por Oscar D'Ambrosio


 

 


Alayde

 

            Esculturas em movimento

           

            Cristian Morgenstern (1871-1914) escreveu que “O segredo da arte é fácil agarrá-lo pelo colarinho: basta que tenhas algo a dizer e di-lo-ás”. Reside justamente aí o grande mérito da obra escultórica de Alayde. Ela tem muito a expressar em sua poética, principalmente quando trabalha com formas ascensionais.

Alayde, cujo nome é Alaides Puppin Ruschel, começou sua jornada artística aos 60 anos de idade. Esse desejo de se expressar plasticamente já revela a sua inquietude. Engenheira agrônoma de profissão, encontrou na terra e nos metais uma nova forma de diálogo com o mundo.

A palavra-chave de seu trabalho artístico está no movimento. Quanto mais as suas esculturas trabalham esse conceito, melhor é o resultado. Reside no dinamismo de suas criações um diferencial, mas há outros, como a utilização dos espaços vazios com cores – recurso que auxilia a dar leveza às obras.

            As formas helicoidais são a resposta para a indagação da artista de como gerar o mencionado movimento. A escultura ganha assim uma  curiosa característica ascensional. muito propícia, por exemplo, para trabalhar com imagens de anjos ou outros seres que se locomovam no espaço.

            Nesse sentido, a escultura chamada Ascensão do anjo é exemplar. Há nela exatamente a solução plástica que permite a visão do bronze e do alumínio se descolando da matéria em busca das alturas, num movimento quase mágico, propiciado pela técnica apurada atingida pela artista.

            Nascida em Araguaia, município de Alfredo Chaves, Espírito Santo, em 12 de dezembro de 1931, Alayde foi introduzida no mundo das artes plásticas pela irmã Letícia, freira que estudou restauração no Vaticano. Ela deu as primeiras pistas para que a futura artista tivesse seus primeiros contatos com o mundo da escultura.

            Seus trabalhos iniciais, em terracota, estavam vinculados a imagens sacras do estilo barroco. Isso continua muito presente na tensão entre as forças ascencionais e terrenas que se intercruzavam no período. Bernini, na Itália, e Aleijadinho, no Brasil, encontraram, naquele momento histórico, o seu caminho e, guardadas as proporções, Alayde, busca o seu, com o mesmo vigor, na contemporaneidade.

            Em seu percurso, a artista estagiou ainda no ateliê de Luiz Olinto, em Goiânia, trabalhou com Cristina Roesim em Campinas, e, em Piracicaba, onde reside, e aprimorou-se em diversas técnicas, principalmente na passagem de uma escultura em argila para o metal.

            Ao desenvolver as suas próprias pesquisas técnicas, como a junção de alumínio e bronze no mesmo plano ou a inclusão de silhuetas em blocos de resina, Alayde mostra que tem muito a falar e a evoluir em sua escultura. Uma inquietação permanente a move e não lhe permite estagnar, sempre à procura de novas soluções, principalmente quando as imagens que concretiza buscam o alto em vôos cada vez mais ousados.

 

            Oscar D’Ambrosio, jornalista, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil) e é autor de Contando a arte de Ranchinho (Noovha América) e Os pincéis de Deus: vida e obra do pintor naïf Waldomiro de Deus (Editora Unesp e Imprensa Oficial do Estado de São Paulo).

 

 

 

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Ascensão do anjo 
bronze e alumínio 66x25x17 cm sem data


Alayde

 

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