por Oscar D'Ambrosio


 

 

 

Versatilidade plástica

 

            Adina Worcman

 

            Dois dos maiores desafios da arte de esculpir estão no domínio das técnicas e do espaço. Conhecer os materiais e dialogar com eles torna-se um ponto essencial para construir trabalhos em que a tridimensionalidade seja respeitada como autêntica forma de expressão plástica.

            De fato, é preciso alertar sempre artistas e público que uma escultura costuma apenas ser entendida como tal, de forma plena, quando exige do observador um círculo de 360º para captar nuances e alterações próprias da diversidade de maneiras de aproveitar o espaço.

            A artista plástica Adina Worcman é uma apaixonada pelos materiais. E os experimenta intensamente, obtendo muitas vezes interessantes resultados quando realiza mesclas entre eles, tornando aparentes contrastes em momentos de harmonia, onde a unidade se dá pela forma de aglutinar diferentes elementos ou pela integração deles à serviço de um assunto.

            Nascida em Rosenheim, Alemanha, em 12 de fevereiro de 1948, e radicada no Brasil desde 1953, ela divide seu tempo entre São Paulo, SP e Vinhedo, localidade onde longe da metrópole, realiza seus trabalhos em escultura e pintura. Pedagoga e professora, além de artista plástica, imprime em seus trabalhos duas palavras mágicas: intensidade e busca.

            Nesse sentido, suas obras, geralmente em bronze e resina, se debruçam sobre seus assuntos preferidos, como a dança e o universo feminino. De fato, neste último, alcança alguns de seus melhores resultados, conseguindo impregnar em alguns rostos uma intensa sensualidade.

            Versátil no sentido de não se recusar a enfrentar desafios, aceitando diferentes materiais e técnicas como possibilidades de aprimoramento, Adina talvez alcance o esplendor de seu trabalho ao lidar com elementos da cultura judaica. Figuras que valorizam a tradição, com uma estruturação moderna, principalmente em bronze, resultam em expressivos instantes plásticos.

            Há neles, entre outros fatores, uma verticalidade ascensional de amplo conteúdo religioso, mas, acima de tudo, de intensidade plástica que merece ser notada. Reside aí um gesto duplo de conhecer este mundo para mergulhar naquilo que está acima de nós. Tal fato se dá pelo próprio exercício de trabalho sobre o material.

 Seja um metal mais nobre, uma simples telha, com seu formato ondulado ou em outras formas de suportes a serem reciclados ou adaptados, Adina oferece um diálogo entre o presente e o futuro muito particular. Em seus trabalhos mais significativos, a arte vence o tempo, mas isso parece ocorrer com soluções aparentemente simples, sem esforço.

Guardadas as devidas proporções, ocorre aí o mesmo que se verifica na Bossa Nova, ou seja, o trabalho surge simples e dá a impressão que pode ser feito por qualquer um. Somente quando se coloca a mão nos materiais é que se percebe que o desafio apenas pode ser vencido pela somatória de aplicação com perseverança.

Esses comentários valem de maneira especial para os três monumentos e o painel feitos, em 2002, para o Memorial realizado pelo Círculo Macabi, em São Paulo , SP. Encontra-se ali a somatória das principais qualidades da artista, como a capacidade de desenvolver um mesmo assunto, no caso, tragédias que envolveram os judeus, com elegância e destreza, sem lamentos, mas com energia visceral.

É justamente a força de vencer o espaço e de experimentar suportes que dá a Adina Worcman a possibilidade de enfrentar os maiores desafios das artes plásticas: respeitar e conhecer os materiais para dialogar com eles, tomando as dificuldades intrínsecas do fazer e os mais variados assuntos como ponto de partida para um profícuo diálogo versátil com o mundo.

 

Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), integra a Associação Internacional de Críticos de Artes (AICA-Seção Brasil).

 

 

 

 

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Tradição - Povo
bronze - 14 x 15 cm - sem data 
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Adina Worcman

 

 

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