por Oscar D'Ambrosio


 

 


 

 

Aecio

 

Inquietação constante

 

Há artistas plásticos que passam pelo mundo e deixam quadros inesquecíveis; outros colecionam lembranças que os tornam depósitos vivos da cultura nacional e nem sempre são aproveitados, muitas vezes partindo sem registrar essas lembranças. Poucos conseguem conciliar trabalhos de qualidade com muita história para contar.

Aecio de Andrade, que assina seus quadros como Aecio, reúne essas duas qualidades. Em primeiro lugar, desenvolve, desde seus quadros iniciais, uma obra coerente, inclusive com transformações no estilo de pintar e na forma de apresentar as suas figuras.

Além disso, ele tem uma trajetória marcada pelo convívio e conhecimento com artistas de primeira linha. A soma entre seu próprio trabalho e a visão que adquiriu da arte ao longo do tempo lhe permitiu aperfeiçoar um olho clínico que merecia ser mais valorizado para avaliar a produção contemporânea do gênero chamado naïf.

Nascido em São Paulo, em 1935, filho de decorador, ele sempre pensou em ser artista plástico. Como não tinha formação escolar que lhe permitisse freqüentar o ensino superior, embora pintasse desde os 14 anos, foi na Associação Paulista de Belas Artes que buscou não só informações técnicas, pois sequer sabia que ele era um autodidata, mas um local onde pudesse conhecer e conversar com artistas.

Na Associação, teve contato com pessoas como Mario Zanini e Flavio de Carvalho. Do primeiro, ouviu pela primeira vez que era um primitivista, ou seja, um artista que havia trilhado sozinho a sua relação com a técnica e que precisava seguir essa jornada que começara a desvendar. No segundo, encontrou um artista visceral, que amava o desenho.

  Com cenas de carnaval, do pelourinho, na Bahia, e de colheitas, inspiradas no período em que morou no interior, próximo a Araraquara, interior do Estado de São Paulo, foi elaborando a sua carreira, embora a primeira avaliação profissional que tenha recebido de sua obra foi a do crítico de arte Jos Luyten, que, em função dos quadros que fazia sobre cenas urbanas, com trabalhadores, o chamou de o “pintor do cotidiano paulista”.

É na composição de cores que está a sua mais destacada característica. Suas obras geralmente se valem de áreas cromáticas para estabelecer um mecanismo dinâmico que torna as suas telas um rico exercício para o olhar no desvendar as linhas de força que cada obra apresenta.

Suas telas mais recentes voltam-se para pássaros fantásticos num cenário amazônico. Essas aves estão repletas de movimentos e de curvas, constituindo ondas que preenchem o espaço e encantam pelas suas cores. Quanto mais exploradas forem, podem trazer novos elementos para o artista desenvolver o seu talento.

Aecio precisa dar vazão a seu impulso criativo. Isso lhe permite estar sempre pronto a surpreender, apresentando obras em que o pássaro da imaginação e da liberdade ganhe cada vez asas mais fortes e amplas, que permitam ao artista sempre ter em mente a possibilidade de enfrentar e vencer um novo desafio visual.

 

Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção Brasil).

 

 

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 Sem título
acrílica sobre tela 49 x 61 cm sem data

Aecio

 

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