por Oscar D'Ambrosio


 

 


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Adriana de Castro

 

            A arte do movimento

 

            Existe um mito, cristalizado na história da arte, principalmente a partir dos românticos do século XIX e dos períodos subseqüentes, que liga o sofrimento ao ato da criação. Para alguns, boa parte do trabalho plástico estaria relacionado a esse conceito, como se fosse necessário ter uma grande perda ou dor para projetá-la de maneira significativa numa tela ou num papel.

            A pintura de Adriana de Castro mostra o contrário. Ela pinta com prazer. Trata-se de um ato primordial que a acompanha desde cedo e, no seu atual estágio, resulta numa obra em que a cor exerce um papel fundamental. Cada trabalho traz uma nítida carga emocional de quem executa a arte da mesma maneira que respira.

            Isso pode ser constatado não só pelo uso de tonalidades quentes, mas, acima de tudo, pela forma como resolve os problemas plásticos que se propõe a solucionar com seu talento. Por um lado, estão sucessivos quadradinhos e retângulos, realizados com tinta acrílica, num processo de construção de transparências e camadas que valorizam a luminosidade de cada obra.

            Há, porém, ainda a introdução de espirais. Gradualmente, elas se fundem aos retângulos coloridos, de maneira que tendem a ser uma coisa só. Fundo e frente do trabalho caminham em paralelo, estabelecendo uma espécie de movimento de esferas celestiais, com uma musicalidade obtida pela repetição de alguns elementos e variação de outros.

            A alegria de pintar permite atingir especiais momentos de encantamento, tanto nas obras monocromáticas, nas quais o jogo de velaturas é essencial, assim como naquelas em que, embora exista uma cor predominante, ocorre a interferência de uma segunda cor ou mesmo de uma terceira para instaurar diálogos visuais.

            As espirais que se desmancham liberando quadradinhos e a construção voltada para a valorização da cor em cada tela resultam num jogo em que o movimento obtido no quadro é o primordial. Do dialogo entre esses recursos, nasce um trabalho vigoroso e consistente, mas, acima de tudo, feito com prazer.

           

Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção Brasil).

 

 

 

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 Vida secreta
120 x 160 cm acrílico sobre tela 2007

Adriana de Castro

 

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