Adélio
Sarro: o trabalho incessante
Poucos artistas conseguem
juntar trabalho incessante, talento e significativos resultados plásticos
como Adélio Sarro. Com mais de 150 exposições nacionais e
internacionais no currículo e mais de 2.500 obras, entre pinturas e
esculturas, ele sabe que o aperfeiçoamento constante é a única
alternativa para ter seu nome reconhecido.
Filho de
agricultores foi carpinteiro, marceneiro, cortador de mármore e
desenhista de cartazes de propaganda antes de conseguir ganhar a vida
apenas como pintor e escultor, Adélio Sarro encontrou um estilo próprio,
marcado pelas figuras de trabalhadores rurais, mulatas, famílias e
grupos de crianças de mãos fortes e pés descalços.
Enquanto
o trabalho com as tintas caracteriza-se pelas transparências e tons
suaves e harmoniosos, as esculturas fascinam pela grandiosidade. As
pinturas apresentam marcas cromáticas e estilísticas bem definidas,
transportadas nas experiências como escultor de murais e obras de
grandes proporções. Assim, Sarro levou, para o cimento e concreto,
a grandeza épica e a textura já presentes em sua obra pictórica.
Encomendas
de esculturas surgiram em São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul,
Santo André, Brodósqui, Jardinópolis, Marília, Ribeirão Pires, Vera
Cruz e Araras. As obras mais impressionantes são em Aparecida do Norte,
onde inaugurou, em 2000, uma Via Sacra, no Morro do Cruzeiro, além de
painéis na Capela de São
José, no interior da Basílica.
Essas obras
monumentais, que impressionam pelo tamanho e qualidade, assim como as
pinturas, têm a sua base nos quase mil desenhos do artista, muitos
deles ligados às suas origens, o mundo rural, que conheceu tão bem
quando trabalhou na roça, em contato direto com a natureza.
O uso todo
especial do azul, vermelho e rosa encanta. A utilização da cor e das
formas avantajadas, a ligação do ser humano com a terra e os animais,
como pássaros, papagaio, gato, carneiro ou boi, além da presença
constante de instrumentos musicais, como
uma flauta, um violão ou um bandolim, tornam a obra de Adélio
Sarro diferenciada.
O apurado
trabalho com as transparências da cor é utilizado na construção de
imagens tocantes e momentos de intensa integração do ser humano
ao universo, seja por meio do amor aos animais, à natureza ou à música.
O pintor paulista estabelece assim, com seu trabalho contínuo e
incessante a sua própria harmonia universal e mostra a possibilidade de
um mundo melhor, em que a arte seja valorizada como uma das mais genuínas
expressões da mente humana.
Oscar
D’Ambrosio, jornalista, é mestre em Artes Visuais pelo Instituto de
Artes (IA) da UNESP, campus de São Paulo e integra a Associação
Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil). É autor,
entre outros, de Contando a arte de Peticov (Noovha América) e
responsável pela página www.artcanal.com.br/oscardambrosio