por Oscar D'Ambrosio


 

 


 

Maria Mahler Abdoun: a expressão como linguagem

 

            O dinamismo dos trabalhos plásticos de Maria Mahler Abdoun logo chama a atenção do observador. Há uma intensidade cromática onipresente e uma preocupação constante com a composição, expressa nas diferentes maneiras de obter impactos visuais.

            O uso de textura e de distintos materiais, como serragem ou estopa, integra um processo de pesquisa com diversos elementos, mas acima de tudo, revela procedimentos plásticos que denunciam a inquietação de estar sempre a oferecer um novo resultado, porém acrescido das experiências anteriores.

            Nesse aspecto, duas vertentes merecem especial destaque. Uma delas lida com silhuetas urbanas. Visões de conjuntos de edifícios aparecem diluídas em meio a manchas, mas constituem imagens diferenciadas do universo metropolitano. Ocorre uma mescla entre a intensidade das cores e a delicadeza das linhas.

            Outra faceta significativa é a que utiliza traços curtos e rápidos que, à guisa de grafismos, erguem uma constelação de relações internas regidas pela interação entre as formas e a cor. Surge assim um trabalho abstrato na essência, mas onde geralmente é possível encontrar resquícios de figuração, seja na concepção ou na realização.

            Um sinal de contemporaneidade do trabalho plástico de Maria Mahler Abdoun está exatamente nessa expressiva relação entre o figurativo e o abstrato que a sua produção propicia. Ela sabiamente abole essas barreiras conceituais, ciente que mesmo no abstrato é possível encontrar imagens reconhecíveis e que as figurações mais bem realizadas, se reduzidas aos seus detalhes, apontam para maravilhosas abstrações.

 

Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção Brasil).

 

 



 

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