por Oscar D'Ambrosio


 

 
 

 

Adams Carvalho

 

            O renascer das camadas

 

            Quando muitos falaram da morte da pintura, havia no ar o sentimento de que o conhecimento técnico estava em progressiva decadência. Alguns diziam que a fascinação pelas técnicas do óleo, acrílica e aquarela estava desaparecendo entre os jovens, numa caminhada irreversível em que as novas tecnologias destruiriam as camadas e transparências possíveis de serem obtidas pela tinta sobre a tela. 

            Numerosos artistas jovens, como Alexandre Bernardes, André Albuquerque, Evandro Angerami, Mauricio Parra e Rodrigo Nucci, mostraram que esse pensamento apocalíptico era apenas um falso alarme dos que não acreditavam na força da tradição. Adams Carvalho insere-se nesse grupo, reafirmando que pintar é um exercício cada vez mais contemporâneo.

            O maior mérito de sua pintura é articular diversos elementos com consistente resultado plástico. As roupas das personagens femininas, a textura dos objetos dos ambientes e, principalmente, as cores e detalhes de cada quadro compõem uma mesma atmosfera.

            O segredo de seu trabalho não está em ver a figura pintada pelo artista em si mesma. Isso não tem a menor importância. O que valoriza cada trabalho é a riqueza de recursos que Adams possui para criar atmosferas plenas de lirismo, num exercício de construção de uma poética do cotidiano.

            As diversas referências a filmes presentes em suas imagens também não podem ser o centro da discussão. A textura da parede de um quarto, por exemplo, constrói grafismos da mesma linhagem das minúcias de blusas femininas, comprovando que Adams Carvalho não é apenas um artista que desenvolve assuntos ou temas. Acima de todo, é um pintor.

Cria algo que podemos chamar até de estética das colchas. Elas aparecem como elementos plásticos com estruturas e camadas que se articulam das formas mais diversas em uma linguagem marcada pela sutileza, na qual os elementos constitutivos, em tinta acrílica, constroem um clima de sedução e mistério. As camas, paredes e blusas plasticamente definidas pelo artista erguem um manifesto tácito de defesa da arte de pintar com qualidade.

 

Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção Brasil).

 

 

 

 

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Sem título 12
acrílico sobre tela 40 x 40 cm 2006

Adams Carvalho

 

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