por Oscar D'Ambrosio


 

 


Adélio Sarro: o trabalho incessante

 

            Poucos artistas conseguem juntar trabalho incessante, talento e significativos resultados plásticos como Adélio Sarro. Com mais de 150 exposições nacionais e internacionais no currículo e mais de 2.500 obras, entre pinturas e esculturas, ele sabe que o aperfeiçoamento constante é a única alternativa para ter seu nome reconhecido.

            Filho de agricultores foi carpinteiro, marceneiro, cortador de mármore e desenhista de cartazes de propaganda antes de conseguir ganhar a vida apenas como pintor e escultor, Adélio Sarro encontrou um estilo próprio, marcado pelas figuras de trabalhadores rurais, mulatas, famílias e grupos de crianças de mãos fortes e pés descalços.

Enquanto o trabalho com as tintas caracteriza-se pelas transparências e tons suaves e harmoniosos, as esculturas fascinam pela grandiosidade. As pinturas apresentam marcas cromáticas e estilísticas bem definidas, transportadas nas experiências como escultor de murais e obras de grandes proporções. Assim, Sarro levou, para o cimento e concreto,  a grandeza épica e a textura já presentes em sua obra pictórica.

            Encomendas de esculturas surgiram em São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Santo André, Brodósqui, Jardinópolis, Marília, Ribeirão Pires, Vera Cruz e Araras. As obras mais impressionantes são em Aparecida do Norte, onde inaugurou, em 2000, uma Via Sacra, no Morro do Cruzeiro, além de painéis  na Capela de São José, no interior da Basílica.

            Essas obras monumentais, que impressionam pelo tamanho e qualidade, assim como as pinturas, têm a sua base nos quase mil desenhos do artista, muitos deles ligados às suas origens, o mundo rural, que conheceu tão bem quando trabalhou na roça, em contato direto com a natureza.

            O uso todo especial do azul, vermelho e rosa encanta. A utilização da cor e das formas avantajadas, a ligação do ser humano com a terra e os animais, como pássaros, papagaio, gato, carneiro ou boi, além da presença constante de instrumentos musicais, como  uma flauta, um violão ou um bandolim, tornam a obra de Adélio Sarro diferenciada.

            O apurado trabalho com as transparências da cor é utilizado na construção de  imagens tocantes e momentos de intensa integração do ser humano ao universo, seja por meio do amor aos animais, à natureza ou à música. O pintor paulista estabelece assim, com seu trabalho contínuo e incessante a sua própria harmonia universal e mostra a possibilidade de um mundo melhor, em que a arte seja valorizada como uma das mais genuínas expressões da mente humana.

 

Oscar D’Ambrosio, jornalista, é mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes (IA) da UNESP, campus de São Paulo e integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil). É autor, entre outros, de Contando a arte de Peticov (Noovha América) e responsável pela página www.artcanal.com.br/oscardambrosio

 
 

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