Alair Fogaça
O sorriso
na arte de modelar
A arte de
modelar o barro, queimar, dar acabamento e pintar a matéria envolve
uma série de processos técnicos e escolhas visuais. Alair Fogaça
realiza esse caminho de forma praticamente autodidata, guiada pela
intuição e por sua forma de conceber plasticamente o mundo.
Sua
escultura deforma a realidade, acentuando detalhes e, acima de tudo,
construindo personagens bem-humorados, marcados pelo exagero formal
como resposta a uma realidade que alguns artistas insistem em
representar de maneira ordenada, como se fosse uma fotografia.
Alair
adota outra atitude. Em seu pensamento, ela parte do real, mas o
transforma. Via caricatura, o deforma e reorganiza de modo lúdico.
Sua visão tem como elemento primordial um sorriso irônico que vê
tudo, numa mescla de singeleza e espírito crítico, como num grande
teatro de marionetes.
O espírito
jovial que leva a artista a criar com alegria é perceptível nas
formas arredondadas. Ao representar personagens da dança conhecida
como siriri, típica do Mato Grosso, ou em imagens de maternidade
(mulher grávida, dando à luz com intenso realismo e amamentando)
estabelece uma expressão muito pessoal como ceramista.
Alair
Fogaça obriga a olhar entorno de uma nova maneira. Seu humor
propicia a representação dos mais diversos tipos sociais e situações
cotidianas, com a forma diferenciada que caracteriza trabalhos
artísticos de qualidade, encontrando no mundo conhecido o ponto de
partida para estabelecer uma realidade própria.
Oscar D’Ambrosio,
jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da
Unesp, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-
Seção Brasil).