por Oscar D'Ambrosio


 

 


Jorge Prado

 

            A estética dos gradis

 

            Os gradis têm uma estética própria. Tem a sua função primeira de proteção, de cercar uma determinada área, impedindo a entrada de pessoas indesejáveis, mas, ao longo da história, foram se transformando em autênticas obras de arte, com infinitas variações plásticas e de elementos compositivos.

            Num terceiro momento, com o desenvolvimento da sociedade industrializada e, posteriormente da globalização, ocorreu um processo de gradativa destruição dos gradis. Eles passaram a ser desprezados pela arquitetura moderna, já que podem ser ultrapassados com facilidade, e substituídos por novas formas de segurança.

            Saber olhar os gradis e o que eles representam em termos poéticos, culturais e históricos tornou-se então uma nova forma de arte. Eles ficaram obsoletos para o andar contemporâneo e passaram a ser uma espécie de estorvo, um incômodo somente abrigado por casas de demolição e caçambas.

            Tornaram-se ainda uma paixão de artistas plásticos. Dois deles, Carlo Cury e Jorge Prado, planejaram uma exposição em que os gradis renasceriam com significado estético. Haveria uma reflexão sobre como eles protegem pessoas, como encantam esteticamente e como passaram a ser abandonados.

            Jorge Prado enxerga o tema com duas preocupações básicas. Os problemas que ele discute são o da cor e o dos materiais. A sua visão é a de quem vê o gradil como um elemento em extinção da metrópole urbana, algo que, prestes a ser lenda, ainda pode ser resgatado pela arte, residência privilegiada da memória coletiva e individual.

 

            Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção Brasil).

 

 

 



 

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