por Oscar D'Ambrosio


 

 


 
Alejandro Cabrera
 

            A alegre magia das cores

             “Durante certo tempo, alguém pode ficar alegre consigo mesmo, mas, a longo prazo, a alegria deve ser compartilhada por duas pessoas”. As palavras de Borgheim, no Ato III, da peça O pequeno Eyolf, do dramaturgo norueguês Ibsen, explicitam bem o universo pictórico da pintura primitivista do artista plástico nicaragüense Alejandro Cabrera.

As obras do artista são repletas de uma alegria que ele compartilha não só com duas pessoas, mas com todos os admiradores de suas telas. Suas pinceladas, que constituem telas repletas de alegria, valorizam os detalhes e mostram a vida rural e urbana numa perspectiva que nos remete sempre a agradáveis passagens, nas quais o homem participa de maneira discreta, mas fundamental.

Nascido em 27 de fevereiro de 1962, na Calle Real Ruben Dario, em León, Nicarágua, começou a pintar em 1980, em uma escola de pintura primitivista no bairro de Sutiaba, fundado pelo poeta e sacerdote Ernesto Cardenal, então ministro de Cultura, tendo como professora a poeta e pintora primitivista Mariana Sanson Argüello. 

            Na arte de Cabrera, sítios próximos a León deixam de ser apenas documentos regionais para adquirir uma dimensão universal.  A própria rua em que o artista nasceu se torna tema de sua pintura. Além disso, pequenas cabanas nas margens dos rios que surgem em seus quadros revelam a simplicidade de pessoas que trabalham com a terra, de onde tiram o fruto de sua existência.

            Desde 1999, Cabrera se dedica exclusivamente à pintura. Estudioso de filosofia e ex-seminarista, foi ainda catequista e professor de religião e de pintura, tendo trabalhado como secretário de Engardo Buitrago, célebre historiador da Nicarágua. Desse background, surgem telas de paisagens rurais, tradições populares, temas religiosos ou lendas regionais.  

Esse processo pictórico resultou na criação de um primitivismo com marcante influência surrealista. Basta verificar que o universo da natureza expresso na pintura de Cabrera apresenta uma dimensão mágica, principalmente nas árvores em forma de leque que são uma das principais características de seu trabalho.

            Laranjas e verdes bem brilhantes são as cores predominantes, assim como a presença de violetas e rosas. Elas constituem, portanto, elementos pictóricos que colaboram decisivamente para instalar um clima poético, reforçado pelos belos noturnos enluarados que dominam os campos ou pelas imagens líricas de pequenos bosques com rios.

Ao utilizar as cores de maneira espontânea, buscando um efeito artístico que enche os olhos dos espectadores e transmite neles alegria de viver, Alejandro Cabrera mostra todo o poder da arte primitivista caribenha. Seu trabalho tem como base justamente o uso dos pigmentos e a escolha de temas que, tomando a Nicarágua como ponto de partida, resulta numa pintura vigorosa, com uma qualidade que ultrapassa fronteiras e uma alegria que, como ensina Ibsen, precisa ser compartilhada para ser melhor usufruída.

 

Oscar D’Ambrosio, jornalista, integra a Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA) e é autor de Os pincéis de Deus: vida e obra do pintor naïf Waldomiro de Deus (Editora Unesp).

 

 

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"Calle Real de León y su Catedral"
 
óleo sobre tela 61 x 46 cm - 2000

   

Alejandro Cabrera 

 

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