe ainda o uso de traços em pretos que diversas vezes se interligam com as placas dessa cor sobre as quais as obras estão montadas. Estabelece-se assim a noção de infinito, muito forte no contexto de uma pintura que, seja nas linhas precisamente delineadas ou na construção de círculos que se integram com a delicadeza de elementos religiosos orientais, constrói o próprio mistério.

Autodidata e amante das experimentações com materiais, Prellwitz encontrou como pares no universo da arte Mondrian, Klee e Volpi. Eles são homenageados com ludismo e técnica, com a tomada de estruturas e temas, dando-lhe novas leituras com as próprias cores, que mistura de modo a não conseguir repeti-las.

 Com construção progressiva de um sutil lirismo, Alfonso Prellwitz acentua a leveza de seu trabalho na proporção em que realiza pesquisas monocromáticas e se debruça principalmente sobre os ocres, amarelos e azuis como matrizes de um pensamento plástico em que o jogo com formas e tonalidades é habilmente depurado.   

 

Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção Brasil).

 

 

 

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