por Oscar D'Ambrosio


 

 


 

Adilson Rodrigues

 

A alegria do trabalho

 

O poeta inglês William Blake escreveu que “quem beija a alegria em vôo/ Vive no nascer do sol e da eternidade”. Essa é uma das principais sensações que surge ao contemplar as imagens de Adilson Rodrigues. Ele traz para as telas trabalhadores rurais em diversas situações, mas geralmente com cores vivas que estimulam a nossa capacidade de reconhecer naquelas cenas universos ricos de humanidade e sensibilidade.

Nascido em Tupã, SP, em 6 de abril de 1972, Adilson Rodrigues, aos 21 anos,  fixou-se em Avaré, SP, onde trabalha como fotógrafo e se aproximou do mundo das artes, integrando o Grupo Avareense de Teatro Amador, o Gata. Foi numa viagem para a Bahia, impressionado com as imagens que absorveu em Ilhéus, que recebeu o chamamento para a pintura.

Incentivado pelo diretor de teatro Antonio Marcos de Campos e pela artista plástica e restauradora Nilva Leda Calixto, Rodrigues encontrou forças para trabalhar compulsivamente. Autodidata, encontra nas cenas de agricultores, principalmente em afazeres na colheita, um de seus pontos mais altos, talvez pela forma como considera o duro afã no campo como uma atividade quase divina. As cenas rurais e as festas populares do artista se destacam pelo colorido intenso e pelas formas de composição que dão dinamismo às telas.

Rodrigues parece se sentir mais à vontade quando conta com um grande número de elementos na tela. Cada personagem ganha então intensidade no conjunto, em criações harmônicas, onde é possível sentir uma musicalidade. No trabalho com casarios com os quais compõe os seus fundos, Rodrigues realiza um enquadramento a distância, quase num recorte fotográfico, obtendo ainda interessantes resultados quando insere escadarias, caminhos tortuosos ou bandeiras de festas populares.

Nessas combinações, surge um clima de alegria que é transmitida ao espectador. Acima de tudo, o artista revela grande amor pelo povo brasileiro. Mais importante do que as figuras individuais são os grupos de trabalhadores, de agricultores ou de participantes de festas ou procissões.

Algo semelhante ocorre quando pretas velhas surgem em ambientes de cozinha. Elas aparecem como encantadoras manchas de cor. Do mesmo modo, nas festas próprias do folclore nacional, o uso da cor é peculiar. As imagens quase acabam se diluindo num certo toque impressionista, que valoriza mais as sensações do que a festa propriamente dita.

Há na pintura de Adilson Rodrigues um intenso amor à atividade artística. Por isso, os seus grupos oferecem imagens ricas, plenas da vida e do saber popular. Cada tela ganha assim uma dimensão épica, no sentido de contar a história de um povo trabalhador e festivo, capaz de enfrentar as atividades laborais com felicidade e de encontrar em artistas como Rodrigues um intérprete apto a combinar elementos pictóricos e culturais num resultado agradável para os olhos e enriquecedor para o coração.

 

Oscar D’Ambrosio, jornalista, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil) e é autor de Contando a arte de Ranchinho (Noovha América) e Os pincéis de Deus: vida e obra do pintor naïf Waldomiro de Deus (Editora Unesp e Imprensa Oficial do Estado de São Paulo).

 

 

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 Ciclo do cacau 
óleo sobre tela - 1 m x 1 m  - 1994

Adilson Rodrigues

 

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