Adalgiso
H. Santos
Desvendando caminhos
O pintor cearense Aldemir Martins
tem, no mínimo, dois grandes méritos. Primeiro, trouxe as cores
intensas do Nordeste para o Sudeste brasileiro, conseguindo se inserir
no mercado de arte nacional. Segundo, conseguiu levar esse trabalho para
a Europa, sendo reconhecido pela qualidade de seus desenhos na Bienal de
Veneza.
Essas
observações surgem a propósito da obra de Adalgiso H. Santos.
Radicado em São Paulo, SP, mas nascido em
Itiruçu, BA, em 28 de junho de 1965, trabalhou com marcenaria,
ilustração, artesanato e restauração de móveis antigos. Sua
carreira nas artes plásticas começou em 2000 e se caracteriza pelo uso
peculiar da cor como veículo de expressão.
Santos foi
premiado na Galeria Mali Villas Boas, em São Paulo, SP, em 2005, com um
gato vira-lata que evoca, tanto no colorido como na forma, as obras do
mestre cearense. É claro que não há nada de mau nisso, desde que o
artista baiano vá progressivamente encontrando caminhos próprios,
principalmente ao lidar com as tonalidades quentes, com as quais
demonstra afinidade.
Nesse
sentido de encontrar uma vereda na qual possa ganhar o próprio espaço
no concorrido e escasso mercado de arte nacional, pinturas como Peixe
feliz e Carpa são exercícios em que a intensidade da cor
está presente e os fundos são trabalhados com uma riqueza de recursos
que pode ser aprimorada nas próximas obras.
O grande
assunto da pintura é ela mesma e, nesse aspecto, Santos deve encontrar
sua trajetória sem se ater tanto a um tema específico. Seja, gatos,
galos ou peixes, o essencial é que a sua pesquisa estética o leve para
um trabalho com técnicas e materiais cada vez mais aprimorados.
Dessa
maneira, encontrará logo uma temática ou uma forma de tratar de um
assunto já explorado por outros artistas com uma linguagem
absolutamente original, presente na sua capacidade de colocar cada vez
mais seu domínio de recursos racionais e emocionais nas telas.
Adalgiso H.
Santos tem o grande mérito de apresentar uma pintura que não se
acomoda perante soluções fáceis. Isso o fará necessariamente lutar
no cotidiano artístico para desvendar percursos em que possa, como
Aldemir Martins fez no passado, traçar uma história única e relevante
nas artes plásticas nacionais.
Oscar
D’Ambrosio, jornalista, é mestre em Artes Visuais pelo Instituto de
Artes (IA) da UNESP, campus de São Paulo e integra a Associação
Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil). É autor,
entre outros, de Contando a arte de Cláudio Tozzi (Noovha América)
e Os pincéis de Deus: vida e obra do pintor naïf Waldomiro de Deus
(Editora Unesp e Imprensa Oficial do Estado de São Paulo).